Vária


14/5/2010. Acaba de ser conhecida a morte de José Luís Saldanha Sanches, colaborador dos «Caminhos». Em jeito de homenagem, republicamos esta entrevista datada de 2008.

 
A Pública de ontem divulgou uma extensa e notável entrevista com Maria José Morgado e José Luís Saldanha Sanches. Com o consentimento deste último, colaborador regular deste blogue, reproduzimo-la na íntegra. Porque muitos leitores poderão não a ter lido e também porque nos parece importante que ela permaneça acessível num blogue com as características dos Caminhos da Memória.

 
Pública, 5/10/2008, Entrevista de Anabela Mota Ribeiro

Ela era a “renegada Morgado” e ele tinha o nome escrito nos muros de Lisboa: “O povo libertará Saldanha Sanches.” Depois desistiram da revolução, tiveram uma filha, descobriram com ela um mundo. Guardaram o inconformismo, a militância. Maria José Morgado e Saldanha Sanches ainda são revolucionários?

Eles já se permitem falar de fraquezas pequeno-burguesas. Como ter sentimentos, ter uma filha, a relação com a infância. Eles já se habituaram a vivê-las. Fazem imensa troça do radicalismo de um tempo – que é a forma de olharam para si, agora, e aceitar que foram outros. São desiludidos maoístas. São descrentes.
José Luís Saldanha Sanches, o fiscalista, não falou de Fiscal. Maria José Morgado, a procuradora incorruptível, não falou de corrupção. Falaram de uma coisa geracional. De um despertar colectivo que começou com a campanha de Delgado, e o apanhou a ele, mais velho. De um movimento que a fez despertar, a ela, na faculdade. Um movimento que apetecia. Foram um casal MRPP. Deixaram de ser MR’s e continuaram a ser um casal.

Num domingo à tarde, recuperaram as memórias de um tempo. Com ironia. Com distância. Com paixão. Talvez eles ainda sejam os mesmos. Sendo outros.
Já não são homofóbicos. Ela pinta os olhos. Ele sonha que está preso e que há nisso alegria. O mote era: “Vida simples, luta dura.” Tudo mudou e tudo ficou na mesma.

Se a vossa filha contasse a vossa história – a do vosso encontro, a do período revolucionário – contaria o quê?
Maria José Morgado (M.J.M.) – Responde tu.
Saldanha Sanches (S.S.) – Ela sabe pouco disso. Quem lhe fala mais do nosso passado revolucionário são as avós. Nem sabemos bem o que ela sabe a esse respeito. Ela é de outra geração, que reage mal à doutrinação.
M.J.M. – Ela ficou um bocado quixotesca, como nós. Penso que isso não é produto da educação, vem no sangue. Nós não somos pessoas viradas para o passado.

Porque é que foram as avós a contar-lhe e não os pais?
S.S. – Não acho adequado. Sobretudo porque ela tem a mesma rebeldia que nós tínhamos. Recusa os valores dos pais.
M.J.M. – Foi muito difícil para ela. Queria contestar os valores dos pais, mas foi sempre uma contestação falhada. O que é curioso é que a miúda sempre mostrou um grande apego por valores que estão fora de moda – liberdade, integridade, generosidade. A prisão, a repressão, a falta de liberdade, a PIDE ir buscar-nos a casa, as cartas que escrevi ao meu marido quando ele estava na prisão e as que ele me escreveu a mim… Os meus sogros passaram pelo menos seis anos da vida deles a caminhar para Peniche ao fim-de-semana; a minha sogra não tinha outro programa; e o resto da semana era para preparar a viagem: levar roupa lavada, os livros que podiam entrar, e pensar nisso. Isso marcou toda a família. A minha mãe também foi depois visitar-me à prisão e foi treinada nessas visitas pela minha sogra. Isso deixou-lhes uma marca de angústia e sofrimento inultrapassável. Isto fazia parte das histórias de criança que contavam à miúda.

