Opinião


Não é a primeira vez que Hans Küng critica o pontificado de Bento16, mas fá-lo com uma especial clareza e veemência numa «Carta aberta aos bispos católicos de todo o mundo», publicada hoje em El País.

Agora com 82 anos, começa por recordar que ele e Ratzinger foram os dois teólogos mais novos do Concílio Vaticano II, e descreve depois, detalhadamente, os motivos da desilusão que tem vindo a ter com a actuação do seu ex-colega na Universidade de Tübingen, que não só «relativiza os textos conciliares e os interpreta de forma retrógrada (…) como se situa expressamente contra o concílio ecuménico que, segundo o direito canónico, representa a autoridade suprema da Igreja católica».

Pararia por aqui aconselhando apenas mais uma leitura, não fosse dar-se o caso de me lembrar muito bem de Hans Küng e de Ratzinger durante o Vaticano II, não só pelo que escreveram e subscreveram (já  lá chego), mas porque o primeiro esteve em Portugal em Abril de 1967, para fazer duas conferências, uma em Lisboa e outra no Porto sobre «A liberdade dentro da Igreja». Eram tão «revolucionárias» então as esperanças que sobravam do Concílio, encerrado dois anos antes, que os eventos em questão até meteram PIDE, identificação de matrículas de carros, entre as quais o de Mário Soares, etc. etc. (Escrevi em tempos algo sobre este assunto, que os mais interessados poderão ler aqui.)

Mas o que me interessa é chegar a Ratzinger, numa tentativa para que se entenda de onde ele vem, o que talvez permita uma melhor leitura da «desilusão de Hans Küng e uma menor «desculpa» para as posições que o papa hoje toma.

Como é sabido, houve uma clara retracção a nível de Roma nos anos que se seguiram ao encerramento do Vaticano II. Mas o que é menos conhecido é que existiu então um fortíssimo movimento de teólogos que não se conformaram com os factos e que reivindicaram o seu direito à liberdade de pensamento e de expressão dentro da Igreja. Exprimiram-no num documento publicado simultaneamente num jornal italiano e num outro alemão, em 16 de Dezembro de 1968: «Declaração sobre a liberdade e a função dos teólogos na Igreja». O texto chegou a 1.360 assinaturas, mas os promotores foram 38 – os principais e mais avançados teólogos ligados ao Concílio, entre os quais Hans Küng, claro, mas também… Joseph Ratzinger. Não é fácil encontrar o referido documento e coloquei-o por isso online.
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Publicada em CARTAS SOBRE A REVOLUÇÃO PORTUGUESA, Seara Nova, 1976 (*).

 
Gordes, 17 de Agosto de 1975

Caro amigo:

(…) Recordo-me da conversa que tivemos em Sagres, por altura da Páscoa, e não foi sem emoção que li agora as suas declarações, tão profundamente de acordo com o homem que então me falava me pareceram elas. Ouvi-o discorrer sobre a situação social e política do seu país e fiquei impressionado pela sua liberdade, pela sua franqueza e a inteligência das suas análises políticas. Você era socialista e eu comunista: nada de essencial nos separava. Lembro-me das suas reflexões: “a situação portuguesa é deveras original”, dizia-me, “e não há possibilidade de a comparar a qualquer outra; desencadeou-se um verdadeiro processo revolucionário; há lugar para esperança se todas as forças da esquerda se unirem com o MFA; mas é preciso estarmos vigilantes porque ainda não se atingiu o ponto de irreversibilidade do fascismo”.

Depois de nos termos separado, os acontecimentos precipitaram-se e as suas opiniões nunca deixaram de estar presentes no meu espírito.

Sou apenas um intelectual, precariamente informado quanto aos pormenores da vossa actual situação. Para mais, teria escrúpulos em “intervir” na política do vosso país. Contudo ao observar, aqui de França, a forma como todas as forças reaccionárias da Europa, da extrema-direita à social-democracia, desencadeiam contra a revolução portuguesa a mais gigantesca campanha de pressão, chantagem e calúnia a que se assistiu desde a guerra de Espanha, considero que um comunista pode, mesmo não sendo português, dar a conhecer a sua opinião.

