Gregorio Peces Barba

O jornal Público.es de hoje publica uma entrevista com Gregorio Peces-Barba, em que este se pronuncia sobre questões relacionadas com direitos humanos e posições da Igreja.

Político e jurista espanhol, um dos «pais» da actual constituição espanhola de 1978, preso pelo regime franquista, ligado a actividades de vários partidos, ficou conhecido em Portugal, antes de mais, como fundador e grande impulsionador dos «Cuadernos para el Diálogo» (1963).

Muitos leitores deste blogue se recordarão do apoio que os «Cuadernos» deram à resistência dos católicos portugueses antes do 25 de Abril – contacto obrigatório em idas propositadas a Madrid para actividades clandestinas, vindas de Pece Barbas a Lisboa em tentativas de tirar partido das ilusórias aberturas marcelistas.

Um exemplo:
Em Maio de 1969, o Centro Nacional de Cultura organizou um colóquio luso-espanhol intitulado «Imprensa?». No primeiro dia, o assunto foi «Lei de Imprensa» e os conferencistas Gregório Peces Barba, dos «Cuadernos para el diálogo», e José Maria Castelet, crítico literário de Barcelona. No segundo, foi abordada a «Situação actual e função da Imprensa em Espanha e Portugal» por Pedro Altares, também dos «Cuadernos para el diálogo», Domingos Jorge de Almeida Fernandes, Francisco Pinto Balsemão, João Gomes e José Tengarrinha.

Este evento provocou reacções da polícia política espanhola junto da sua congénere portuguesa e esta relatou que: «(…) em Espanha, se vê com apreensão as autorizações que foram dadas a espanhóis de tendências comunistas para tomarem parte em conferências que o Centro Nacional de Cultura levou a efeito.». E ainda que : «(…) eram imprevisíveis as consequências que poderiam advir se se continuar a permitir que espanhóis de tendências comunistas discutam em Portugal, com portugueses de ideologia semelhante, assuntos internos de Espanha» (ANTT – PIDE/DGS, Processo CI(1), 4819.).

Como sempre, o papão do comunismo. Assim íamos, eles e nós – e é bom ver que ainda nem todos pararam.

Anúncios