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Memórias do «GOLPE da SÉ» – Três protagonistas, três testemunhos

 

I Curso de Verão de História da República: Republicanos‏

 

A.A.B.M. – João de Deus Ramos

As minhas primeiras palavras são para recordar aqueles que, neste lugar, nesta rua, no dia 25 de Abril de 1974, foram barbaramente abatidos a tiro pela PIDE/DGS. Todos sabemos que a mais tenebrosa das polícias do regime levou a sua sanha criminosa até ao fim.

Ainda hoje, a 36 anos de distância, me custa pensar que as últimas vítimas do fascismo foram jovens, nossos irmãos na esperança de Democracia. Jovens que desejavam ver a sua terra libertada. E não lhes foi permitido. Sobre o que seria viver em Liberdade, não chegaram a saber mais do que o que ouviam dizer, e talvez tivessem lido, acerca das democracias que havia por esse mundo fora. Morreram precisamente quando acreditaram que o seu sonho se tornava realidade.

O tempo corre, falamos, escrevemos e não se esgotam as más memórias. Quando passo ali por trás, junto ao Teatro São Carlos, ainda recordo a força que me chegava de longe, nas vozes do coro em ensaio, enquanto eu procurava não adormecer na frente da agente policial. Alucinação ou magia.

Foi exactamente neste espaço que, durante décadas da ditadura, esteve sediada a polícia política. De tempos a tempos, o seu nome mudava, mas o martírio dos portugueses que se batiam pelos seus ideais e pelos seus mais básicos direitos prosseguia.

Agora, uma gente de negócios endinheirados quis trazer para o imaginário lisboeta uma história de sonhos, apagando uma história nacional de pesadelos e, sobre os escombros dessa sede, ergueu um condomínio de luxo, atribuindo-lhe uma designação que soa indecorosa aos nossos ouvidos de resistentes: “Paço do Duque”.

Olho do exterior a construção faraónica, repudio as pichagens que começaram a aparecer, mas a verdade é que me trazem o encarnado dos pingos de sangue e os desenhos indutores de alucinação que manchavam as paredes enegrecidas das salas de interrogatório. Olho este portão e quase tremo. Não se me apagam as emoções e os medos com que o atravessava, sentada por trás da grade de uma carrinha, vinda do Forte ou já de regresso a Caxias, entalada entre duas agentes da policia. Porque as mulheres, jovens ou não, eram presas na condição de revolucionárias, em igualdade de circunstâncias com os homens, mas depois, uma vez chegadas aos interrogatórios, tinham tratamento suplementar especial. Eram chantageadas na sua dignidade de mulheres, humilhadas, violadas no seu pudor feminino. Atingidas emocionalmente e ameaçadas, nos laços de maternidade. Ainda estão vivas, e festejam hoje o dia da Revolução, algumas companheiras da luta anti-fascista, cujo testemunho pessoal ultrapassaria o que, algum dia, eu poderia contar-vos. Outras já desapareceram: Sofia Ferreira muito tinha para contar. Morreu na semana que hoje termina, com uma impressionante história de vida, dedicada à Resistência.

Não têm conta os portugueses anónimos que aqui permaneceram noites e noites, submetidos à tortura do sono – às vezes, dias e dias de pé, impedidos de se sentarem. Poderão hoje estar mais, ou menos, satisfeitos com o estado do Estado Democrático, poderão divergir mais, ou menos, nas suas posições políticas actuais, mas estou ciente de todos eles se emocionam quando passam neste local.
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A direcção do NAM convoca todos os associados e apoiantes da Associação Movimento Cívico Não Apaguem a Memória! – NAM a participar no dia 25 de Abril de 2010 na cerimónia de descerramento-inauguração da placa informativa da localização da ex-sede da PIDE-DGS, na Rua António Maria Cardoso, organizada pelo Movimento Não Apaguem a Memória! – NAM em cooperação com a Câmara Municipal de Lisboa.