É óbvio que o imperialismo mundial (americano e europeu) foi literalmente apanhado de surpresa pelo 25 de Abril e pela queda do fascismo.

Pensa-se com excessiva complacência, em determinadas camadas da burguesia e entre certos intelectuais, que o fascismo (em Espanha, em Portugal, na Grécia) se havia tornado, do ponto de vista do imperialismo, dos seus monopólios e Estados, um processo “arcaico”, “caduco”, “incómodo” e “dispendioso” que deixara de corresponder aos interesses de um “neo-capitalismo” activo e esclarecido. Por detrás deste juízo depara-se facilmente a ideia de que existiria em si, quer dizer, em todas as circunstâncias, uma forma “normal” do capitalismo “moderno” (isto é, do capitalismo monopolista ou imperialismo): a forma da democracia parlamentar burguesa, garantindo um certo número de liberdades individuais e políticas.

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Os “Caminhos” deram o devido destaque de lembrança, embora com a inevitabilidade da insuficiência face á riqueza política e histórica da importância crucial dessa ruptura na fábrica de elites da ditadura, à resposta da juventude estudantil à repressão ao Dia do Estudante de 1962, empurrando para a luta antifascista muitos dos destinados a serem quadros de garantia do regime e integrarem as suas elites (e só por isso e para isso acediam à Universidade).

Os depoimentos de José Augusto Rocha, Isabel do Carmo, Jorge Sampaio e Helena Cabeçadas, são indispensáveis e esclarecedoras visitas de memória a acontecimentos que marcaram o despertar político com vontade de combate para tantos que, depois, não interromperam as tarefas de enfrentar a ditadura até à sua queda, com disponibilidade política ainda suficientemente viçosa em 1974 para serem “quadros destacados” da revolução e da construção democrática, muitas vezes repartidos em diferentes e conflituantes trincheiras, de que uma parte sobreviva e restante ainda hoje é renitente a calçar as pantufas da pré-reforma na intervenção cívica. O que, só por si, é demonstração da profundidade do erro do salazarismo quando, em Março de 1962, respondeu com a pulsão da brutalidade cega e estúpida à tentativa de se comemorar o Dia do Estudante em 24 de Março de 1962. Se é verdade que, numa qualquer luta, a maioria dos sucessos se devem a erros crassos cometidos pelo adversário, então a luta antifascista depois de 1962, a revolução de Abril e a construção e sustentação da democracia portuguesa, “muito devem” a Salazar, à polícia de choque e à PIDE. Sem a repressão fascista de 1962 que desencadeou uma generalizada e típica indignação juvenil, generosa e radical, obviamente com as proporções possíveis na sociedade portuguesa da época, muitos dos jovens estudantes de então nem sequer se iriam politizar quanto mais enveredarem, como aconteceu a tantos, pela luta revolucionária e clandestina contra a ditadura. É verdade que alguns dos “estudantes em luta” em 1962 se acomodaram ao refluxo que se seguiu, normalmente com a ajuda das pressões das famílias, tratando dos seus cursos e carreiras mais que da militância cívica, embora irreversivelmente “perdidos ideologicamente para o regime” e “marcados para sempre” pela vivência do Dia do Estudante, enquanto outros seguiram os caminhos do exílio, mais ou menos comprometido politicamente com a aversão à ditadura. Mas muitos foram os “estudantes de 1962” que foram rechear a militância clandestina do PCP (então a única força organizada com capacidade de ancorar o desejo de muitos jovens em passarem a formas “superiores de acção” contra a ditadura), carecendo a nossa bibliografia histórica e política de análises aos efeitos quantitativos e qualitativos deste grande influxo estudantil nos quadros e militantes do PCP (o que mudou, e muito, a repartição das origens sociais dos militantes do PCP – “partido da classe operária” – e intelectualizando-o), além daqueles que, depois fardados e mandados para as guerras coloniais, corroeram a unidade ideológica nacionalista da “frente militar colonial” e contaminaram politicamente, com a demonstração do absurdo criminoso daquelas guerras, os oficiais profissionais (e sem se ter em conta esta contaminação, não é possível entender o MFA).

