Ecos


«A mis hijos les gustaba escuchar el cuento de Gloria Fuertes El mundo al revés. Varios años después me vuelve a la memoria al observar la situación de nuestro país.

Hace ahora 73 años, Augusto Lao García fue arrancado de su vivienda y de su familia y fusilado cuando contaba con 32 años de edad. Su delito era haber trabajado desde que tenía uso de razón y tener un espíritu comprometido, cofundando un partido político. Jamás empuñó un arma. Ellos formaron parte de los cientos de miles de víctimas de un plan criminal para acabar con la República y con sus valores. Más de 70 años después, el juez Baltasar Garzón vive un calvario y podría sentarse en el banquillo por haber promovido la justicia que las víctimas del franquismo reclaman y que, durante tanto tiempo, nadie se atrevió a instruir. La acusación parte, ni más ni menos, que de la Falange Española y otros grupos nostálgicos del franquismo.

Tras 32 años de democracia, las calles de nuestros municipios siguen homenajeando, con su denominación, a miles de falangistas y militares rebeldes. En las cunetas de nuestros campos se amontonan miles de restos que no tienen derecho ni a una digna sepultura.

La sombra del franquismo está resultando demasiado larga y su propaganda aún produce efectos. Algo en este país no va bien y no es sólo su economía. Esta España nuestra sigue al revés.»

hier pour demain

É nome de loja em Paris, mas podia ser subtítulo deste blogue.

No jornal Público de ontem, 12/7/2009, três textos de São José Almeida, que podem ser lidos aqui.

«O Estado Novo dizia que não havia homossexuais, mas perseguia-os», «Amor numa cadeia da PIDE» e «Guerra Colonial – Sim, havia maior liberdade sexual, mas um oficial matou-se na parada»

As posições extremaram-se nos últimos dias, como se pode constatar neste artigo (que remete para vários outros textos):
Las víctimas denuncian la impunidad judicial del franquismo.

Saiu já o número 5/6 da revista Arquivos da Memória, subordinada ao tema «Antropologia, Arte e Imagem». A edição pode ser lida na íntegra aqui.

Edgar Rodrigues, militante anarquista e historiador do movimento operário, faleceu no passado dia 14 no Brasil, aonde se exilara em 1951. Uma nota sobre a sua vida e obra pode ser lida no Almanaque Republicano.

0231ruazecaNo próximo domingo, dia 10 de Maio, inaugura-se em Santiago de Compostela o «Parque José Afonso». A iniciativa partiu de um abaixo-assinado apoiado por três mil pessoas e encontrou acolhimento junto da Câmara de Santiago. José Afonso manteve contactos regulares com a Galiza até ao final da sua vida e foi nessa cidade, a 10 de Maio de 1972, que cantou pela primeira vez «Grândola, Vila Morena».

(Contributo de Luísa Tiago de Oliveira)

Há 72 anos, em 26 de Abril de 1937, foi destruída a cidade de Guernica.
Neste endereço, um site dedicado a Guernica.

(Contributo de Maria João M. Pires)

«O tempo e o modo de uma revolução na visão de dois fotojornalistas» – Alfredo Cunha e Eduardo Gageiro
Ver aqui.

(Via Jonasnut no Twitter)

Em Espanha, o júri dos prémios Ortega Y Gasset distinguiu um conjunto de jornalistas que contribuíram para o resgate da memória e a compreensão do passado. El País

O jornal Público noticia hoje a descoberta num armazém do Estado, em Queluz, de perto de uma centena de caixas com documentos oriundos da Presidência do Conselho de Ministros, referentes ao período entre 1938 e 1957. As pastas já foram transferidas para a Torre do Tombo e poderão ser consultadas em breve. Segundo Silvestre Lacerda, director do Instituto de Arquivos Nacionais/Torre do Tombo, a diversidade dos documentos agora encontrados poderá levar a que se venha «a confirmar ou a desmentir algumas coisas já publicadas».