Este acto de importante significado para a Memória da luta pela liberdade é precedido por um mini roteiro da Memória com o desenvolvimento seguinte:

Ponto de encontro: Largo do Município, em Lisboa (18.00H)

1º Ponto do roteiro: Rua do Arsenal (Salgueiro Maia: 25 de Abril)

2º Ponto: Largo da Boa Hora (Tribunais Plenários)

3º Ponto: Rua Capelo (Rádio Renascença: 2ª senha “Grândola, Vila Morena)

Chegada e 4º Ponto: Rua António Maria Cardoso (ex-sede da PIDE), às 17.45H

No percurso serão evocados acontecimentos históricos e no final haverá uma breve intervenção do historiador, conhecido lutador anti-fascista e ex-preso político José Manuel Tengarrinha.

Este importante acto de preservação da Memória surge na sequência da luta do NAM pela recolocação da placa evocativa dos cidadãos mortos pela PIDE-DGS no dia 25 de Abril de 1974, na fachada do condomínio privado de luxo que substituiu a sede da PIDE sem que as autoridades então cuidassem,  como era seu dever cívico, da preservação do património histórico da luta pela Liberdade.

O historial dessa luta do NAM em torno da Placa e que no seu desenvolvimento deu origem a esta outra lápide que assinalará a ex-sede da PIDE  é, tal como consta no relatório de actividades do NAM, o seguinte:

«A placa evocativa das últimas vítimas da PIDE/DGS, assassinados no dia 25 de Abril de 1974, afixada por um grupo de cidadãos na ex-sede daquela sinistra polícia política, para lembrar a memória dos jovens que ali sucumbiram, foi retirada, no início das obras de transformação daquele local em condomínio privado de luxo.

Concluída a obra e constatada a não colocação da placa, o Movimento Cívico Não Apaguem a Memoria! (NAM) contactou o responsável pelo condomínio privado (GEF) para exigir a recolocação da placa no local de origem. Numerosos foram os protestos, muitos deles publicados no blog Caminhos da Memória, e registámos mais de duas mil adesões à causa organizada no Facebook para retorno da placa ao seu local de origem. A placa foi então recolocada mas em local de muito pouca visibilidade.

Esta situação desencadeou uma nova onda de protestos que culminaram com uma carta enviada pela direcção do NAM ao presidente da CML, António Costa, a cada um dos vereadores e à presidente da Assembleia Municipal, Simonetta Luz Afonso, para protestar pelo desrespeito à memória de tantas portuguesas e portugueses que lutaram pela Liberdade.

Na sequência desta carta, a vereadora da cultura da CML, Drª. Catarina Vaz Pinto, propôs, no final do passado mês de Fevereiro, uma reunião com a nossa direcção para discutir esta questão.

Nesta reunião o NAM voltou a defender que a placa evocativa das últimas vítimas da PIDE fosse colocada em local de maior visibilidade, após serem avivadas as letras dos nomes dos mortos cuja tinta desaparecera.

Na sequência desta reunião a vereadora da cultura fez-nos chegar a informação de que a CML aceitava a sugestão do NAM de que o edifício da PIDE/DGS fosse sinalizado no espaço público.

Mais recentemente, foi-nos solicitado que propuséssemos um pequeno roteiro, com indicação de alguns pontos que recordassem momentos significativos da liberdade conquistada, em Abril de 74, e que culminaria com o descerramento da lápide de sinalização da ex-sede da PIDE/DGS, no dia 25 de Abril, pelas 17.45H, tal como acima indicado.

Fomos, também, informados de que as letras dos nomes das últimas vítimas da PIDE seriam reavivadas.»

