Notícias


Os «Caminhos da Memória» suspendem hoje a sua publicação. Começámos este projecto há quase dois anos, procurando corresponder às expectativas de todos os nossos colaboradores e leitores, e é por não querermos defraudá-las que a maioria de nós faz esta escolha: consideramos que o modelo que adoptámos está de certo modo esgotado e que seria necessário adoptarmos um outro para o qual não estamos neste momento preparados.

Como acérrimos defensores da preservação da memória que todos somos, poderemos vir a iniciar outros projectos e continuaremos entretanto a actuar nesse sentido, nas várias arenas em que nos movemos. Incluindo nestas, naturalmente, outros blogues nos quais participamos.

Por ironia trágica do destino, os últimos textos que publicámos incidiram sobre a morte de um dos nossos colaboradores da primeira hora – o José Luís Saldanha Sanches -, quase que em jeito de homenagem e recordando-nos simultaneamente a finitude dos seres e das coisas.

(O blogue manter-se-á em linha, intacto, como se de um livro se tratasse, podendo continuar a ser consultado e/ou citado. Porém, os comentários que possam ser introduzidos a partir de agora não serão publicados, nem haverá respostas aos anteriores.)

A Biblioteca-Museu República e Resistência irá levar a cabo durante os meses de Maio e Junho o 3º Ciclo de conferências «Memórias literárias da guerra colonial». Aqui fica o programa:

7 Maio às 19h
Não sabes como vais morrer. 7 mais 1 histórias de guerra e regresso atribulado no Vera Cruz por Jaime Froufe Andrade

14 Maio às 19h
Memórias dos dias sem fim por Luís Rosa

21 Maio às 19h
Como vivi a guerra em Quípedra Angola no ano 1963 por António Cadete Leite

28 Maio às 19h
Cisne de África por Henrique Levy

4 Junho às 19h30
Caderno de memórias coloniais por Isabela Figueiredo

18 Junho às 19h
A pele dos séculos por Joana Ruas

25 Junho às 19h
O meu avô africano por Aniceto Afonso

Alguns posts relacionados com os objectivos deste blogue. Notícias ou textos mais descomprometidos (ou não…) do que os habituais e que talvez ajudem alguns a navegar por outras paragens.


Almanaque Republicano – Documento histórico – Comissão de resistência da Maçonaria

 

Vítor Dias – Sobre o novo documentário de Susana de Sousa Dias – «48»

 

Pedro Martins – Cartas para o Q.

Jorge Semprún, no 65º aniversário da libertação dos presos de Buchenwald.
(El País)

Por iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa e da Fundação Mário Soares, está a decorrer uma série de dezoito colóquios, no âmbito das comemorações do centenário da República.

A brochura com o Programa e Textos de Apoio (com muitas imagens) é magnífica e está online em formato PDF.Vale por si.

El juez Varela sentará a Garzón en el banquillo por su causa al franquismo

Alguns posts que encontrei na blogosfera e que estão relacionados com os objectivos deste blogue. Notícias ou textos mais descomprometidos (ou não…) do que os habituais e que talvez ajudem alguns a navegar por outras paragens.

 

Jorge Nascimento Fernandes – O Dia do Estudante de 1962. Um percurso pessoal (1) e (2)

 

Carlos Bobone – Miguel Bombarda: como se fabricou um mártir da república

 

J. M. Martins – Discurso da proclamação da República – Jornadas culturais da Esc. Dr. Joaquim de Carvalho

 

Irene Pimentel – O Tribunal Plenário, instrumento de justiça política do Estado Novo

Em exposição, a partir de hoje, 31 de Março na Torre do Tombo.

Notícia no Público de hoje. A ver também, no mesmo jornal, esta excelente apresentação.

Apresentado pelo PCP e subscrito por todos os partidos.

(Para ler, clicar na imagem.)

