Continuamos a publicação de cópias que nos foram enviadas, de algumas mensagens endereçadas à GEF, empresa imobiliária responsável pelo prédio da R.António Maria Cardoso. Escreva também para gef[arroba]gef.pt e envie-nos cópia para o email deste blogue: caminhosdamemoria[arroba]gmail.com.

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À Administração da GEF

Não me abono de outra condição, para além da de ter sido um dos dez milhões de portugueses a quem a ditadura salazarista pretendeu calar a vocação para a liberdade e a emancipação, para reclamar o direito à indignação e a concluir que:
a) – os que hoje temem confrontar-se com a memória daquilo que foi quase meio século de obscurantismo salazarista, são os herdeiros históricos dos que constituíram a sustentação social activa desse tempo de ignomínia;
b) – como inimigo de hoje, não me merecem outro respeito para além daquele que é devido ao inimigo;
c) – por mais placas que ocultem, jamais serão capazes, como não o foram os seus ascendentes, de tapar a placa que nasce todos os dias na consciência de cada homem, como sinal da sua vocação para a liberdade, e de tudo aquilo que o conceito, no seu sentido mais terreno, também encerra: direito e obrigação de participar na actividade do colectivo humano através do instrumento de que se encontra dotado – a capacidade de trabalho – e a usufruir dos bens, para o corpo e para o espírito, em condições de igualdade com os demais, que a sua actividade produz.
nelson anjos

 
Exmos, Senhores,

É profundamente lamentável a ocultação da placa da PIDE/DGS na Rua António Maria Cardoso. Por um lado, denota a insensibilidade cultural do tecido empresarial e, por outro, desrespeita a memória dos portugueses e a sua História. Se o argumento economicista-comercial é o do receio que a referência afaste compradores ou inquilinos, então é ainda mais triste este atentado contra o património etnológico português, reflexo de um provincianismo serôdio da nossa cultura empresarial que persiste em resistir à elevação e insiste numa tradicional postura de ocultação, símbolo do medo que não queremos esquecer, enquanto povo, pela manipulação cruel que dele se fez no passado e que recusamos reeditar. Não se pode ocultar a História nem a verdade senão para efeitos imediatos de rentabilização de uma reserva mental que elimina a cultura a troco de um lucro que também a História dará a conhecer.
Esperamos, apesar deste infeliz episódio, que vença a elevação de uma cultura empresarial que o Centro Histórico de Lisboa merece e que a sociedade portuguesa justifica. Devolvam à cidade a sua memória e recoloquem dignamente na Rua António Maria Cardoso o testemunho de reconhecimento nacional por um sofrimento que não queremos, nunca mais!, ver repetido!
Com os melhores cumprimentos,
Ana Paula Fitas

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