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→ Ana Cristina Leonardo – Do Forte de Peniche à cama do arqtº Paulino Montez passando pelas rendas de bilros — ou da vergonha de ter nascido em Portugal

 

→ Guilherme d’Oliveira Martins – “História do Ensino em Portugal” de Rómulo de Carvalho

 

→ A. Teixeira – A Europa técnica e a Europa ideológica

Primavera, nos anos 70.
Percebi muito bem o recado que o camarada funcionário do Partido me mandou. Na quinta-feira da semana seguinte, iria ao Jardim da Estrela encontrar-me com um amigo, também militante a viver na legalidade, e levava-o para a casa de apoio onde, ultimamente, reuníamos. Não me foi dito de quem se tratava. Que quando o visse logo o reconheceria. Eu ia usar um casaco de malha preto e ele levava uma pasta na mão. Não era preciso combinar mais nenhum sinal, pois também ele me conhecia bem e fora avisado de que a pessoa que o aguardava seria eu. Que às 7.30 em ponto, eu já tinha de estar à porta da entrada do Jardim, no lado norte, isto é, junto à Avenida Pedro Álvares Cabral, e que esperasse que ele se me dirigisse. Senha e contra-senha, tudo combinado. Que, se o amigo não aparecesse ou se, indesculpavelmente, eu me atrasasse, voltávamos lá uma meia hora mais tarde; que devia certificar-me de que o campo estava “limpo”, sem indivíduos ou carros de aspecto suspeito, por perto, blá, blá, blá: os cuidados do costume.

A pergunta que ele iria fazer-me revestia-se de uma grande naturalidade: “O que fazes tão cedo por aqui?”. Porém, a resposta que me cabia dar-lhe era algo absurda para um dia de semana, ainda longe do Verão: “Estou à espera de uma boleia para o Algarve!”. Depois, uma vez cumprido tudo – estas duas frases ditas com absoluto rigor, sem falhas – apanharíamos um táxi para uma transversal à Avenida de Berna, ficando próximos da casa em que nos juntávamos com o camarada funcionário.

Saí da Penha de França muito cedo, para ter tempo de fazer um “corte” na viagem – era obrigatório… – isto é, tomei um autocarro até à Avenida Duque de Ávila, desci, e apanhei um táxi para a Basílica da Estrela. Depois, percorri a pé o passeio que ladeia o jardim, até à entrada norte. Sempre vigilante, olhando de vez em quando pelo canto do olho para trás, a verificar, como habitualmente, se não “ia seguida”.

Às 7. 25, ou por aí, postei-me à porta, observando quem se aproximava. Não tardaram 3 minutos, vejo-o surgir, de pasta na mão, e pensei: “Ai que engraçado! Este gajo é do Partido? Que bom!”. De facto, conhecia-o – era um democrata, um activista associativo que eu muito admirava, um amigo, até – mas tinha-o perdido de vista, havia anos.

Deu-me um beijo.
– O que fazes por aqui tão cedo? (As palavras da frase estavam ditas por uma ordem ligeiramente diferente, mas não seria por isso que não lhe responderia o combinado, pensei.)
– Estou à espera de uma boleia para o Algarve!
– Então boa viagem! Vou andando que estou cheio de pressa. – Disse, dando-me um outro beijo e largando em frente, pela Avenida, em passo acelerado.

“O tipo é parvo! O que lhe deu? Por que não reagiu à senha? Cheguei antes das 7.30, o “terreno está limpo”, tenho um casaco preto vestido, e respondi-lhe exactamente o que estava combinado.”

Ia começar a andar, de regresso a minha casa, chateada, interrogando-me acerca do mistério, quando vi aproximar-se, em passo acelerado, um outro amigo. Vinha de pasta na mão e, mal chegou, nem beijo, nem outro cumprimento:
– O que fazes tão cedo por aqui?
– Estou à espera de uma boleia para o Algarve!
– Vamos lá? – disse o camarada, agarrando-me pelo braço, enquanto nos preparávamos para atravessar a rua, em direcção à Pedro Álvares Cabral.
– Uf! Ó pá, não podes imaginar o que me aconteceu! Dois minutos antes de tu chegares, apareceu-me, não sei de onde, de pasta na mão, o João Cravinho. Deu-me um beijo, e não é que me fez exactamente a pergunta combinada!
– E então?
– Então, respondi-lhe esta coisa do Algarve. Ele fez um sorriso, não sei se achou natural ou não, e desandou. Felizmente estava com pressa… ou terá suposto que eu tinha um qualquer encontro de amor. Olha se tinha ficado à conversa, lá se ia a nossa reunião de hoje!