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O Quintino já tinha o cabelo branco antes de chegar a Revolução. Mas não era tão velho quanto parecia. O cabelo é que tinha embranquecido precocemente. Era um ónus hereditário, segundo ele, explicando que o mesmo tinha acontecido ao seu pai e seu avô. Além de branca, a cabeleira também era escassa. Todas as manhãs, num ritual que ia repetindo ao longo do dia, Quintino dedicava uns minutos vagarosos a acamar, pacientemente, os poucos cabelos brancos de um lado para o outro do crânio, de forma a melhorar, assim pensava ele, o seu visual capilar. Também não descurava outras vertentes quanto ao seu aspecto. Modesto escriturário, sonhando com uma carreira que lhe melhorasse o futuro, ele sabia que, para atingir os seus fins, a apresentação exterior era importante. Nunca chegaria a chefe de secção ou de departamento se causasse má impressão à observação atenta dos seus superiores. Assim, Quintino andava, por regra, vestido com fatos completos e claros e usava, sempre, um lenço de seda (oferta de Natal) a compor-lhe o pescoço. Achava que aquele adereço era preferível à banal gravata como sinal de aptidão para ser uma chefia potencial antes de chegar às vias de facto. A empresa onde trabalhava estava fortemente conotada com o antigo regime e os seus usos e costumes. Tanto, que guaritas da Legião vigiavam o perímetro das instalações industriais. Quintino não queria destoar e para o tornar evidente aos olhos dos chefes, tinha sempre exposto um enorme terço terminado num grosso crucifixo em plástico duro pendurado no vaso pintado (oferta de Natal) onde guardava as esferográficas e que se destacava na arrumação impecável da sua secretária.

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O discurso sobre a identidade nacional acompanha-nos como uma sombra fiel, às vezes (tantas!) como uma assombração.

O tema sempre apaixonou o português mas em momentos de celebração, como este dos 100 anos da República, ganha inevitavelmente outra importância tomando de assalto a agenda política e mediática, normalmente saturadas de clichés e lugares comuns que em vez de conhecimento promovem um reiterado auto-desconhecimento.

Segundo esses lugares comuns sofremos de uma excessiva e patológica centragem sobre nós mesmos, mitificamos em excesso o passado e, consequentemente, desprezamos o presente, vivemos mais para os devaneios poéticos do que para a acção concreta, o que faz de nós um povo passivo e expectante, narcísico, megalómano, irrealista, pouco crente nas reais capacidades e muito mais confiante nos insondáveis desígnios da sorte, nos golpes imprevistos do destino.

Todos conhecemos esta vulgata sebastianista, divulgada por especialistas da ‘coisa vária’ de que encontramos ecos constantes numa cultura de massas cada vez mais ao serviço de um senso comum de que ela é, simultaneamente produtora e produto. Ou mesmo na dispersa conversa de café ou das ondas internéticas: doce e amarga, terna e corrosiva, arrogante e humilde, generosa e mesquinha. Generalista o suficiente para nele caber sempre mais uma nota de originalidade, sem que contudo se comprometa a possibilidade de o mesmo se poder dizer a respeito de qualquer outro povo ou grupo social. Suficientemente ambíguo a ponto de as maiores virtudes se transmutarem nos maiores defeitos (e vice-versa) em função do seu potencial mobilizador na conjuntura social ou política do momento.