Ousado e com conteúdos históricos fundamentais:
talvez todos os alunos devessem ser obrigados a ver o filme
de Susana de Sousa Dias (Enric Vives-Rubio)

 
Público, 29.03.2010 – por Vanessa Rato

«Não foi o filme a vencer cá o DocLisboa, o grande evento português para o documentário, mas foi o filme a ir “lá fora” e a voltar a casa com o Grande Prémio do festival Cinéma du Réel (Paris), um dos mais importantes do mundo. Estamos a falar de “48”, de Susana de Sousa Dias, uma aproximação de 93 minutos ao que foram os anos da ditadura fascista portuguesa e ao que esta implicou para os que lhe resistiram.

Estamos a falar, também, daquele que foi “provavelmente o mais ousado e vanguardista” objecto cinematográfico a passar pela edição de 2009 do Doc (palavras de Novembro último de Sérgio Tréfaut, o director do festival).

No Cinema du Réel, o prémio é de oito mil euros, mas, como sempre, há um mundo para lá do retorno financeiro – a começar pelo reconhecimento e a visibilidade acrescida. “O que é que posso dizer? Estou muito contente. É isso, basicamente”, dizia ontem ao P2 a realizadora. “Posso acrescentar que fiquei muito surpreendida com a muito boa adesão não só de profissionais -o júri, claro, outros realizadores… – mas também do público, em geral. Não é um filme, à partida, muito fácil.”»

Continuar a ler aqui.

«EL SUPREMO AVALA JUZGAR A GARZÓN POR INVESTIGAR EL FRANQUISMO»

«La Sala de lo Penal del Tribunal Supremo ha confirmado la decisión del magistrado Luciano Varela de no archivar la causa que se sigue contra Baltasar Garzón por declararse competente para investigar los crímenes del franquismo. Es el golpe de gracia que despeja la vía para sentarlo en el banquillo al magistrado por un delito de prevaricación.»

E as reacções Asociación para la Recuperación de la Memoria Histórica:
«NOS SENTAREMOS CON ÉL EN EL BANQUILLO»”
«La Asociación para la Recuperación de la Memoria Histórica (ARMH) ha lamentado el nuevo jarro de agua de fría que supone el rechazo del recurso presentado por el juez Garzón para defender su investigación sobre los crímenes del franquismo. “Si se sienta en el banquillo, se estarán sentando con él miles de hombres y mujeres que llevan décadas esperando a la justicia y que no han podido todavía ejercer sus derechos”, aseguran en un comunicado.
El colectivo lamenta que Garzón “vaya a ser juzgado por haber cumplido el deber de cualquier representante de la justicia de investigar los crímenes de la dictadura franquista”, mientras , añaden, “los violadores de derechos humanos se mueren disfrutando de privilegios como la impunidad”.
“El sistema judicial español lleva prevaricando más de tres décadas porque no ha sido capaz de juzgar ninguno de los miles de asesinatos y violaciones de derechos humanos cometidos por la dictadura”, añaden en un comunicado. La Asociación para la Recuperación de la Memoria Histórica considera que quienes han prevaricado son los jueces de primera instancia que al notificarles el hallazgo de restos humanos con signos de muerte violenta (impactos de bala, huesos rotos…) no han acudido a las fosas y han abierto una investigación.»

Para além dos dois testemunhos já publicados, divulga-se hoje mais um (*).

 

Rui d’Espiney
Dirigente da Comissão Pró-Associação dos Liceus

 
(*) A Crise Académica de 62, Fundação Mário Soares, 2007 (dvd)

A ler: La fractura política argentina empaña los actos de condena de la dictadura

Para além de um texto de José Augusto Rocha, que acabámos de publicar, divulgam-se hoje testemunhos de protagonistas, recolhidos em 2007, por ocasião do 45º aniversário dos acontecimentos (*).

