Esta carta foi hoje enviada ao presidente da CML, António Costa, a cada um dos vereadores – Helena Roseta, Manuel Salgado, José Sá Fernandes, Catarina Vaz Pinto, Manuel Brito, Fernando Nunes da Silva, Maria João de Azevedo Mendes, Graça Fonseca, Pedro Santana Lopes, João Navega, Lívia Tirone, Gonçalo Reis, Dina Vieira, Victor Gonçalves, António Carlos Monteiro e  Ruben de Carvalho – e à presidente da Assembleia Municipal, Simonetta Luz Afonso.

   
Exmº  Senhor
Presidente da Câmara Municipal de Lisboa

Dr. António Costa:
Como é  certamente de seu conhecimento, a placa que recordava os quatro jovens ali assassinados no dia 25 de Abril de 1974, afixada por um grupo de cidadãos na ex-sede da PIDE/DGS, na R. António Maria Cardoso, foi retirada no início das obras visando a transformação da sede da antiga polícia política em condomínio de luxo.

Recentemente, e após alguns protestos – entre os quais o da Associação – Movimento Cívico Não Apaguem a Memória! – veio a ser colocada em local envergonhado e de pouca visibilidade, no que consideramos um profundo desrespeito pela memória dessas vítimas, pela vontade dos cidadãos que ali a tinham colocado e pelo povo de Lisboa e seus representantes, que ali a tinham preservado.

Em outros países, honra-se a memória dos que lutaram pela Liberdade, os seus nomes tornam-se nomes de ruas, antigas prisões e sedes das polícias políticas são mantidas como Museus. Choca-nos ver que em Portugal, pelo contrário – e com a prometida excepção da cadeia do Aljube, prevista para albergar o futuro Museu da Resistência – se permite que essa memória seja assim desrespeitada.

Dir-se-á  que exigir o regresso da placa ao seu local de origem é prender-se demasiado a um símbolo. Mas, sobretudo neste ano em que se comemora o Centenário da proclamação da República, vale a pena lembrar a importância de um outro símbolo na manutenção da memória dos heróis dessa República tão vilipendiada pelo Estado Novo, a estátua a António José de Almeida junto à qual os antifascistas se manifestavam, enfrentando a repressão, em cada 5 de Outubro.

Por isso, vimos solicitar a sua intervenção para que a placa com os nomes de Fernando Gesteira, José Barrento, Fernando Barreiros dos Reis e José Guilherme Arruda volte ao lugar de onde foi retirada, permitindo aos que ali passam recordar não apenas esses mortos pela Liberdade no dia 25 de Abril de 1974, mas também todos aqueles que, no mesmo local e ao longo de anos, enfrentaram a prisão e a tortura, armados apenas pela força das suas convicções.

Melhores cumprimentos.

Pel’ A Direcção da Associação – Movimento Cívico Não Apaguem a Memória!
Lúcia Ezaguy Simões
Vice Presidente da Direcção