É esta fotografia de Maria de Lurdes Pintasilgo que me atrai, que me “empurra” para um modestíssimo comentário acerca da mulher que admirei desde os anos da sua juventude – impressionantemente fixada neste retrato. É que fui sua aluna, ainda ela andava no Técnico – teria vinte e poucos anos – mas dava aulas de “Formação feminina” no Liceu D. Felipa de Lencastre. E, bem me lembro de já nos transmitir os valores que, depois, sempre a vimos defender. Há gente que morre demasiado cedo!
Conhecia MLP desde esta idade. Uma jovem bonita inteligente, aberta e cosmopolita. Numa época cinzenta e paroquial, uma jovem assim, fazia-nos bem ouvir. Ela fora na década 50 nomeada, penso eu, Presidente da Jec internacional. E, quando integrada num grupo de universitárias me desloquei à estação de caminho de ferro que a levava para o estrangeiro cumprir essa função, o orgulho enchia o nosso coração, como se nós todas saíssemos daquele obscuro canto que era o nosso país, para a luz e nos tornássemos com ela cidadãs do mundo. Sempre pude acompanhar a sua presença e o seu trabalho e entusiasmo depois do 25 de Abril: Ministra da Saúde, 1ª Ministra num governo de 100 dias, alguns decretos desse tempo são ainda marcos históricos, etc. etc.
Mas foi com desgosto que vi a mesquinhês, direi também, o machismo provinciano dos liders da nossa sociedade quasea fazerem desaparecer do nosso horizonte cívico, contudo ela estava presente e era chamada nos mais importantes forums da cidadadania internacional. Teremos e de uma vez por todas de”psicanalizar” este complexo/trauma que nos leva à mesquinhês de apenas adular os que detêm poder, mesmo que este seja feito de vasio…intelectual e e de pobreza tecnicista. E qual a razão que nos leva a sub estimar respeitar,admirar aquelas raras personalidades dotadas de génio, que são a nossa grandeza e deviam ser o nosso orgulho?
Termino dizendo que poucas pessoas conheci(em Portugal e no estangeiro) da craveira intelectual de MLP.Era uma “personalidade feminina” no sentido profundo da palavra e não redutor e sexista. Assim usava mesmo nas circunstâncias mais profissionais, de uma abordagem empática e afável que lhe proporcionavam um acolhimento favorável, desde logo, ao assunto que estava a apresentar, características preciosas para a diplomacia. Tinha ainda uma cultura vasta,”interessante” e abrangente e um carácter de peculiar curiosidade e espanto pela novidade, dotada de imaginação e criatividade que lhe permitiam “conceber” programas no tecido político e social, completamente inovadores . Apresentava tudo isso com alegria e esperança, porque era uma “afectuosa” comunicadora.
É uma grata recordação ter tido a sorte de a ter conhecido e partilhado um pouco o seu caminho
Quinta-feira, 07.Jan.2010 at 04:01:44
É esta fotografia de Maria de Lurdes Pintasilgo que me atrai, que me “empurra” para um modestíssimo comentário acerca da mulher que admirei desde os anos da sua juventude – impressionantemente fixada neste retrato. É que fui sua aluna, ainda ela andava no Técnico – teria vinte e poucos anos – mas dava aulas de “Formação feminina” no Liceu D. Felipa de Lencastre. E, bem me lembro de já nos transmitir os valores que, depois, sempre a vimos defender. Há gente que morre demasiado cedo!
Domingo, 10.Jan.2010 at 09:01:23
Conhecia MLP desde esta idade. Uma jovem bonita inteligente, aberta e cosmopolita. Numa época cinzenta e paroquial, uma jovem assim, fazia-nos bem ouvir. Ela fora na década 50 nomeada, penso eu, Presidente da Jec internacional. E, quando integrada num grupo de universitárias me desloquei à estação de caminho de ferro que a levava para o estrangeiro cumprir essa função, o orgulho enchia o nosso coração, como se nós todas saíssemos daquele obscuro canto que era o nosso país, para a luz e nos tornássemos com ela cidadãs do mundo. Sempre pude acompanhar a sua presença e o seu trabalho e entusiasmo depois do 25 de Abril: Ministra da Saúde, 1ª Ministra num governo de 100 dias, alguns decretos desse tempo são ainda marcos históricos, etc. etc.
Mas foi com desgosto que vi a mesquinhês, direi também, o machismo provinciano dos liders da nossa sociedade quasea fazerem desaparecer do nosso horizonte cívico, contudo ela estava presente e era chamada nos mais importantes forums da cidadadania internacional. Teremos e de uma vez por todas de”psicanalizar” este complexo/trauma que nos leva à mesquinhês de apenas adular os que detêm poder, mesmo que este seja feito de vasio…intelectual e e de pobreza tecnicista. E qual a razão que nos leva a sub estimar respeitar,admirar aquelas raras personalidades dotadas de génio, que são a nossa grandeza e deviam ser o nosso orgulho?
Termino dizendo que poucas pessoas conheci(em Portugal e no estangeiro) da craveira intelectual de MLP.Era uma “personalidade feminina” no sentido profundo da palavra e não redutor e sexista. Assim usava mesmo nas circunstâncias mais profissionais, de uma abordagem empática e afável que lhe proporcionavam um acolhimento favorável, desde logo, ao assunto que estava a apresentar, características preciosas para a diplomacia. Tinha ainda uma cultura vasta,”interessante” e abrangente e um carácter de peculiar curiosidade e espanto pela novidade, dotada de imaginação e criatividade que lhe permitiam “conceber” programas no tecido político e social, completamente inovadores . Apresentava tudo isso com alegria e esperança, porque era uma “afectuosa” comunicadora.
É uma grata recordação ter tido a sorte de a ter conhecido e partilhado um pouco o seu caminho