
Luís Fonseca (Cabo Verde)

Constantino Lopes da Costa (Guiné)
e Manuel Pedro Pacavira (Angola)

Edmundo Pedro (Portugal)
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Quarta-feira, 29.Out.2008

Luís Fonseca (Cabo Verde)

Constantino Lopes da Costa (Guiné)
e Manuel Pedro Pacavira (Angola)

Edmundo Pedro (Portugal)
Quarta-feira, 29.Out.2008 at 08:10:58
«Com tanto que se tem falado, será que não sabem quem é Manuel Pedro Pacavira?», pergunta Dalila Cabrita Mateus, acrescentando que “Nito Alves, nas suas «13 Teses», acusava-o de ser informador da PIDE e colaborador na célebre «Tribuna dos Muceques», editada pela PIDE”.
Além disso, diz Dalila Cabrita Mateus, “os arquivos existentes da Torre do Tombo, a propósito deste panfleto, falam de um Manuel Pacavira”.
Depois disso, ainda segundo a autora de “Purga em Angola”, “terá tido papel destacado na orgia de sangue que se seguiu aos acontecimentos do 27 de Maio de 1977”.
“Claro que foi membro do Comité Central e do Bureau Político e é Embaixador. Era um dos vencedores, pois claro”, conclui Dalila Cabrita Mateus.
Domingo, 02.Nov.2008 at 12:11:30
“Segundo José Van-Dúnen, Valentim, Pedro Fortunato, David Aires Machado e tantos outros, o actual membro do Comité Central Manuel Pedro Pacavira foi um dos fundadores do jornal da PIDE / DGS “Tribuna dos Muceques “, colaborando activamente na elaboração completa daquele jornal fascista. Como se vê, embora se trate de um nacionalista a quem os fascistas prenderam e meteram na prisão por muitos anos, o que é respeitável, Pacavira é um destes casos dos que falharam pelo caminho e adoptaram as posições do capitulacionismo. É de notar que o Comité Central nunca se debruçou sobre o dossier dos que traíram quer nas prisões quer traindo as guerrilhas.” Pode ler-se na página 87 das “13 Teses em minha defesa”, documento da autoria de Nito Alves.
Domingo, 02.Nov.2008 at 03:11:12
Dadas as 2 intervenções anteriores referirem, com base em Nito Alves e Dalila Mateus, a Tribuna dos Muceques como uma criação da PIDE, e ter acabado de ler, no DN e num texto de José Ferreira Fernandes sobre a morte de um amigo comum – Acácio Barradas – uma referência à mesma Tribuna sem qualquer referência a essa origem, o mesmo acontecendo com Marcelo Bittencourt, no artigo ” A criação do MPLA”, publicado em Estudos Afro-Asiáticos, 32:p.185-208, Rio de Janeiro, CEAA/UCAM, Dezembro de 1997, seria importante que aqueles que possuam mais informações sobre este título venham, se possível, trazê-las ao debate.
Terça-feira, 04.Nov.2008 at 06:11:20
O antigo padre Joaquim Pinto de Andrade (preso no mesmo processo em que esteve envolvida D. Diana Andringa), numa entrevista concedida nos anos 90, afirmava, preto no branco, não ter dúvidas de que fora Pacavira quem o denunciara, assim como a Agostinho Neto.
O embaixador Adriano Sebastião, companheiro de Pacavira desde os anos 50, na autobriografia que publicou, acusa Pacavira de ter mandado fuzilar Virgílio Francisco («Sotto Mayor»), com base em acusações que sabia serem falsas.
E qualquer antigo luandense sabe que um jornal como a «Tribuna dos Muceques» só podia ser publicado com a anuência e colaboração da PIDE.
O que queremos, agora, encobrir?
Terça-feira, 04.Nov.2008 at 08:11:57
Amigo meu, sugeriu-me a leitura da página 193 da tese de doutoramento da professora dra. Dalila Mateus. Aí se escreve: «São José Lopes (o director da PIDE) declara estar totalmente de acordo com as soluções apresentadas pelo Grupo de Trabalho que estudara os vários aspectos sociais e políticos dos muceques de Luanda e que, além da criação de cartões de trabalho, de guias de trânsito, dum melhor controlo das estradas e dos caminhos de ferro, da abertura de arruamentos nos muceques, popusera uma atenção especial a dois aspectos, a segurança e a propaganda. Quanto à propaganda (…) sugere o lançamento de um jornal do muceque». E aí está a «Tribuna dos Muceques» programada por São José Lopes. (Processo 7477 CI(2), Comando de Operações Especiais, pasta 22, fls. 4 ss).
Terça-feira, 04.Nov.2008 at 09:11:16
Excerto do curriculum de ADRIANO JOÃO SEBASTIÃO, 1º embaixador de Angola em PortugalADRIANO JOÃO SEBASTIÃO.
“Em Junho de 1967 é posto em liberdade condicional porque as investigações levadas a cabo pela Pide não confirmaram as acusações (tentativas de rebelião no Campo) que originam a sua retirada. Sob os olhares da Pide foi mandado com os dois companheiros trabalhar no Campo Militar do Grafanil, na CDMM (Companhia de Depósito de Materiais e Munições), ao mesmo tempo que escrevia no Tribuna dos Musseques, um jornal da Pide em que eram obrigados a escrever semanalmente como prova da sua presença e ocupação em Luanda. Nessa situação o encontra o 25 de Abril de 1974 em Portugal. “
http://www.embaixadadeangola.org/embaixador_adr.htm
Domingo, 16.Nov.2008 at 12:11:17
Grata pelos esclarecimentos.
D. Amélia, sou antiga, mas não luandense, e surpreendeu-me o facto de, quase em simultâneo com os dois primeiros comentários aqui surgidos, ter o José Ferreira Fernandes referido a Tribuna dos Muceques sem qualquer sugestão de ligações à PIDE. Como o artigo do Marcelo Bittencourt também não tinha essa referência, pareceu-me importante procurar outras informações, por considerar que a acusação de colaboração com a PIDE (que não é o mesmo que fraquejar nos interrogatórios) é suficientemente grave para dever ser baseada. Não creio que isso justifique a pergunta “O que queremos, agora, encobrir?”