
João Abel Manta
Junho 2008
Sábado, 28.Jun.2008
Rastos do PREC (2)
Posted by Joana Lopes under RecortesComentários Desativados em Rastos do PREC (2)
Sexta-feira, 27.Jun.2008

Na revista Science & Vie (Junho de 2008), dois interessantes artigos sobre Memória: «Notre mémoire nous trahit… pour notre bien» e «Notre passé invente notre futur».
Sexta-feira, 27.Jun.2008

Viriato da Cruz, ao centro, com Mário Pinto de Andrade e Lúcio Lara (Roma, 1959)
«As leis do condicionamento industrial e as pautas aduaneiras os industriais de Portugal, freando a actividade dos industriais de Angola. Existe um controlo absoluto em toda a industria e todo o comércio de Angola, visando, fundamentalmente, manter Angola em situação de perpétua dependência económica em relação a Portugal e as potências imperialistas.
O colonialismo inoculou, pois, em todo o organismo de Angola, o micróbio da ruína, do ódio, do atraso, da miséria, do obscurantismo, da reacção. O caminho em que nos vêm obrigando a seguir é, portanto, absolutamente contrário aos supremos interesses do povo angolano: aos da nossa sobrevivência, da nossa liberdade, do rápido e livre progresso económico, da nossa felicidade, de pão, terra, paz e cultura para todos.»
Assim analisava a situação angolana, em Dezembro de 1956, Viriato da Cruz, um dos fundadores do MPLA e seu primeiro secretário-geral. O nome do Movimento surge, aliás, no texto que citamos, em que escreve:
«Porém, o colonialismo português não cairá sem luta. Deste modo, só há um caminho para o povo angolano se libertar: o da luta revolucionária. Esta luta, no entanto, só alcançará a vitória através de uma frente única de todas as forças anti-imperialistas de Angola, sem ligar às cores políticas, à situação social dos indivíduos, às crenças religiosas e às tendências filosóficas dos indivíduos, através portanto do mais amplo MOVIMENTO POPULAR DE LIBERTAÇÃO DE ANGOLA.»
Esse verdadeiro «Manifesto» é um dos documentos incluídos no livro Viriato da Cruz, o homem e o mito, publicado pelas editoras Prefácio e Chá de Caxinde e recentemente apresentado em Lisboa.
Nascido em Kikuvo, Porto Amboim, em 25 de Março de 1928, Viriato da Cruz fez os estudos liceais em Luanda. Poeta, foi um principais mentores do Movimento dos Novos Intelectuais de Angola e da revista Mensagem. Saiu de Angola em 1957, passando brevemente por Lisboa e foi juntar-se em Paris a outro intelectual angolano, a quem o unia uma cumplicidade antiga: Mário Pinto de Andrade. Ali desenvolve intensa actividade cultural e política, participando, nomeadamente, no 2º Congresso de Escritores e Artistas Negros, onde apresenta o documento A responsabilidade do intelectual negro.
Fundador e primeiro secretário-geral do MPLA, vem a entrar em dissidência com o movimento, fixando-se posteriormente na China, onde morre a 13 de Julho 1973, em conflito com o regime chinês, que anteriormente admirara.
Coordenado por Edmundo Rocha, Francisco Soares e Moisés Fernandes, Viriato da Cruz, o homem e o mito, recorda a vida e a obra de um dos mais importantes nacionalistas angolanos, no seu duplo aspecto de poeta e político, lançando, nomeadamente, novas informações sobre a sua vida na China. Para que o nome de Viriato da Cruz não caia o esquecimento.
Quinta-feira, 26.Jun.2008
Pior do que uma voz que cala é um silêncio que fala
Posted by Maria Manuela Cruzeiro under Ensaio[2] Comments