Sabemos como as comemorações – todas elas, e estas não serão excepção – se prestam a esses aproveitamentos, e o sucesso garantido dessas versões identitárias muitas vezes de gosto popular, mas outras tantas com o selo de qualidade cultural servido por pensadores da ‘alma nacional’, da ‘essência da Nação’, da originalidade da maneira de ser português, no limite do milagre da nossa sobrevivência como povo… para lá dos acidentes de percurso.

Mas elas podem também ser oportunidades únicas para questionar essas extrapolações idealistas que nos amarram a modelos intemporais, começando por fazer as perguntas certas: Mas afinal de que falamos quando falamos de identidade nacional? Não será certamente a mesma coisa para as maiorias sociológicas ou para as minorias intelectuais, nas suas variantes mais ou menos activas, e num espectro tão amplo que vai do vanguardismo ao conservadorismo mais retrógrado. E afinal onde se encontra o ‘ser português’? nos jornais? nos compêndios de história? no cinema? na música? na literatura?

As perspectivas abertas por um lado pela nova sociologia (não a dos inquéritos do Eurobarómetro que produzem resultados para todos os gostos…) e por outro, por um renovado interesse pelos estudos culturais constituem dois grandes filões desenvolvidos a seguir à Revolução de Abril os quais, salvaguardando todas as diferenças, se reconhecem num persistente esforço de avançar num auto-conhecimento ‘menos mistificador mas mais proporcionado, menos celebratório mas mais eficaz, menos glorioso mas mais emancipador’, nas palavras de Boaventura de Sousa Santos.

Se é verdade que só comemoramos o presente, ou o que do passado interessa ao presente, o que de mais radicalmente actual encerra o ideário republicano é esse programa integral de emancipação só possível através do conhecimento. Ou da instrução, como então se dizia. Cem anos passados ele aí está como memória e projecto de uma sociedade que ainda não converteu o povoléu ou a populaça em Povo, o Zé Povinho em cidadão, as razões de estado em bem comum, a República em res pública, ou seja, de todos e (isto não é uma concessão ao politicamente correcto…) de todas. De uma sociedade que tarda em contrariar a sentença de Miguel Torga: ‘em Portugal o comum não é de nenhum!’

 
Um texto de Luísa Tiago de Oliveira (*)

A propósito de um artigo de El País: Querido abuelo, vamos a enterrarte con la abuela, tu esposa”

Em 2010, um ancião alto e magro entrega as urnas com o que ficou dos corpos dos companheiros, mortos de fome, nos cárceres franquistas. Recebem estes despojos, recuperados, os familiares, procurando uns conter as lágrimas enquanto outros as abrem. Abraçam-se. Nas fotografias, distinguem-se bem os netos, que são também aqueles que erguem os punhos quando vão receber os restos dos avós. Em 2010, com este gesto de outrora, reactiva-se a simbólica dos anos 1930 em que à saudação fascista se opuseram os punhos cerrados.

Ao ver o artigo de El Pais e as fotografias anexas, percorremos também décadas de silêncio e emoções abafadas, gestos lacónicos para sentimentos de força calada.

Perguntamo-nos de onde terão vindo aquelas bandeiras tricolores da República, que não são a actual bandeira de Espanha. Interrogamo-nos se serão antigas, se terão estado escondidas, o que sentiram e como viveram os derrotados que as tiveram, o que lhes foi necessário calar, disfarçar, negar. Porém, fixamos mais atentamente as bandeiras, que de início nos tinham feito sonhar, e vemos que afinal parecem novas e podem ter sido feitas nas oficinas e ateliers que trabalham para qualquer loja, para qualquer mercado.

Mas, ao envolverem e embalarem pequenas urnas, estas bandeiras novas duma República passada falam. De quem as empunha, de quem as manuseia, de quem nem delas se abeira, de quem delas não gosta, das convicções de todos esses homens e mulheres.

E eu já ouvi uma enorme bandeira da República a falar.

