
Há trinta e cinco anos, o país estava agitadíssimo. Desde as primeiras horas da manhã, dezenas de grupos de militantes paravam e revistavam carros de quem, hipoteticamente, se dirigia a Lisboa para a chamada Manifestação da Maioria Silenciosa – uma iniciativa de apoio ao general Spínola, convocada dias antes por cartazes que invadiram a cidade.
Os sinais públicos de ruptura crescente entre o presidente da República e o governo de Vasco Gonçalves e o MFA tinham sido mais do que evidentes, dois dias antes, durante uma tourada organizada pela Liga dos Combatentes no Campo Pequeno, durante a qual Spínola foi aplaudido e Vasco Gonçalves apupado.
A Manifestação do dia 28 não chegou a realizar-se porque o COPCON prendeu na véspera cerca de setenta pessoas suspeitas de estarem ligadas à iniciativa e pelas actividades populares acima referidas. E Spínola acabou por pedir a demissão em 30 de Setembro, tendo sido substituído na presidência da República por Costa Gomes.
Num vídeo da RTP (minutos 33:29 a 44:06), que aconselho vivamente, percebe-se bem o contexto e vêm-se – ou revêem-se – todos os acontecimentos acima referidos.
P.S. – Uma nota de carácter pessoal. Quando, na tarde de 28 de Setembro, tentava entrar em Lisboa, fui parada algures na avenida da Índia por uma das tais barricadas. Mas escapei à inspecção minuciosa do meu carro porque alguém do grupo me reconheceu – obrigada, Helena Pato…
Terça-feira, 29.Set.2009 at 01:09:10
“A reacção não passará!” – gritávamos, inflamados e com toda a razão. Bem me lembro desse dia e de estar nas “barreiras”, numa “tarefa” para a qual não era muito talhada, mas…a Revolução e o sindicato dos professores assim me destinaram. Queres crer que não tenho ideia desse nosso encontro? Lembro-me, isso sim, de uns fulanos que levavam muitas, mas muitas, espingardas de caça, e eu tremia mais do que eles quando chamei os tropas… As coisas que nós vivemos! Somos, de facto, uma geração de sortudos pela rara experiência de vida.(Digo isto agora, que o fascismo já lá vai, e porque já não é suposto eu continuar imperturbável na postura do “politicamente correcto” – Uff!)
Segunda-feira, 16.Nov.2009 at 09:11:35
Li algures que algumas unidades militares sairam para a Rua em Lisboa, para proteger postos chave.
Será que alguém tem mais informações!