 

Isabel do Carmo
Membro da Comissão da Pró-Associação
da Faculdade de Medicina de Lisboa

 

Jorge Sampaio
Secretário-Geral da RIA (Reunião Inter-Associações)

 
(*) A Crise Académica de 62, Fundação Mário Soares, 2007 (dvd)

Como nos lembrou o excelente título do filme de Beth Formaggini, a melhor forma de honrar a memória é não a atraiçoar no dia a dia.

Por isso, em vésperas do tradicional jantar de aniversário da crise académica de 62, aqui trago uma notícia sobre o Dia do Estudante, 48 anos depois.

 
Assunto: 24 de Março, Dia do Estudante

Boa noite,

Venho por este meio informar que no próximo dia 24 de Março, Dia do Estudante, haverá uma manifestação em Lisboa que juntará estudantes dos distritos de Lisboa e Setúbal. Esta, organizada pela Delegação Nacional de Associações de Estudantes do Ensino Secundário e Básico, tem início marcado para as 10h na praça do Saldanha, devendo estar pronta para partir por volta das 11h00, e percorrerá a Av. da República até à Av. 5 de Outubro, onde se concentrará à frente do Ministério da Educação.

Já lá, alguns estudantes e Associações de Estudantes de várias escolas organizarão um protesto teatral simbolizando a falta de possibilidade de participação democrática nas escolas. Pretende também apelar aos alunos conscientes em todo o país que se organizem na luta pelos seus direitos. A ideia geral desta acção é montar uma sala da aula em frente ao Ministério, os seus pormenores só poderão ser conhecidos na altura.

As razões para estes protestos são várias, mas podem resumir-se ao combate aos ataques que têm sido feitos a um ensino que queremos que seja realmente público, gratuito e democrático:

(mais…)

A ler, no Público.es: Argentina recobra la memoria para juzgar la dictadura.

Centenas de novos documentos evocam a vida dos presos nos campos de concentração da ditadura.

A ler em El País.


   Carta a Mário Pinto de Andrade – Clicar para ler
   (Arquivos da Fundação Mário Soares)

 
Conheci-a em S. Tomé, no início dos anos 90, quando a entrevistei para a série “Geração de 60” – mas já há muito conhecia o seu nome e alguns dos seus poemas.

Filha de uma professora primária e de um funcionário dos Correios, Alda do Espírito Santo vem, em meados da década de 40, estudar para Lisboa, onde priva de perto com alguns dos futuros dirigentes dos movimentos de libertação das colónias portuguesas de Áfica, como Amílcar Cabral, Mário Pinto de Andrade e Agostinho Neto.

A casa onde vive em Lisboa, no nº 37 da R. Actor Vale, é, aliás, um dos centros de reunião dos jovens patriotas africanos em Portugal. Aí se passa grande parte da actividade do Centro de Estudos Africanos, idealizado por Francisco Tenreiro e Mário Pinto de Andrade, aí decorrem as regularmente palestras que, sobre temas tão diversos como a Linguística, a Geografia ou a História, visavam uma consciencialização cultural e política em torno das questões coloniais, do assimilacionismo e da defesa do colonizado.

Mário Pinto de Andrade explicava com ironia as vantagens que a casa da família Espírito Santo oferecia aos activistas anti-coloniais:

“As actividades no 37 da rua Actor Vale tinham um ar de família. Primeiro, porque se passava numa família conhecida, a família Espírito Santo. E todos os pretos eram família, não é? E era ao Domingo, ao Domingo à tarde. Estava camuflado por reuniões de pretos em família. Na família Espírito Santo. Não levantou, durante algum tempo, nenhuma suspeita da parte dos informadores que pululavam certamente por essas ruas da Praça do Chile. Mas, quando em 1953 se operou a resistência dos santomenses às medidas do governador Carlos Gorgulho, sobre o trabalho obrigatório dos nativos, aí sim. Houve evidentemente uma revolta, conhecida, que se materializou no massacre de 3 de Fevereiro, dos primeiros dias de Fevereiro de 1953, e os elementos da família Espírito Santo foram presos e houve aí uma pausa nas nossas actividades. Foi então que, retrospectivamente, a polícia fez a relação entre as reuniões de Domingo, culturais e a resistência dos santomenses em Fevereiro de 1953.”