Foi, em 2007, numa ceia comemorativa da implantação da República de 1931, em Ourense, organizada pela Associação dos Amigos da República. Naquela noite, corria dum lado ao outro do palco, onde se sucederam os oradores e as canções entoadas. Em longos anos anteriores, tinha estado enterrada num quintal, de onde fora resgatada há pouco, por um filho, já de certa idade. E, do seu novo lugar, a bandeira, comovida, ouviu o nosso Grândola e o Hino de Riego.

Aquilo que a terra escondeu, como terá ido lá parar? Terá sido a vontade de que não caísse nas mãos do inimigo? Terá sido a urgência de esconder algo que podia incriminar quem o tinha? Porque foi o seu local ensinado? O terror e o medo impostos, de sangue ou pedra fria, não teriam abrandado para permitir destruí-la sem levantar suspeitas, em 70 anos, incluindo 30 de pós-franquismo? Já não terá sido a força bruta mas, sim, o medo entranhado a obrigá-la a permanecer soterrada. Contudo, ao salvá-la, aqueles que deste modo agiram tiveram decerto, e também, a esperança de que um dia a bandeira pudesse ser desenterrada, utilizada, libertada. E, significativamente, só o foi muitos anos após o fim da ditadura franquista. E desde aí, num tempo em que as Associações dos Amigos da República e as Associações de Memória Histórica batalham, a bandeira surge, novamente.

Por trás de cada gesto épico, há muitos outros que o possibilitam, bem mais anónimos e invisíveis, de resistência continuada. A radical vontade de mudança está também na determinação quotidiana de, com os pés na terra, assegurar a vida das ideias. Através de palavras e silêncios, de gestos, de objectos simbolicamente investidos.

Que sucessivas histórias contarão estas bandeiras?

Que histórias contarão estes punhos erguidos, por netos, que não conheceram os avós?

 
(*) Biografia de Luísa Tiago de Oliveira

 
Foram raríssimas as alusões que hoje encontrei ao 35º aniversário (número redondo…) de um dia que foi decisivo para este país.

Não vou regressar a relatos dos acontecimentos, bem conhecidos (ou talvez totalmente ignorados pelos mais novos…), nem pretendo abrir aqui uma caixa de Pandora, embora ainda não tenha perdido a esperança de ver um dia, quem sabe se neste blogue, uma discussão séria e certamente muito polémica sobre o PREC – o que foi, e talvez sobretudo, o que poderia ter sido e acabou por não ser.

Questão incómoda, varrida para baixo de muitos tapetes, uns tecidos de saudosismos irredutíveis, outros de condenação sem reservas como se a nossa democracia pudesse ser o que é, para o mal mas também muitíssimo para o bem, caso tivesse sido possível «saltar» do 25 de Abril de 74 para o 25 de Novembro de 75 ou, pelo menos, apagar o 11 de Março e os oito meses e meio que se seguiram.

Quem tem idade para recordar lembrar-se-á dos ambientes absolutamente alucinantes em que tudo acontecia, sobretudo a partir de 14 de Março, quando foi criado o Conselho da Revolução e se deu a nacionalização da Banca e dos Seguros. Mas talvez tenha esquecido algumas reacções, bem significativas e provavelmente úteis quando revisitadas a trinta e cinco anos de distância:

«As nacionalizações são saudadas à esquerda e não são contrariadas à direita. O PPD apoio-as, aliás, embora previna que “substituir um capitalismo liberal por um capitalismo de Estado não resolve as contradições com que se debate hoje a sociedade portuguesa”.
Mário Soares mostra-se mais expansivo. Eufórico mesmo, considerando aquele “um dia histórico, em que o capitalismo se afundou”. Dirá, a propósito o líder socialista, num comício: “A nacionalização da banca, que por sua vez detém (…) a maior parte das acções das empresas portuguesas e, ao mesmo tempo, a fuga e prisão dos chefes das nove grandes famílias que dominavam Portugal, indicam de uma maneira muito clara que se está a caminho de se criar uma sociedade nova em Portugal”.» (Adelino Gomes e José Pedro Castanheira, Os dias loucos do PREC, p. 28).

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