invasão polónia  

Inicialmente anarquista, depois membro do Partido Republicano Evolucionista, mais tarde militante monárquico, Alfredo Pimenta manteve com Salazar uma extensa correspondência, recentemente publicada. 

São  de Salazar e Alfredo Pimenta, Correspondência 1931-1950, (Editorial Verbo, prefácio de Manuel Braga da Cruz), os três excertos que reproduzimos, relativos à posição portuguesa perante o conflito que acabava de eclodir:
 
 
«Casa da Madre de Deus – Guimarães, 3 de Setembro, Domingo 

Ex.mo Sr. Presidente do Conselho: – já ontem cumpri o meu dever de português, enviando a V.ª Ex.ª as minhas felicitações pela doutrina exposta na proclamação do Governo ao Pais. É aquela. Não podia ser outra, a menos que se esquecessem os altos interesses do País. Mas V.ª Ex.ª não pode ficar por aí.
Não sei o que pensa o Prof. Oliveira Salazar que nem sempre estará de acordo com o Chefe responsável do Governo, sobre o que se passa na Europa.
Por mim penso que voltamos ao equívoco, à comédia, à mistificação de 1914: interesses puramente materiais escondidos sob a máscara dos Princípios da Civilização, do Direito, da Lberdade, da Democracia, etc.
Não morro de amores pelo Chanceler alemão. A minha doutrina política é a garantia da minha antipatia.
Os povos não são deste ou daquele: são dos seus chefes naturais – os que os fizeram, os que herdaram destes a missão de os defender. Os Césares são soluções provisórias. Quando me aparecem com a pretensão de definitivas, considero-os perigosos para a Ordem social.
Mas se não morro de amores pelo Chanceler alemão, sinto uma repugnância fundamental e decidida pelas Democracias judaizantes, maçocizantes e comunizantes. De modo que nesta luta que se está a travar, receio mais as consequências da vitória das Democracias do que a do Cesarismo alemão.

(…)

De V.ª Ex.ª M.to At.º Ven.or Obrig. 

Alfredo Pimenta»
 
 
«10 de Setembro de 1939 

Ex.mo Senhor Dr.
(…)
Nas circunstâncias presentes, e encarado o aspecto das repercussões da guerra nos regimes políticos, há apenas, segundo creio, um perigo – o de se generalizar a guerra, pela perda da neutralidade da Itália e da Espanha, das democracias contra os fascismos. Enquanto assim não for, e quanto a nós, enquanto soubermos o que estamos a fazer, a força que temos e o que nos convém, nenhum perigo resultará duma vitória franco-inglesa sobre o Hitlerismo.
(…)
Com toda a consideração de V.ª Ex.ª

M.to At.º Ven.or e Obrig.

Oliveira Salazar»
 
 
«18 de Setembro de 1939

Ex.mo Senhor Dr.
(…)
No conflito em que somos e queremos ser neutrais, dadas as consequências do facto para toda a Europa e especialmente para nós, quem nos convém que vença? Apesar do receio que possa inspirar a vitória das democracias pela sua possível – não provável em todo o caso – repercussão nos regimes internos de vários países entre os quais nós estamos, sou levado a crer, por muitas razões impossíveis de resumir aqui e neste momento, que o nosso interesse será mais facilmente salvaguardado com o triunfo inglês, que com a sua derrota.
(…)
Mais uma vez muito grato pela atenção de V.ª Ex.ª Com toda a consideração.

de V.ª Ex.ª m.to at.º Vem.or  e obrig.
 
Oliveira Salazar»

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