(mais…)

 
Notícia no Diário de Lisboa, 10/3/1933, que pode ser lida aqui em formato pdf.

(Arquivo da Fundação Mário Soares)

Faleceu este sábado, vítima de um acidente aéreo, José Inácio da Costa Martins, militar de Abril e ministro do Trabalho nos governos de Vasco Gonçalves. Oiça aqui o comentário de José Pedro Castanheira sobre  o papel de Costa Martins na vida política desses anos.

Albertina Lemos, uma das fundadoras do NAM!, morreu ontem (dia 26), no Porto, vítima de câncer. Há já alguns meses que sabíamos que o estado dela era grave, mas a força anímica que possuía levava-nos a acreditar, infantilmente, que ia resistir pelo menos até à Primavera e, depois, tudo seria possível.

Não foi, como humanamente sabemos.

A Albertina tornou-se uma personagem conhecida no NAM! porque era ela que fazia a ligação entre Lisboa e o núcleo do Porto. Sofria de poliomielite, que contraiu muito jovem, no Brasil, para onde emigraram os pais, mas a discrição e a tenacidade com que se apresentava depressa faziam esquecer essa «particularidade», como a designava a Maria Rodrigues, uma amiga de longa data.

A Albertina, na sua simplicidade, era um cérebro. Foi uma das alunas mais distintas do curso de Farmácia na Universidade do Porto. Pertenceu à pró-associação de estudantes e, recorda Luísa Oliveira, caloira da promoção de 1968/69, quando a Albertina chegava a finalista, ela fazia a «diferença» no ambiente «conservador e situacionista» da escola.

Foi para Paris como bolseira e aí vincou-se a sua adesão antifascista, militando nas organizações maoístas da esquerda radical. Depois da revolução de Abril foi activista da OCMLP – Organização Comunista Marxista-Leninista Portuguesa e participou no seu órgão de imprensa, O Grito do Povo!

Viveu as vicissitudes do processo revolucionário em curso e não soçobrou ao desânimo. Manteve-se atenta aos movimentos sociais e foi sem surpresa que os amigos a viram a intervir no Tolerância, na luta pela interrupção voluntária da gravidez, assim como no NAM! quando ele surgiu, no seguimento da manifestação que se realizou frente à antiga sede da PIDE, na Rua António Maria Cardoso, em Lisboa, protestando contra o apagamento da memória na resistência à ditadura.

A Albertina Lemos já não está entre nós, mas permanece dentro da nossa fraterna amizade. Adeus companheira!

António Melo

Integrada numa série de actividades previstas para este ano, está disponível para recolha de assinaturas, num site criado para o efeito, uma petição com o seguinte objectivo:

«Na passagem dos 40 anos sobre a data da sua constituição impõe-se o reconhecimento público e oficial do Estado democrático, pela Assembleia da República, da relevante intervenção cívica que protagonizou, na defesa de todos aqueles que pagaram com a sua própria liberdade a insubmissão aos ditames arbitrários do regime fascista a que a Revolução de Abril de 1974 pôs termo.»

Entre os países da CPLP, para lá da Língua e da História comuns, há um traço de união que, embora muito próximo de nós em anos, é normalmente esquecido: a tortura sofrida pelos seus povos sob regimes de ditadura, fossem estes nacionais, como nos casos de Portugal e do Brasil, colonizadores, como nos casos dos países que atingiram a independência em 1974/75, ou invasores, como no caso de Timor-Leste.

E, no entanto, essa é uma memória traumática que urge enfrentar, não apenas pelo que representa para os que a sofreram, quer pelo que dela se prolonga, muitas vezes, numa desatenção aos Direitos Humanos indigna de povos que por eles se bateram em condições de extrema dificuldade.

