Continuamos a publicação de cópias que nos foram enviadas, de algumas mensagens endereçadas à GEF, empresa imobiliária responsável pelo prédio da R.António Maria Cardoso. Escreva também para gef[arroba]gef.pt e envie-nos cópia para o email deste blogue: caminhosdamemoria[arroba]gmail.com.

  
Exmos Senhores:

O regime democrático em que vivemos, se por um lado é campo de oportunidades para livre desenvolvimento de actividades lucrativas como a vossa, é também um quadro de valores de que ninguém está dispensado. A preservação da memória e da história que possibilitou esta mesma democracia é um deles e, seguramente, dos mais desprezados e negligenciados.
Não vamos exigir de uma empresa de construção que se substitua às entidades oficiais no cumprimento desse ‘dever de memória’, o que seria tão louvável e meritório quanto inédito! Mas podemos e devemos exigir, em nome da mais estrita ética democrática que a vossa empresa cumpra os mínimos, isto é, respeito por um compromisso: o da colocação de uma simples placa evocativa do último de uma negra lista de crimes da PIDE.
O vosso comportamento, contudo, denota um entendimento oportunista e hipócrita desse mesmo compromisso, o que só nos pode causar a mais viva revolta e indignação. Por isso me junto aos muitos cidadãos que exigem a recolocação da referida placa no local inicial.

Maria Manuela Cruzeiro

Investigadora do Centro de Documentação 25 de Abril e do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra

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