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O texto que se segue contém excertos de uma carta de Liz Sevcenko, publicada no jornal  Herald Tribune, de 23.12.2008.
 

«A memória é um terreno central sobre o qual se constroem e asseguram no futuro as democracias. A inextricável relação entre a história e os direitos humanos vem sendo cada vez mais reconhecida por instituições locais e internacionais. Comissões de Verdade e Reconciliação em muitos países vêm exigindo espaços de memória e confrontando os aspectos mais difíceis e sensíveis da história das nações, reconhecendo nesse labor um requisito fundamental duma sociedade aberta. 

Todos os governos são responsáveis por manter um acesso aberto ao passado dos povos. Não se trata apenas de decidir se os arquivos devem ser abertos ou manter-se fechados e ocultos. A democratização da história – e usar a história para sustentar uma democracia saudável – exige fóruns públicos que permitam às pessoas lidar abertamente com o passado, em todos os seus aspectos de desonra e glória. 

Apagar a memória dum passado de repressão politica e de resistência contribui fortemente para aceitar culturas de repressão no presente. Pelo contrário, criar espaços de debate e reflexão sobre esse passado, em todos os seus aspectos e consequências no presente, pode ajudar a construir uma cultura de militância democrática. O tratamento que cada nação dá ao seu passado necessita de ser tomada a sério como uma indicação segura de compromisso com os direitos humanos.»

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