
No passado dia 25 de Abril, foi celebrado um Protocolo entre os Ministérios das Finanças e da Justiça, pelo qual a Câmara Municipal de Lisboa assumiu a posse da antiga cadeia do Aljube, onde virá a ser sediado o futuro Museu Municipal dedicado à República, Resistência e Liberdade.
No mesmo dia, foi assinado um segundo Protocolo, desta vez entre o Município de Lisboa e o Associação Movimento Cívico Não Apaguem a Memória (NAM), cujo texto se divulga na íntegra e do qual se destaca:
«- Em concordância com esse empenho na salvaguarda da memória, nomeadamente através da dignificação daqueles locais cujos nomes foram sinónimos de opressão, de brutalidade e também de heróica resistência, a Câmara Municipal de Lisboa assumiu o compromisso de colaborar na produção de um Memorial às vítimas da ex – PIDE/DGS;
– Simultaneamente, o NAM, em parceria com o Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e do Arquivo e Biblioteca da Fundação Mário Soares, propõe a realização no espaço do Aljube, entre 25 de Abril de 2010 e 25 de Abril de 2011, da exposição “A Voz das Vítimas”, integrada nas Comemorações do Centenário da República;
– Competindo à Câmara Municipal de Lisboa fomentar e apoiar, pelos meios adequados, as actividades desenvolvidas no domínio social e cultural, a realização da exposição “A Voz das Vítimas” reveste-se de manifesto interesse municipal porquanto contribui de forma significativa para a reflexão e a divulgação dos valores da República, da memória da resistência à ditadura e da liberdade conquistada em 25 de Abril de 1974;»

Segunda-feira, 27.Abr.2009 at 01:04:42
Parabéns a toda a direcção do NAM pelo vosso trabalho que conduziu a estas óptimas notícias! E,agora,resta-nos esperar…( e fazer alguma coisa por isso!)que a Câmara esteja bem entregue em 2010.
Um grande abraço a todos
Segunda-feira, 27.Abr.2009 at 06:04:29
Imensos Parabéns pelo resultado obtido. Sem a menor restrição. Alegremente os dou a todos e a cada um de vós e me coloco, abusivamente, na posição de quem também os recebe.
Por curiosidade, lembrei-me que o MUDJ, em tempos muito recuados, talvez na campanha eleitoral de Ruy Luis Gomes e até tenho dúvidas se não seria antes (?),e enquanto se podia pensar que essa campanha existia ainda, isto é, por pouco tempo, teve uma pequena sede na rua Cecílio de Sousa (talvez apenas um quarto alugado). A dado momento, um grupo de ultras apareceu e agrediu o polícia que nos “guardava” na porta da rua. Protestámos contra a agressão ao agente. Não me lembro de que forma, mas quase que pela certa com um baixo assinado qualquer.
Claro que é uma curiosidade apenas. Lembrei-me por causa do itinerário. O local não tem qualquer dignidade política e é para esquecer. A curiosidade estaria na inversão: em vez de protestarmos porque a polícia nos agredia, protestámos porque agrediram a polícia.
A minha memória deste episódio é muito vaga. Que eu julgue vivos, um Alberto Pedroso, um Arnaldo Aboím (julgo que o Mário Soares já não) poderiam dizer alguma coisa a esse respeito. Assim a sua memória os ajudasse mais do que a minha me ajuda agora.
Segunda-feira, 27.Abr.2009 at 10:04:58
Caro José Eduardo Sousa.
Obrigado pelas suas palavras.
Tenho estado a trabalhar no grupo “Roteiros da Memória” do NAM e registei a rua que refere. Há que tentar saber qual era o prédio. Se conseguir, é óptimo. Entretanto, os roteiros em que estamos a trabalhar centram-se no eixo Aljube / Carmo, o que coloca, para já, de fora essa rua. Mas, temos uma colaboradora que nos tem colocado a hipótese de um roteiro na zona da Escola Politécnica, onde se situa a Rua Cecílio de Sousa.