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José Teixeira – Faz hoje 40 anos que regressei da Guiné, mas o meu espírito vagueia naquelas tabancas

 

Guilherme d’Oliveira Martins, “A Identidade Nacional” de José Mattoso

 

A.Teixeira – Os símbolos da propaganda

 

Joana Lopes – Roma, cidade fechada



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Daniel Nunes Mateus – 100 anos da República: portugueses de Macau influenciaram passado da China

 

Guilherme d’Oliveira Martins – Até à vista, Pepin!

 

Luís Graça, Núcleo Museológico Memória de Guiledje (16): Um dia de ronco, uma janela de oportunidades (Parte I)

 

Almanaque Republicano, Carlos Campeão dos Santos

 

A.Teixeira – O “Grelhador” de Ohrdruf

 
Um texto de José Augusto Rocha (*)

 
Na edição do dia 9 de Março dos Caminhos da Memória, publiquei uma memória sobre a proibição do I Encontro Nacional de Estudantes e agora que – em 24 de Março – passam quarenta e oito anos sobre a proibição do Dia do Estudante, (1) recordo aqui o conjunto dos acontecimentos que tiveram lugar na Academia de Coimbra, no âmbito da Associação Académica, e que integram o que se convencionou chamar – a Crise Académica de 62.

Trata-se de um texto cronológico dessa “crise” – que só é definível e interpretável, conhecendo todos os acontecimentos – elaborado por mim, José Luís Nunes e José Monteiro, com a colaboração de Judite Cortesão e Irene Namorado e que veio a ser publicado no número de Março de 1968, do jornal “O Badalo”, do “Conselho de Repúblicas”, acompanhado de uma entrevista que nessa altura lhe dei.

É uma reconstituição dos acontecimentos dessa época, com base exclusiva na memória dos seus autores – todos eles influentes actores na crise – e que tinha o objectivo de não deixar perder a memória do que se passou, para mais tarde ficar disponível a eventuais estudiosos. Eis o texto do documento, intitulado “Sumário da Crise,” tal qual foi – à data – manuscrito.
Sumário da Crise

Capítulo I

Outubro 61

Latada de Letras:

  1. Crítica a certos aspectos da vida política do país na “Latada de Letras”; (2)
  2. Prisão de um estudante implicado na organização da “latada”;
  3. Um estudante de Faculdade de Letras, em face da sua eminente prisão, pede asilo à Universidade, na pessoa do seu vice – reitor, Prof. Lobato Guimarães;
  4. O Vice-reitor, em conversa telefónica, obtém do Inspector de PIDE o compromisso de que o estudante não será preso nas três semanas seguintes;
  5. A Assembleia Magna considera reféns o estudante já detido e a Direcção da A.A.C. pede à PIDE a sua libertação;

Via Latina:

  1. Pela primeira vez o Professor Braga da Cruz manifesta o seu desagrado pela orientação do jornal “Via Latina”.

Capítulo II

Novembro 61

Tomada da Bastilha:

  1. Comemoração à escala nacional da Tomada da Bastilha;
  2. Decretus abolindo a praxe que é considerado político pelas autoridades;
  3. Prisão do Dux Veteranorum e mais quinze estudantes membros do Conselho de Veteranos signatários do decreto; (3)
  4. Intervenção da Direcção Associação da A.A.C. junto da PIDE e do Ministro do Interior, Santos Júnior;
  5. O Ministro do Interior anuncia uma política de dureza para com os estudantes;

Capítulo III

Novembro 61

Entrevista da Direcção da A.A.C. com o Reitor:

  1. O reitor manifesta preocupação e discordância da orientação da Via Latina:
  2. Classifica a Assembleia Magna de Tribunal do Povo;
  3. Preconiza a retoma do processo eleitoral com a substituição do sufrágio directo pelo sufrágio orgânico ou corporativo;
  4. Aconselha o rompimento da colaboração ao nível nacional da AAC com as outras Associações do País;