É no sentido de pensar essa memória, não apenas enquanto passado, mas enquanto sombra pesando sobre o presente, que a Associação Movimento Cívico Não Apaguem a Memória (NAM) e o Centro de Estudos Sociais (CES-Lisboa) entenderam levar a cabo, em Lisboa, um Seminário subordinado ao tema “Que fazer com estas memórias?”, a ter lugar nos próximos dias 5 e 6 de Março de 2010, no CES-Lisboa (Picoas Plaza, R. Viriato, perto a Maternidade Alfredo da Costa, do jornal Público e do hotel Sheraton; no 1º andar, sobre o pátio com restaurantes, pintado de vermelho e com grandes letras a dizer CES.).

Queremos ouvir testemunhos de quem sofreu a tortura, comentários de médicos que trataram os torturados e de cineastas que recolheram a sua memória.

Queremos que a memória não se perca, para que o futuro seja melhor.

Programa detalhado e definitivo, e mais informação, aqui.

«A mis hijos les gustaba escuchar el cuento de Gloria Fuertes El mundo al revés. Varios años después me vuelve a la memoria al observar la situación de nuestro país.

Hace ahora 73 años, Augusto Lao García fue arrancado de su vivienda y de su familia y fusilado cuando contaba con 32 años de edad. Su delito era haber trabajado desde que tenía uso de razón y tener un espíritu comprometido, cofundando un partido político. Jamás empuñó un arma. Ellos formaron parte de los cientos de miles de víctimas de un plan criminal para acabar con la República y con sus valores. Más de 70 años después, el juez Baltasar Garzón vive un calvario y podría sentarse en el banquillo por haber promovido la justicia que las víctimas del franquismo reclaman y que, durante tanto tiempo, nadie se atrevió a instruir. La acusación parte, ni más ni menos, que de la Falange Española y otros grupos nostálgicos del franquismo.

Tras 32 años de democracia, las calles de nuestros municipios siguen homenajeando, con su denominación, a miles de falangistas y militares rebeldes. En las cunetas de nuestros campos se amontonan miles de restos que no tienen derecho ni a una digna sepultura.

La sombra del franquismo está resultando demasiado larga y su propaganda aún produce efectos. Algo en este país no va bien y no es sólo su economía. Esta España nuestra sigue al revés.»

Canal História

Quarta-feira 3 de Março, 22:00h
Quinta-feira 4 de Março, 6:00h e 14:00h
Sábado 6 de Março, 15:00 e 23:00h
Domingo 7 de Março, 7:00

 
Em 1940 os Estados Unidos fazem todo o possível para permanecer à margem da II Guerra Mundial. O imigrante austríaco Jack Werner foge dos nazis e chega aos Estados Unidos, onde se alista no exército para poder fazer parte da luta contra Hitler. Outros homens jovens, como Archie Sweeney, um jornalista, entram no exército após serem recrutados. Depois de Pearl Harbor, os Estados Unidos vêem-se mergulhados numa guerra de duas frentes e encontram-se mal preparados para o combate. O repórter de guerra Richard Tregaskis desembarca com os marines na ilha de Guadalcanal. O graduado Charles Scheffel casa-se apressadamente antes de ser enviado para o Norte de África.