«Se ninguém fotografou, nem escreveu o que aconteceu durante a noite,
acabou com a madrugada. Não chegou a existir.»
Lídia Jorge, A Costa dos Murmúrios
«Dizem que os reis não têm memória. Parece que os povos têm muito menos ainda», proclamava Salazar em 1930. E se houve um traço genialmente perverso na ditadura que nos dominou durante quase meio século, foi a sábia gestão do silêncio; um silêncio que Marcelo Caetano preferia chamar de «seriedade e honestidade», em contraste com o «teatro» do congénere regime fascista italiano.
Eduardo Lourenço, numa obra de referência – O Fascismo Nunca Existiu -, considera que «impensado enquanto presente», durante os quarenta e oito anos da sua real e concreta existência, o Fascismo passou a «impensável enquanto passado», para um povo com uma dificuldade proverbial em inscrever na sua história os episódios mais sombrios.
Impensado enquanto presente, pelo silêncio imposto através de uma muito eficaz subtracção ou privação do direito à palavra, espaço público da cidadania em que os homens se reconhecem como iguais, discutem e decidem em comum, com vista a decisões que concernem a todos. Sem a palavra livre não há política. Salazar delimitou com rigor e método esse deserto da palavra que era o seu Estado Novo:
«Não discutimos Deus e a virtude. Não discutimos a Pátria e a sua História. Não discutimos a Autoridade e o seu prestígio. Não discutimos a Família e a sua moral, não discutimos a glória do trabalho e o seu dever» (1).
Sem direito à palavra, a política passa a fenómeno marginal e dissonante, promotor de ruído, enquanto a ideologia penetra e configura todas as instâncias da sociedade, através da transformação de um corpo social anti-político num organismo vivo. Viver Naturalmente o Fascismo foi o grande desígnio que Salazar traçou para este pais. País de costumes brandos e hábitos morigerados, país pobre, mas rico na projecção de uma imaginária grandeza. País «orgulhosamente só», protegido dos desvarios da civilização, do desconhecido e do estrangeiro. País inculto, mas feliz no respeitinho, no recato e no receio. País em inho… (Manuel Alegre)
Impensável enquanto presente pelo silêncio consentido e cultivado, paradoxalmente, na vertigem discursiva que a democracia inaugurou.
Quinta-feira, 26.Jun.2008

Na manhã em que tem início o terceiro Congresso Feminista, recorde-se o segundo, acima retratado, que teve lugar em Junho de 1928.
Certamente muito menos participantes, poucas intervenções, sem televisão, nem internet, nem blogues para o anunciarem. Num mundo muito diferente – ou talvez não tanto quanto possa parecer e muito menos do que seria desejável.
Elina Guimarães proferiu então um importante discurso que merece ser lido na íntegra. Algumas das suas afirmações poderiam ser repetidas hoje, amanhã ou depois de amanhã. Certamente com outros cenários, provavelmente por outras palavras, mas muito semelhantes quanto ao fundo de quase tudo o que está em questão.
Quarta-feira, 25.Jun.2008
Uma entrevista a Francisco Martins Rodrigues (2)
Posted by Miguel Cardina under EntrevistasComentários Desativados em Uma entrevista a Francisco Martins Rodrigues (2)
Continuação da entrevista a Francisco Martins Rodrigues (1927-2008), realizada em Janeiro de 2008. A primeira parte pode ser lida aqui.
Em que contexto se dá a sua entrada para o Comité Central do PCP?
No final de 1960 há uma grande onda de prisões que atinge o Comité Central. E o Dias Lourenço, que estava no estrangeiro, vem cá dentro para segurar as pontas. É nessa altura que me decidem cooptar para o Comité Central, primeiro como membro suplente. Pouco tempo depois passo a efectivo e vou para a Comissão Executiva, que era composta por mim, pelo Blanqui Teixeira e pelo Alexandre Castanheira.
Que funções tinha essa Comissão Executiva?
Era o órgão que reunia com os responsáveis pelas troikas – grupos de funcionários – para se inteirar da situação do partido. E transmitia, a cada região do país, as orientações políticas. É aqui que eu começo a manifestar as minhas divergências, que já vinham da cadeia. Escrevo cartas para o Comité Central e o Cunhal, em 1963, manda-me ir lá fora para discutir as minhas divergências. Havia a necessidade de ir a Moscovo dar conta da situação do partido e, apesar do responsável ser o Blanqui Teixeira, sou eu designado para lá ir, pois podia fazer o relatório da actividade e, ao mesmo tempo, discutir as tais divergências.
Mas essas divergências já vinham da cadeia?
Sim. Com todas as limitações, discutíamos lá política, nomeadamente a linha que o partido estava a tomar sob a direcção do Fogaça. Foi aí que eu conheci o Cunhal e o Chico Miguel, que teve grande influência em mim.
Quarta-feira, 25.Jun.2008
Congresso Feminista 2008
Posted by Joana Lopes under NotíciasComentários Desativados em Congresso Feminista 2008




