
Este poema foi escrito e publicado em 1962, e dedicado a António Alçada Baptista. Quando parece agora, outra vez, que a nossa sina parou no Alto do Pina, o convite final é o mesmo.
Pedro Tamen, Junho de 2008 (*)
Heródoto contava a história, mas nós contamos memória entre os pontos e os is daquilo que Deus nos quis.
É o que vale. Senão amortecia no chão o diadema do dia (o que bem apetecia).
Por isso nos ocupamos em tiritar pelos anos o frio que vem das horas no degelo das demoras.
Oh, que tragada perdida esta de nós pela vida, mesmo apesar de polícias e Diário de Notícias.
Senhorio, mas de partes, artistas, de malas-artes e capados; nossa sina parou no Alto de Pina.
Isto é que se nos dá, e andamos ao deus-dará por muito que não queiramos. Isto é: agradeçamos
E metamos por aí, por entre o ponto e o i.
Pedro Tamen, Poemas a isto, Moraes ed., Lisboa, 1962, p.189.
(*) Biografia de Pedro Tamen.