A Fundação PLMJ apresenta a exposição «Néquim», de Nuno de Campos, que inaugura no dia 7 de Outubro, às 18H30. Patente até 22 de Novembro, de 5ª feira a Sábado, entre as15H00 e as 19H00, no Espaço Fundação PLMJ.
 
Lisboa, 8 de Setembro – A Fundação PLMJ anuncia a inauguração de «Néquim», de Nuno de Campos, a decorrer no dia 7 de Outubro, às 18H30, no Espaço da Fundação PLMJ, em Lisboa. Esta exposição inicia a programação do Espaço da Fundação PLMJ destinada a projectos inéditos de artistas portugueses, produzidos pela Fundação PLMJ sob comissariado de Miguel Amado. A prática de Nuno de Campos, residente em Nova Iorque, ainda é pouco conhecida em Portugal. Assim, esta exposição, a segunda individual que o artista realiza no nosso país, constitui uma oportunidade para um novo contacto com a sua actividade. Acompanha a exposição um catálogo que incluiu uma introdução do comissário e reproduções das obras expostas e de vários documentos.
 
Esta exposição baseia-se na vida de Daniel de Sousa Teixeira, conhecido como «Néquim» entre os seus familiares e amigos próximos. Segundo a versão oficial do regime, Daniel de Sousa Teixeira faleceu no Hospital de São José, vítima de um ataque de asma brônquica, na manhã de 24 de Outubro de 1968. A PIDE prendera-o dois meses antes, na sequência do seu envolvimento na malograda operação armada da organização revolucionária LUAR que visava a tomada temporária da cidade da Covilhã. Na Prisão de Caxias, Daniel de Sousa Teixeira correspondeu-se com a família, relatando o quotidiano e reflectindo acerca da sua existência. Embora consciente do escrutínio da censura, nestas missivas abordou, por exemplo, a formação católica obtida e a vocação para o sacerdócio, a partida de Portugal para a Bélgica, no sentido de estudar Psicologia em Lovaina, a iniciação na LUAR e, nas entrelinhas, a condição de preso político aos 22 anos.
 
O projecto desenvolvido consiste numa série de desenhos inspirados em frases seleccionadas daquelas cartas. A cada imagem corresponde uma proposição que, por sua vez, traduz um pensamento. Por exemplo, uma vista de Trás-os-Montes, onde a Polícia deteve Daniel de Sousa Teixeira, legenda-se com «Na LUAR, não tive tempo para sequer pensar», demonstrando, assim, as dúvidas que assolaram o seu espírito. Este corpo de trabalho exprime os paradoxos da biografia de Daniel de Sousa Teixeira, dividido entre o sentido de patriotismo e responsabilidade individual herdado da sua educação e o idealismo abraçado no estrangeiro. Porém, enuncia igualmente as contradições de uma época especial de Portugal e da Europa, balizada entre os ventos de utopia que sopravam da França do Maio de ’68 e a expectativa de renovação do Estado Novo, sob os auspícios de Marcello Caetano, mais tarde defraudada. Ao cruzar-se memória com factos e ao articular-se experiência pessoal com narrativa histórica, propõe-se uma original leitura do Portugal de finais da década de 1960 à luz dos nossos dias.

 
Nota aos editores
 
Para além da exposição, o projecto «Néquim» contempla um sítio na Internet que reúne documentação vária acerca de Daniel de Sousa Teixeira e de diversos personagens e episódios associados ao seu encarceramento e morte.
 
Nuno de Campos (Porto, 1969) estudou Pintura na Universidade do Porto em inícios da década de 1990 e, em 1999, concluiu o mestrado em Artes Plásticas na Tufts University/School of the Museum of Fine Arts, em Boston, MA. Actualmente, vive e trabalha em Nova Iorque. Realizou exposições individuais na Clifford-Smith Gallery, em Boston, MA (2001 e 2003), na LFL Gallery, em Nova Iorque (2003) e na La Montagne Gallery, em Boston, MA (2008). Participou, ainda, em múltiplas exposições colectivas, tais como «Realistic Means», no The Drawing Center, em Nova Iorque (2002), e «Extended Painting», integrada na 2ª Bienal de Praga (2005). Expôs, pela primeira vez, em Portugal, em 2005, apresentando o projecto «Bichos nossos, nossos bichos» no Espaço AC, em Lisboa. Desde então, fruto de um crescente reconhecimento do seu trabalho no nosso país, participou em exposições colectivas como «Desenhar discurso: digressões sobre uma urbanidade disruptiva», integrada na 13ª Bienal de Cerveira (2005), e «Lá fora», na Fundação EDP, em Lisboa (2008). «Néquim», promovida pela Fundação PLMJ, é a sua segunda exposição individual em Portugal.
 
A Fundação PLMJ, instituída pela sociedade de advogados PLMJ – A.M. Pereira, Sáragga Leal, Oliveira Martins, Júdice e Associados, em Lisboa, desenvolve uma colecção de arte portuguesa contemporânea e promove exposições, livros e outros projectos. A Fundação PLMJ inaugurou, em Maio de 2008, o seu próprio espaço expositivo, no qual implementa um programa de exposições baseadas no seu acervo ou em projectos inéditos de artistas convidados.
 
Para mais informações e imagens, contactar Ana Cristina Ramos através do e-mail geral@fundacao-plmj.com, Telemóvel 969698521 ou do tel. 210964103.

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