5-Pai baboso-Ridiculos-19116-Zé-1911
    «Mãe» da Constituição, Os Ridículos, 1911                    Coveiro da Monarquia, O Zé, 1911

 
7-Zé-19128-Perus-O Zé-1912
   «Peixeira» no parlamento, O Zé, 1912                   «Peru» tocado pelo povo, O Zé, 1912

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Um texto de Jorge Martins (*)

 
O cidadão Freire

A família Braamcamp é originária da Holanda. Anselmo Braamcamp Freire era filho do primeiro barão de Almeirim, Manuel Nunes Freire da Rocha e de Luísa Maria Joana Braamcamp, neta do primeiro barão do Sobral e irmã do conhecido Anselmo José Braamcamp (que emprestou o nome à rua Braamcamp em Lisboa), que combateu os Cabrais e chegou a ser presidente do Conselho de Ministros em 1878. Braamcamp Freire casou a sua prima, Maria Luísa da Cunha Meneses, neta do quarto conde de Lumiares. Embora beneficiasse deste envolvimento com famílias nobres, foi o seu irmão, Manuel Braamcamp Freire, quem herdou o título de segundo barão de Almeirim. No entanto, acabaria por ser nomeado Par do Reino em 1886.

Na sequência da ditadura de João Franco, instituída pelo rei D. Carlos, Braamcamp Freire anunciou, em 1907, a sua adesão ao Partido Republicano. A imprensa fez eco nacional do facto, considerado notável, atendendo à pessoa em questão. Em carta publicada em 19 de Novembro desse ano no jornal republicano O Mundo, justificou a sua atitude:

«Do partido progressista me afasto, não à procura de honras nem proveitos, que nunca tive em mira e muito menos agora poderia ter, mas simplesmente obedecendo, ou melhor, cedendo às aspirações democráticas que a educação e o exemplo recebidos dos meus lançaram no meu espírito, onde foram germinando, até que, neste período de revolução absolutista, desabrocharam de todo. Súbdito em monarquia constitucional, poderia continuar a ser, vassalo de rei absoluto, não.»

Esta decisão corajosa de quem não tinha nada a ganhar aos 58 anos de idade, nunca seria perdoada pelo seu círculo de amigos monárquicos, que o alcunhariam de «cidadão Freire», epíteto que, apesar de proferido por despeito, só prestigiaria ainda mais, na melhor tradição liberal, quem decidira colocar o seu bom nome ao serviço de uma nobre causa. Foi exactamente esse o tratamento que mereceu na acta da primeira sessão ordinária da Câmara Municipal de Lisboa a que presidiu: «Presidência do cidadão Anselmo Braamcamp Freire».

 
(Continua)

(*) Biografia de Jorge Martins

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