eleicoes-1969

«As eleições de 1969 e as Oposições, 40 Anos depois», no dia 31 de Outubro, numa organização do Instituto de História Contemporânea. Programa detalhado aqui.

«O quadro em que se realizaram as eleições de Outubro de 1969 colocou no centro de debate entre as oposições a questão do fim do regime e da transição. A abertura liberalizante por parte de Marcello Caetano não deixava ninguém indiferente, por mais que formalmente todos o negassem. Apesar de tudo, começava a construir-se um caminho que parecia apontar para uma participação eleitoral unida de comunistas e socialistas, que se consubstanciava na plataforma de S. Pedro de Muel. Todavia nunca deixara de borbulhar uma tensão surda pela hegemonia. CDE e CEUD serão a expressão legal para fins eleitorais dessa tensão que voltaria a dividir as oposições, ao mesmo tempo que outros sectores – católicos, monárquicos e radicais – ganhavam neste contexto alguma expressão. Apesar da velha querela entre ir ou não às urnas, as listas da oposição irão a votos com resultados bastante modestos num processo marcado mais uma vez pela manipulação, pela arbitrariedade e pela violência governamental. Nas eleições de 1969 com as oposições divididas e a repressão do governo esfumavam-se as ilusões numa via de transição gradualista, mas, ainda assim, germinava um novo modelo de organização oposicionista, configurando uma viragem significativa nos seus modos de operar na legalidade.»

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