Continuamos a publicação de cópias que nos foram enviadas, de algumas mensagens endereçadas à GEF, empresa imobiliária responsável pelo prédio da R.António Maria Cardoso. Escreva também para gef[arroba]gef.pt e envie-nos cópia para o email deste blogue: caminhosdamemoria[arroba]gmail.com.

As atitudes da administração dessa empresa em todo o processo da placa evocativa da morte de cidadãos às mãos da PIDE/DGS revelam uma total falta de respeito e um humilhante desprezo não só por aqueles que foram assassinados na tarde de 25 de Abril, os únicos, aliás, como por todos os que passaram pelas salas de interrogatório da sede da PIDE. E não foram poucos os que por aí passaram, de intelectuais a camponeses, de operários a estudantes, homens e mulheres. Esse edifício tem uma longa e triste memória ao serviço da morte, da tortura e da humilhação daqueles que lutaram para que em Portugal houvesse um regime democrático. Mas nós, e digo nós porque fui dos que por aí passaram, apesar de conscientes de que desse regime viriam a beneficiar indivíduos como os que ocupam a administração dessa empresa, não desistimos dessa luta. Como não desistiremos de vos lembrar que nos mesmos locais que agora são salões, salas e quartos, se faziam interrogatórios onde se praticava a tortura do sono e da estátua. E não deixaremos que queiram agora apagar a memória desses dias, escamoteando a verdade sobre o antigo condomínio privado da PIDE, agora condomínio habitacional. Junto o meu protesto ao de todos os cidadãos que requerem dignidade para a placa evocativa dos acontecimentos do dia 25 de Abril.
Artur Pinto
ex-preso político