Abre-se à política ainda no Liceu Passos Manuel, em Lisboa, onde por isso é perseguido pelo Reitor e pelo padre professor de Moral que o denuncia como de perigosas leituras na Biblioteca do Liceu (andava a ler “O Drama de João Barois”, de Roger Martin du Gard) e o proibem de ali voltar a entrar!

Adere ao MUDJuvenil em Almada. Durante o seu Curso de Histórico-Filosóficas (Faculdade de Letras de Lisboa), intensifica a sua militância nesse Movimento, ocupando sucessivamente várias responsabilidades: Comissão Concelhia de Almada, Comissão Distrital de Setúbal, Comissão Central e, funcionário e, como tal, “controleiro” das comissões do Mud Juvenil dos distritos de Setúbal, Évora, Beja e Faro.

Adere ao Partido Comunista Português em 1947.

Preso por três vezes sem culpa formada, é levado a tribunal (o Plenário da PIDE) sob a acusação de ser membro do PCP, mas é absolvido por falta de provas. O facínora presidente dessa farsa de tribunal, afirma publicamente: desta vez vai em liberdade mas se cá voltar, com provas ou sem provas, fica!”

É aí que logo se prepara para passar à clandestinidade, o que acontece em 1954. São 15 anos seguidos como funcionário, depois como suplente do Comité Central (cooptado) e, por fim, em Congresso, eleito membro do C.C. No seu trabalho no interior do país, teve sempre a respnsabilidade dos sectores juvenil, intelectual e do movimento da paz. No exterior do país representou o PCP nas Conferências internacionais dos Partidos Comunistas e em alguns Congressos dos Partidos Francês, Italiano, Checoslovaco, da RDA.

Pede a sua saída do CC e do quadro de funcionários do PCP em 1969, essencialmente por razões da sua vida pessoal e familiar e exila-se em Paris, onde vivia já (depois de seis anos de clandestinidade em Portugal) a sua esposa, a qual volta ao país clandestinamente para levar para França a sua filha (que nascera na clandestinidade e fôra colocada em casa dos pais de A.C. aos cinco para poder viver em liberdade e ir à escola).

Consegue emprego na Alliance Française como expedidor de livros para o estrangeiro e, depois, no Comité de Empresa das Fábricas Renault, em Boulogn-Billancourt, primeiro como manitencionário, depois como animador sociocultural com a missão de ajudar à plena integração na classe operária francesa dos cerca de 20 000 trabalhadores estrangeiros que ali trabalhavam.

Pela sua acção nessas fábricas e também na CGT e ainda nos clubes e associações de portugueses, acaba por ser dirigente nacional de organizações como a CGT, a URAP (União contra o racismo e pela amizade entre os povos), a Associação para a alfabetização e a formação profissional dos trabalhadores estrangeiros em França.

Sem qualquer estreita ligação ao PCP, segue na sua acção nas fábricas Renault e nas associações a orientação do PCF, que discute num grupo informal de portugueses trabalhando na Renault e noutro que reune de tempos a tempos na sede do PCF com um funcionário desse Partido, que mais não é que um ex-funcionário e dirigente do PCP, João Rodrigues.

Finalmente o PCP reorganiza-se na emigração em França e A.C. passa a ter reuniões numa célula que é acompanhada por um funcionário do PCP. Quando  o 25 de Abril acontece, toda a acção de A.C. é voltada completamente para os problemas da Revolução e do apoio a desenvolver para a consolidar. É um dos principoais organizadores de uma assembleia de associações e clubes de portugueses em França (várias dezenas presentes) que por aclamação decidem a CRIAÇÃO DA COMISSÃO CONSULTATIVA DOS TRABALHADORES PORTUGUESES IMIGRADOS EM FRANÇA e elegem A.C. seu Presidente. Passa a ser um autêntico embaixador desses emigrantes junto dos sucessivos Governos de Vasco Gonçalves, entregando, depois de um intenso trabalho de discussão e redacção, o CADERNO REIVINDICATIVO DA EMIGRAÇÃO PORTUGUESA (aprovado por unanimidade  em novo Encontro das Associações Portuguesas) ao Presidente Costa Gomes, na sua visita a França, recebido por uma enorme manifestação de rua.

É indicado por muitos militantes comunistas e por outros democratas para ser o candidato dos emigrantes da Europa nas eleições para a Assembleia Nacional Constituinte, pelo que a direcção do PCP o propõe como tal. Ainda faz campanha eleitoral na região parisiense mas dizem-lhe depois que uma lei saída entretanto só admitia que os candidatos residissem no Continente, pelo que foi à última da hora retirada a sua candidatura.

Só regressa a Portugal em 1978, como director da Revista da Federação Sindical Mundial, participando como tal em várias Conferências e Congressos Mundiais em Praga, Moscovo, La Havana, Berlim (RDA), etc. É igualmente colaborador da secção internacional e de emigração da CGTP.

É eleito pelo povo de Almada para a Assembleia Municipal. Mais tarde é eleito para a Assembleia de Freguesia de Laranjeiro, onde reside.

Após um período em que exerce as funções de Animador Sociocultural na FNAC – Fábrica Nacional de Ar Condicionado -, passa a Director da Escola de Formação Profissional de FNAC, até à falência desta empresa. Foi igualmente Director e responsavel pedagógico da Universidade Popular de Setúbal Bento de Jesus Caraça, de que foi fundador.

Foi professor na Escola Superior de Educação Jean Piaget de Almada (durante 18 anos), director da Associação de Ecologia Social e Urbana “Casa Humana”, formador na área da Poesia de crianças e jovens com vista à constituição de um Cancioneiro Infanto-juvenil, intervém com comunicações em diversos Congressos  Internacionais promovidos pelo Instituto Piaget (sobre Literatura, Filosofia, Ecologia, Matemática, Reconalização, Direitos Humanos, etc.), algumas delas publicadas na obra “Caixa de Ressonância”.

Eleito (em geral para presidente da Mesa da Assembleia Geral) para os Corpos Sociais de várias colectividades do Concelho (entre outras: Incrível Almadense, S.F. União Artística Piedense, Clube de Instrução e Recreio do Laranjeiro, Clube de Campismo do Concelho de Almada, de que foi fundador, Associação Cultural Manuel da Fonseca, de que foi fundador,etc.). Foi membro activo do Conselho Geral da Federação das Colectividades de Cultura e Recreio, tendo sido um dos organizadores dos seus dois últimos Congressos, nos quais se preparou a constituição de uma Confederação das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto. Medalha de ouro de Dedicação e Mérito da Federação.

Pelo caminho (depois da Revolução de Abril), foi escrevendo em jornais e revistas, colaborando em emissões de rádio, e escreveu algumas obras de ensaios (entre os quais a sua tese de história «Uma experiência comunista – Paraguai, século XVIII»,  de contos, de poesia, de teatro, de crónicas e um romance (o muito badalado mas pouco distribuido “Outrar-se”).

É Comendador da Ordem da Liberdade, atribuida pelo presidente Jorge Sampaio (a solicitação das autarquias e povo de Almada) clandestinamente, ou seja: sem qualquer divulgação, nem mesmo junto do agraciado!

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