(Via António Loja Neves, Actual, Expresso, 27/2)

Data: 5 e 6 de Março de 2010
Local: Centro de Estudos Sociais-Lisboa, Picoas Plaza (metro: Picoas)

Entrada livre

Organização:
«Não apaguem a memória!» / Centro de Estudos Sociais

 
Programa

Sexta-feira, 5 de Março
9:30 – 10:30 Abertura – Porquê um Seminário Lusófono sobre Tortura e Memória?
José Manuel Pureza, Representante do Centro de Estudos Sociais – Lisboa
Raimundo Narciso, Presidente da Associação Movimento Cívico Não Apaguem a Memória
Cecilia Coimbra*, Representante do Movimento Tortura Nunca Mais (Brasil)
Simonetta Luz Afonso, Presidente da Assembleia Municipal de Lisboa
10:30 – 12:00 Projecção do filme “48”, de Susana Sousa Dias
12:00 – 12:30 Comentário pelo Dr. Afonso Albuquerque (Médico psiquiatra, autor de um livro sobre o impacto da tortura sobre presos políticos portugueses)
12:30 – 13:30 Debate sobre o filme, com a presença da realizadora Susana Sousa Dias
13:30 – 15:00 Pausa para almoço
15:00 – 16:30 Projecção do filme “Memória para uso diário”, de Beth Formaggini
16:30 – 17:30 Comentário pelo Dr. Carlos Martin Beristain (Médico especialista em Saúde Mental, Universidade de Deusto, Bilbao) e por Alípio de Freitas (português, preso e torturado no Brasil.)
17:30 – 18:30 Debate sobre o filme, com a presença da realizadora
Sábado, 6 de Março
10:00 – 11:30 Projecção do filme “ Tarrafal: Memórias do Campo da Morte Lenta”, de Diana Andringa
11:30 – 12:00 Comentário por Miguel Cardina, historiador, investigador do CES e Victor Barros, investigador do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS20).
12:00 – 13:00 Debate sobre o filme, com a presença da realizadora
13:00 – 13:30 Sessão de encerramento: Como fazer da memória partilhada da tortura uma alavanca pela defesa da Cooperação e dos Direitos Humanos?, Secretário Executivo da CPLP, Eng. Domingos Simões Pereira*.
* A confirmar

Segundo o Público de hoje, «A documentação produzida entre 1930 e 1974 no âmbito da acção do Ministério do Ultramar está desde agora disponível para consulta (…). O projecto foi lançado em 2006 pelo historiador José Mattoso, com o objectivo de preservar e simultaneamente dar a conhecer aos investigadores e demais interessados a história da presença portuguesa nas ex-colónias durante o Estado Novo. O trabalho foi financiado pela Fundação Gulbenkian em colaboração com três ministérios.»

Arquivos acessíveis aqui.

No Público de hoje, um interessante artigo sobre as vidas e as humilhações sofridas pelos filhos de soldados alemães, que nasceram durante os quatro anos da ocupação nazi na Europa – 800.000, dos quais um quarto em França.

O juiz Baltasar Garzón ficou mundialmente conhecido desde que, em 1990, ousou pedir a prisão de Augusto Pinochet, mais tarde acusar de genocídio a ditadura argentina, solicitar ao Conselho da Europa autorização para processar Berlusconi, criticar os Estados Unidos por detenções ilegais em Guantanamo.

Em Espanha, para além de muitas outras intervenções, destacou-se pelo envolvimento em processos contra as actividades da ETA e, desde 2008, na luta pela memória das vítimas da Guerra Civil, ao promover a investigação dos crimes do franquismo e ao ordenar a abertura de dezanove fossas espalhadas por toda a Espanha, com cadáveres de republicanos ainda hoje procurados pelas famílias.

A direita nunca lhe perdoou esta última intervenção e, quase dois anos e mil peripécias depois, Lucio Varela, juiz do Tribunal Supremo, considera que há motivos para que seja instaurado um processo a BG por este ter aberto uma causa penal contra o franquismo. O objectivo é conseguir a suspensão das suas funções.

As reacções não se fizeram esperar, entre elas a de um grupo de intelectuais (José Saramago é um deles), que lançou um Manifesto em defesa de BG, agora aberto à subscrição do público em geral. Aqui fica o texto, bem como um veemente apelo para que a ele nos juntemos, conforme expressamente pedido.