A ideia é fazer vários roteiros em Lisboa e um levantamento de todos os locais possíveis que permitam preservar memórias da repressão, da resistência e do 25 de Abril.
Máos à obra!
Terça-feira, 28.Abr.2009 at 04:04:31
Caro Jorge Martins
Aqui vão dois links que darão alguns elementos dobre a sede na rua Cecílio de Sousa.
http://209.85.229.132/search?q=cache:zJ2HjsgIKngJ:www.pcp.pt/partido/anos/testemu/octpato.html+%22MUD+Juvenil%22+%22Cec%C3%ADlio+de+Sousa%22&cd=1&hl=pt-PT&ct=clnk&gl=fr
http://209.85.229.132/search?q=cache:QaFp9olvokcJ:ruyluisgomes.blogspot.com/2005/10/cronologia-das-eleies-de-1951.html+%22MUD+Juvenil%22+%22Cec%C3%ADlio+de+Sousa%22&cd=3&hl=pt-PT&ct=clnk&gl=fr
Como vê, há aqui a referência a uma outra sede, aberta mais tarde, na rua dos Anjos. Pelo que me lembro, esta sede foi investida pela Pide e, nessa ocasião a Isaura Silva foi identificada ou foi mesmo presa. A Isaura Silva é nome que ficou ligado à luta pela casamento das enfermeiras. Esta história do casamento/não casamento merece bem ser lembrada, pois me parece que é das que mostra melhor a natureza daquela coisa bolorenta do Salazarismo. Eu próprio casei com uma enfermeira, quando tal não era permitido e, pelo que me lembro, tivemos cuidado junto do conservador. Como a minha mulher trabalhava no novíssimo Santa Maria, o menos conventual de todos os hospitais da época, aquela gente andava um tanto distraída e a vida foi correndo.
A ideia da sua colega de prestar atenção aquela zona da Escola Politécnica é excelente. Poderia pensar, mais interessantes ou menos, noutras zonas que, contudo, talvez não cheguem para preencher um percurso. Talvez seja uma ideia que a Helena Pato poderia ter tido, a da zona do Técnico. A Associação Estudantil da Politécnica/Faculdade de Ciências (não sei bem o nome que tinha), a sua cantina, os militantes que por aí andavam, aquela Pastelaria Cister (?) a transbordar de inquietações, de políticas, de amores e… de Pides, e nem sei mais o quê, talvez merecesse uma atenção, um sinal num itinerário desse tipo. Não sei bem, mas talvez. Como memória ainda viva (espero) dessa época há o Veiga Pereira ( e que não faça eu aqui erro de nome!).
Acho que não poderei lembrar-me de grande coisa sobre aquela zona. Eu andava afastado dos meios estudantis e frequentava aquela Associação por amizades. Por exemplo, pela amizade ao Alfredo Noales, meu anterior colega de Liceu. Estou à vossa disposição, até ao ponto em que isso ainda possa ser útil.
Um abraço
Sousa
Sábado, 09.Maio.2009 at 05:05:02
Só uma achega para identificação da Isaura Silva, porque não foi mencionada no texto: é a mulher do António Borges Coelho e o seu depoimento sobre a luta das enfermeiras está registado num documentário que julgo ser da Diana Andringa, mas não garanto.
Abraço
Artur Pinto
Segunda-feira, 11.Maio.2009 at 02:05:55
O seu a seu dono: o documentário sobre a luta das enfermeiras é da Susana Sousa Dias. Tive o prazer de o passar no programa Artigo 37, em 2001, mas a autora é a Susana – que, aliás, continua a trabalhar a memória desses tempos em belíssimos documenários.Muitos terão visto Natureza Morta, Visages d’une Dictature, premiado no DocLisboa em 2005.
Quanto à Isaura, tive o prazer de a ver – bem como ao marido e à irmã – este fim de semana, em Portimão, num encontro intitulado Memórias de África, em que foi orador outro Borges Coelho, este João Paulo, professor da Universidade Eduardo Mondlane, Maputo.