Estamos aqui em grupo, na vossa presença a fim de comunicar uma decisão e pôr um problema a toda a Comunidade.

A proximidade do dia da Paz, que celebraremos depois de amanhã, torna ainda mais agudo aquilo que para nós é uma questão de todos os dias – a questão da Paz . Para este ano o Papa diz-nos que a Paz é possível, mais ainda, ela é obrigatória: ao ouvirmos esta palavra não podemos deixar de pensar porque é que, entre nós, desde 1961 para cá, a paz não tem sido possível. 

Estamos conscientes de que a guerra de África é o ponto crucial da situação que vivemos. É um problema que temos muito a peito, que nos toca muito de perto e que constitui um drama permanente para nós, como membros de uma sociedade e como cristãos de uma Igreja. 

Se sofremos com a apatia da Igreja a esse respeito, pesa-nos sobretudo o problema que a guerra representa para os povos de Angola, Guiné, Moçambique, bem como para o povo português. Queremos acreditar que também para esses povos, a paz é possível. Propomo-nos contribuir para que essa paz seja uma realidade. É nossa intenção dar passos firmes no sentido de uma procura da Paz. 

Esse esforço só poderá ser fecundo se for colectivo, se nascer da discussão livre, se romper o silêncio que tem pesado sobre esta questão. Em ordem a isso, tomamos uma decisão da qual só nós somos responsáveis – vimos permanecer aqui durante dois dias (a partir de agora até à tarde de 1 de Janeiro), a fim de provocar um ambiente de liberdade onde todos os que quiserem – cristãos ou não cristãos – possam debater estes problemas. 

E para manifestar até que ponto isto é importante para nós, bem como para expressar a nossa solidariedade para com as vítimas da guerra, não tomaremos durante estes dois dias qualquer alimento. Daremos um sinal visível da nossa determinação. 

Esperamos sinceramente que esta Comunidade acolha o nosso gesto e a nossa iniciativa, abrindo as suas portas em permanência a todos aqueles que queiram participar nesta procura comum. 

Convidamos expressamente  todas as pessoas que estejam presentes em assembleia partilhando connosco este tempo intenso de reflexão sobre os problemas postos pela guerra de África à nossa consciência, e mesmo associando-se ao gesto de não tomar alimento durante este tempo. Pedimos que avisem o maior número possível de pessoas para que façam outro tanto. Mas, finalmente, o importante é que todos possam contribuir para a construção da Paz.