Um texto de Jorge Martins (*)

 
A placa voltou à fachada da ex-sede da PIDE/DGS e não voltou! Na verdade, se olharmos com alguma atenção (ver fotos), reparamos que há detalhes que estarão na origem deste gesto da imobiliária. Quer dizer, decidiu devolver a placa ao edifício, mas não foi ingénua a sua localização. Assim, tentou evitar um mal maior para o condomínio (que não está descartado) e colocou a placa de forma invisível e inócua.

Esclarecendo: a placa foi estrategicamente colocada num local onde não se vê, longe da porta principal. Vêem-se na foto os botões de chamada dos residentes, mesmo ao lado da coluna onde estava originalmente a placa. Sendo colocada na coluna ao lado, distante da porta principal (nº 20), procurou evitar-se o incómodo dos residentes e seus visitantes de depararem com a placa frente aos seus olhos. Já imaginaram o “incómodo” dos residentes que entrassem por aquela porta e tivessem que recordar que vão entrar naquele tenebroso local de outrora, sem duques nem princesas? Pois é isso mesmo que queremos: que quem lá venha a viver não esqueça o sítio onde vai dormir todas as noites!

Já aqui foi sublinhado que a placa está abaixo do nível dos olhos. Ninguém, que não lá vá com esse propósito expresso, descobrirá a placa. Ora, justamente, a placa está lá para quem não sabe que ali funcionou a sede da polícia política e não para agrado dos que já sabem. A placa precisa ser descoberta pelo vulgar turista, pelo descuidado transeunte, pelo cidadão interessado pela história do seu país. Onde está neste momento só a vê quem a quer ver!

Finalmente, um detalhe de importância maior. A placa foi restaurada, mas “esqueceram-se” de um pormenor decisivo: as letras não foram pintadas, pelo que se tornaram invisíveis. Só mesmo em cima da placa (com ela pela cintura, por isso de difícil leitura) é que se consegue ler a inscrição.

Tudo muito bem “resolvido” pela imobiliária, que, depois de se ter “esquecido” de a recolocar, a colocou de forma invisível. Em consequência, a placa, de facto, não está lá!

As fotos antigas mostram inequivocamente o local onde estava a placa quando a imobiliária a retirou. Há duas exigências a fazer à imobiliária: a sua restauração completa, pintando as letras para que sejam legíveis e a sua recolocação no seu devido lugar. Em último caso, se a imobiliária achar que não tem a obrigação de a repintar, não faltará certamente quem o queira fazer.

Infelizmente, a Câmara Municipal de Lisboa parece não se querer envolver no assunto. Faz mal! É em momentos como este que os poderes públicos devem dar a cara. É isso que esperamos dos políticos que elegemos. Já passou tempo suficiente para que a CML se pronunciasse sobre a questão. Depois de resolvida a questão, não nos serve para nada.

 

(*) Biografia de Jorge Martins

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