tuol seng camodja

Há mais do que um motivo para ser impossível esquecer o Cambodja, onde estive há cerca de seis meses: os magníficos templos de Angkor, a miséria extrema em que vive uma parte da população (*) e as pegadas deixadas pelos inqualificáveis crimes dos Khmers Vermelhos.

O texto de Rui Bebiano, aqui publicado ontem, fez-me «regressar» porque não há família no Cambodja que não tenha uma história semelhante à que é contada no livro que é referido. A do guia turístico que acompanhou o grupo em que integrava não era muito diferente (tinha 13 anos em 1975), o que é inevitável num país que perdeu 20 a 25% da população (cerca de dois milhões de pessoas, embora não haja números exactos), em apenas quatro anos – enquanto nós por cá vivíamos o PREC e os anos que se seguiram, ou seja há relativamente pouco tempo.

Uma das consequências absolutamente impressionante e visível, mesmo para o turista desprevenido, é que o Cambodja é hoje um país quase sem velhos: a grande maioria dos que teriam actualmente cerca de 60 anos, ou mais, desapareceu – pura e simplesmente.

Mas o que nunca sairá da memória de quem por lá passou é a «fotografia» de um dos mais célebres killing fields, situado nos arredores de Phnom Pehn, onde se encontra o Museu do Genocídio de Tuol Sleng. Numa antiga escola transformada em prisão e nos terrenos que a rodeiam, terão sido torturadas e assassinadas cerca de 10.000 pessoas – homens, mulheres e muitas crianças –, como testemunham largas centenas de fotografias expostas em grandes painéis. É um museu muito simples, impressionante pobre, mas terrível.

Há muita literatura sobre este período negro de uma parte importante do sudoeste asiático, há um grande filme (The Killing Fields, Terra Sangrenta, em português) e muitos pequenos vídeos como este, precisamente sobre o museu de Tuol Sleng.

 

 
(*) Escrevi, in loco, um pequeno texto sobre as terríveis condições em que vivem muitos cambojanos.

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