Paulo Jacob e José Felício tiveram a feliz ideia de usar o twitter para contar a queda do Estado Novo e as movimentações do MFA entre 24 e 25 de Abril. A conta já pode ser seguida. Resta esperar pelo avanço das tropas.

Há 60 anos, em 25 de Março de 1949, Álvaro Cunhal, Militão Ribeiro e Sofia Ferreira foram presos no Luso. Num vídeo hoje publicado no Jornal de Notícias, Sofia Ferreira resume o momento dessa detenção que tantas repercussões teve na vida do Partido Comunista Português e da resistência antifascista em Portugal.

(Ler, neste blogue, um texto de Irene Pimentel sobre Sofia Ferreira, que também refere o acontecimento que hoje se assinala.)

Dia do Estudante

Durante a Guerra Civil, o regime franquista enviou milhares de telegramas ao embaixador espanhol em Londres, com o objectivo de justificar as suas actividades e evitar uma intervenção do governo inglês a favor da República. Reunidos em 25 volumes, esses documentos vieram agora para Madrid e foram incorporados no espólio do Centro de Documentación de la Memoria Histórica.

(Fonte)

Há memórias recentes que convém assinalar – neste caso, o segundo aniversário da vitória do SIM no referendo sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez.

As duas faces da guerra, documentário sobre a guerra da Guiné da autoria de Diana Andringa e Flora Gomes, na RTP1, 4ª feira, 14/1 e 5ª feira, 15/1, pelas 21:30.

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No centro de Granada, mantém-se um monumento a Primo de Rivera, que é uma das últimas estátuas do fascismo que continuam de pé na Europa. Uma nova campanha tenta agora que seja removida.

«Sobre un pedestal, cinco brazos atléticos saludan a la romana (el saludo fascista con el brazo en alto). Sobre ellos, unas alas que pretenden ser un águila mantienen el equilibrio.»

Artigo em El País.

Comemora-se hoje o 50º aniversário da revolução que foi considerada «a mais bela do século XX».

Infelizmente falhou e ainda hoje é para muitos doloroso reconhecê-lo – incluo-me nesse número e aconselho a leitura de um artigo publicado ontem no jornal El País: Cuba, la revolución perdida.

«La injusticia y la desigualdad seguirán dando lugar a revueltas sociales y a revoluciones. (…) No obstante, cabe exigir de los proyectos de transformación radical reconocer que la razón, insuficientemente aplicada, ha producido ya en los dos últimos siglos demasiados monstruos. Conviene recuperar el verdadero sentido del grabado de Goya: cuando la razón duerme, los monstruos se apoderan inevitablemente de la escena, o siguen gobernándola desde la irracionalidad.»

Alexandre Nevsky

O concurso sobre «o maior russo de sempre», organizado pela televisão estatal da Rússia, revela alguns pormenores nos quais vale a pena reparar. As personalidades mais votadas foram, em primeiro, Alexandre Nevsky (o príncipe de Novgorod que no século XIII dirigiu a resistência dos russos diante dos cavaleiros teutónicos, conseguindo conservar o predomínio da fé ortodoxa, teve 11,7% dos votos), em segundo Piotr Stolipin (primeiro-ministro da Rússia a partir de 1906, assassinado em 1911, responsável por reformas económicas que procuraram estimular o mercado rural e pelo acentuar da repressão sobre as forças políticas anti-czaristas, juntou 11,6% dos votantes), e em terceiro lugar, com 11,5%, José Estaline, que dispensa apresentações (e serviu de modelo ao Alexandre Nevsky filmado por Eisenstein). Lenine ficou-se pelo sexto lugar, logo após o poeta Pushkin e o czar Pedro I, o Grande, e antes mesmo de Dostoievski e do generalíssimo Suvorov. A primeira mulher a aparecer na lista – ou melhor, a única referendável – é, como seria de esperar, Catarina, a Grande.