 

Manifesto: HEMOS CONOCIDO LA NOTICIA

 
Hemos conocido la noticia de las 114.266 detenciones ilegales de desaparecidos del franquismo, hombres y mujeres marginados durante muchos años del discurso oficial de nuestra democracia, que son rehabilitados ante nosotros gracias a las asociaciones para la Recuperación de la Memoria Histórica, los investigadores y familiares.

Sus vidas conmovedoras y su sacrificio a favor de la libertad y la democracia, junto a las de sus compañeros represaliados, deben ser reconocidos sin distinción por quienes se consideran sensibles y demócratas como parte inolvidable del sacrificio español del siglo XX. Les debemos reconocimiento a su esfuerzo y esperanza por un mundo mejor en los años más terribles de la historia europea.

Por ello, sin entrar en la causa “sub judice” que respetamos, es motivo de celebración el trabajo encomiable del titular del Juzgado de Instrucción número 5 de la Audiencia Nacional Baltasar Garzón de tramitar este sumario de la época franquista tras la aprobación de la Ley de Memoria histórica, por lo que implica de reparación pendiente por nuestra democracia. Por ello lamentamos el desproporcionado ataque a su labor desde ámbitos determinantes que han creado alarma en nuestra sociedad e indefensión en los demandantes.

Quienes dignificaron la democracia con la inmolación de sus vidas forman parte de uno de los capítulos más generosos de la memoria española del siglo XX y por ello no queremos permanecer impasibles ante la evidencia de este crimen contra la humanidad que se perpetró contra ellos en nombre de un Estado golpista, ni ante las maniobras para separar del Juzgado competente este caso.

Si quieres apoyar este manifiesto envía tus datos personales a esta dirección de correo electrónico.
hemosconocidolanoticia@gmail.com

PROMOTORES DEL MANIFIESTO:
• ERNESTO SABATO
• ANTONIO GAMONEDA
• JOSE SARAMAGO
• JUAN GOYTISOLO
• JOSE MANUEL CABALLERO BONALD
• JOSE LUIS SAMPEDRO
• EMILIO LLEDÓ
• PACO IBÁÑEZ
• JOSÉ VIDAL BENEYTO
• IAM GIBSON
• BERNABÉ LÓPEZ GARCÍA
• CRISTINA ALMEIDA
• MANUEL RIVAS
• JORDI DAUDER
• JUAN CARLOS MESTRE
• SUSO DEL TORO
• PILAR DEL RIO
• OLGA LUCAS
• JULIA SANJUÁN
• FANNY RUBIO
• FERNANDO DELGADO
• JOAN OLEZA
• RAMÓN IRIGOYEN
• LIDIA FALCÓN O’NEILL
• JUANA VÁZQUEZ
• MONCHO ALPUENTE
• LUIS PASTOR
• ELISA SERNA
• MIGUEL GARCÍA POSADA
• MARIA BARRANCO
• SANTIAGO DE CÓRDOBA
• MATÍAS ALONSO
• PILAR BARDEM

APOYA IGUALMENTE

 

Alguns informação recente sobre o assunto (em parte já referenciada neste blogue):
* Proceso exprés para suspender a Garzón
* La izquierda política y judicial se moviliza para apoyar a Garzón
* Ni leyes ni justicia (José Saramago)
* Justicia abierta al fascismo y cerrada a sus víctimas

Toda a informação em Asociación para la Recuperación de la Memoria Histórica

Acabámos de actualizar a Antologia deste blogue, que inclui uma selecção de posts publicados entre Junho de 2008 e Janeiro de 2010 – um modesto mas significativo repositório sobre a ditadura e a resistência em Portugal.

A seguir com muita atenção:

* Proceso exprés para suspender a Garzón
* Un grupo de intelectuales firma un manifiesto de apoyo a Garzón

Actualização (13/2):
* La izquierda política y judicial se moviliza para apoyar a Garzón
* Ni leyes ni justicia (José Saramago)

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