Foto «oficial», A Ilustração Portuguesa, 1911Caricatura, A Garra, 1911
   Foto «oficial», A Ilustr.Portuguesa, 1911   Caricatura, A Garra, 1911

Discursando no Parlamento, Ilustração Portuguesa, 1911                         Dirigindo a CML, O Zé, 1911
   No Parlamento, Ilustr. Portuguesa, 1911              Dirigindo a CML, O Zé, 1911

 
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Um texto de Jorge Martins (*)

Braamcamp Freire passou – como acontece recorrentemente em Portugal – de bestial a besta no espaço de dois anos. Com efeito, em 1911, data da publicação do seu retrato oficial pela Ilustração Portuguesa e o ano em que exerceu os cargos de presidente da Câmara Municipal de Lisboa, da Assembleia Nacional Constituinte e do Senado e chegou a estar bem posicionado para ser o primeiro presidente eleito da novel República, o «cidadão Freire» foi elogiado pela generalidade da imprensa, sobretudo por ter tido a coragem de aderir ao PRP numa altura em que nada tinha a ganhar. Com a invasão dos «adesivos» – como eram chamados os monárquicos transmutados em republicanos logo a seguir à proclamação da República –, Braamcamp Freire perdeu o estado de graça que granjeara na CML entre 1908 e 1910.

A série de caricaturas que ora se publica é um bom testemunho dessa transformação, designadamente por parte da imprensa mais corrosiva da época, de que são bons exemplos o «Zé» à esquerda do regime e o «Thalassa» à direita. De pai da Constituição, coveiro da Monarquia, justiceiro e árbitro de disputas políticas, passa a papagaio, demissionário, preguiçoso, peru, lebre em fuga do poder de Afonso Costa e ambicioso político. Resta o título póstumo do Diário de Lisboa, que adoptámos nesta série de artigos: «O fidalgo da República».

(Continua)  

(*) Biografia de Jorge Martins

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