Como já aqui escrevi quando do concurso que considerou António de Oliveira Salazar «o maior português de sempre», este tipo de certame é irrelevante enquanto «sondagem de opinião» e, a ter acontecido na Rússia algo de semelhante ao que ocorreu em Portugal – o que, admito, não posso agora provar -, a «eleição» poderá ter sido condicionada por um certo número de activistas que se desdobraram em iniciativas de apoio às diversas personalidades, perante uma larga maioria de cidadãos que olhava o episódio como mero divertimento. Não deixa, porém, de ser um sintoma sobre a existência de um caldo de cultura no qual a autoridade discricionária do Estado e o nacionalismo mais agressivo emergem com factores positivos, indicadores de uma «grandeza» que se acredita perdida mas regenerável (Medvedev e Putin não foram concorrentes, vale a pena lembrar). O episódio não terá a dimensão que os meios de comunicação, sempre desejosos de estrondo, sugerem, mas não deixa de ser um factor presente no terreno. Lá como cá, sempre um pouco preocupante.

Morreu, com 95 anos, Market Felt, o «Garganta Funda». Vale a pena recordar The Watergate Story  (no Washignton Post).

 
(*) Contributo de Maria João M. Pires

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  João Abel Manta

Vasco Pulido Valente, que tão bem conheceu António Alçada Baptista, publicou ontem uma crónica no jornal Público, cuja leitura aconselho.

Dois artigos sobre a Argentina que hoje comemora 25 anos de democracia:

«El complicado camino de la democracia argentina»

«Hallados huesos humanos calcinados en un centro de detención de la dictadura argentina»

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Foram necessários setenta anos para a Suíça reabilitar os 850 voluntários que participaram na Guerra Civil de Espanha e que foram presos quando regressaram ao seu país, por quebrarem a neutralidade helvética «ao serviço de Moscovo». Relato, na primeira pessoa, por um dos cinco sobreviventes.

Morreu no passado dia 2 de Dezembro aquela que ficou conhecida como «A voz do movimento dos direitos cívicos» nos EUA. O seu nome ficou para sempre ligado a «Oh, Freedom» que cantou em 3 de Agosto de 1963, na manifestação de Washington em que Luther King proferiu o seu célebre discurso «I have a dream».

Odetta Holmes teve uma grande influência, musical e ideológica, em cantores como Joan Baez e Bob Dylan e morreu sem assitir a um acontecimento com que tanto sonhara – a tomada de posse de Obama.

 
«Oh, Freedom» interpretado por Joan Baez.

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Acabou de sair o número 4 da revista Arquivos da Memória.

gazeta

A colecção completa da Gazeta da Semana está agora disponível na internet, no site do Centro de Documentação 25 de Abril de Coimbra – trinta e três números, de 1 de Abril de 1976 a 15 de Janeiro de 1977. Um instrumento precioso de consulta, que funciona também como uma homenagem à memória de João Martins Pereira.

Leitura recomendada: Cruzada contra o apagamento da memória – um artigo assinado por Maria José Oliveira, no suplemento P2 do jornal Público de hoje.

Radiovisão da retirada das Brigadas Internacionais da Guerra Civil de Espanha há 60 anos.
«Em sintonia com António Cartaxo»
Programa da Antena 2 emitido em 28/10/2008 (53m 46s’)

Ouvi e recomendo.

Passaram ontem 100 anos sobre a data de nascimento de Francisco Paula de Oliveira, «Pável», que foi um importante dirigente do PCP. Este blogue associar-se-á a uma comemoração prevista para breve, publicando textos relacionados com a mesma.

Memória Histórica em Espanha:

«Las 630 fosas de la represión franquista localizadas hasta ahora en Andalucía serán declaradas bienes de interés cultural – patrimonio histórico – a partir del año que viene. Quedarán blindadas y gozarán de un grado de protección similar al de cualquier monumento. Nadie podrá dañarlas ni, por supuesto, construir encima, salvo que quiera enfrentarse a una condena de hasta tres años de cárcel o una multa de entre 100.000 y un millón de euros.»

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