
Em qualquer outro, quem não se sentiria honrado de viver numa rua histórica, uma rua em que, nesse “dia inicial, inteiro e limpo” de que falava Sophia (*), houve pessoas que deram a vida, pessoas que foram feridas, para exigir o fim da polícia política?
Quem não gostaria de ter, na sua rua, uma placa que dissesse o nome desses lutadores pela Liberdade, que lembrasse que ali – tão perto e tão longe da polícia política portuguesa, na Embaixada do Brasil – esteve asilado o General Sem Medo que se propunha, se eleito Presidene da República, demitir Oliveira Salazar? Quem não se bateria por as ter, bem à vista, no local que habita?
Em Portugal, no entanto, essas memórias, longe de orgulharem, envergonham. Jovens mortos pela Liberdade, militares refugiados para continuarem a luta contra o poder autoritário, em vez de inspirarem, incomodam. E vá de, sornesmente, escamoteá-los, evitando ou escondendo as placas que os recordam. Sem perceber que, ao fazê-lo, escolhem para a sua publicidade o campo pouco glamouroso dos vencidos.
Um cínico diria: “O problema já não é político, mas de marketing!”
Alguém poderia tentar explicar isso à imobiliária?
(*) «Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitámos a substância do tempo.»
Domingo, 21.Fev.2010 at 02:02:35
Descobri hoje o Blog “Caminhos da Memória”.
Muito bom.
Muitas felicidades e parabéns pela iniciativa.
Domingo, 21.Fev.2010 at 07:02:59
talvez uma fotografia do pano com os nomes dos camaradas anti-fascistas que lá foram mortos
lhes deem bons sonhos
a ser posto no predio em frente
Domingo, 21.Fev.2010 at 10:02:26
Diana:
Duas coisinhas:
1º – Gostei muito deste texto – uma ideia óbvia, se vivessemos num país em que os condomínios de luxo eram pertença de “glamourosos” e não de pirosos (sejam eles construtores corruptos, traficantes, etc., etc).
Como sempre, muito bem escrito, claro.
2º – Um anúncio/quadra a lembrar tempos de outrora:
Com 4 letras apenas
Se escreve a palavra PIDE
É das palavras pequenas
Que não se apagam com TIDE!
Um abraço
Helena Pato