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A.TeixeiraFotografias de guerra

 

Guilherme d’Oliveira Martins, A vida dos livros

 

Um homem na cidade O meu bairro

 

José M. Martins – Campo de concentração de Miranda de Ebro

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*** Pedro Coelho – Memória de um Amigo

*** J. M. Martins – António Xavier Correia Barreto – Nota breve

*** Hugo Guerra – Como morreu o meu prisioneiro

*** Renegade – Portugal nas tricheiras

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* * * Mário Beja Santos – Guerra Colonial – Angola – Guiné – Moçambique, Edição Diário de Notícias

 

* * * Almanaque republicano – Os Debates

 

* * * Luís Graça – PAIGC: um curioso croquis do Sector 2, área do Xime, desenhado e legendado por Amílcar Cabral

 

* * * José M. Martins – Henrique Galvão – Carta aberta a Salazar

Alguns posts que encontrei na blogosfera e que estão relacionados com os objectivos deste blogue. Notícias ou textos mais descomprometidos (ou não…) do que os habituais e que talvez ajudem alguns a navegar por outras paragens.

 

*** A Questão Colonial (I), Colonização portuguesa – particularidades, por José Brás

 

*** O Carisma de Manuel Serra, por Manuel Bidarra

 

*** Nos 45 anos do assassinato de Humberto Delgado e de Arajaryr Campos, por Irene Pimentel

 

*** António Lopes de Almeida: A coragem e o medo, por Júlia Coutinho

 

*** Clara Schwarz da Silva, 95 anos, uma grande senhora, viúva de Artur Augusto da Silva&l, por Luís Graça

Inicio hoje esta rubrica que, em princípio numa base semanal, apontará para alguns posts que encontrei na blogosfera e que estão relacionados com os objectivos deste blogue. Notícias ou textos mais descomprometidos (ou não…) do que os habituais e que talvez ajudem alguns a navegar por outras paragens.

 

*** Mais Memória, por Ana Gomes

*** Naquela noite no Cineclube, por Jorge N. Fernandes

*** Os netos republicanos, por João Tunes

*** Centenário na estrada, por Rui Bebiano

*** Oposição, por CCTM

 

Dado que a carta enviada pela direcção do movimento «Não apaguem à Memória»  à empresa GEF-Gestão de Fundos Imobiliários, SA, responsável pelas obras do condomínio de luxo no edifício ex-sede da PIDE/DGS, recebida a 4 de Dezembro p.p., para pedir explicações sobre a retirada da placa evocativa das últimas vítimas da PIDE não obteve resposta, contactámos por telefone, no passado dia 16, a administração da empresa.

Na conversa havida com o Dr. Fernando Gomes, membro do Conselho de Administração da GEF, deixámos claro que se não houvesse uma resposta favorável à nossa exigência de recolocação da placa, desencadiaríamos uma série de acções de protesto que seriam definidas na reunião de Direcção do NAM agendada para ontem, 17 de Dezembro.

Fomos informados pela administração da empresa, pouco antes do início da nossa reunião, que a placa seria recolocada no mesmo local de onde fora retirada, alegamente apenas por motivos de obras, dentro de 4 ou 5 dias.

A direcção do NAM decidiu aguardar até ao fim deste mês o cumprimento desta promessa.

(Será enviado ligação para este texto à empresa GEF)

Mais informações aqui.

(Via Ana Gaspar)

 
Informação sobre Alípio de Freitas

tuol seng camodja

Há mais do que um motivo para ser impossível esquecer o Cambodja, onde estive há cerca de seis meses: os magníficos templos de Angkor, a miséria extrema em que vive uma parte da população (*) e as pegadas deixadas pelos inqualificáveis crimes dos Khmers Vermelhos.

O texto de Rui Bebiano, aqui publicado ontem, fez-me «regressar» porque não há família no Cambodja que não tenha uma história semelhante à que é contada no livro que é referido. A do guia turístico que acompanhou o grupo em que integrava não era muito diferente (tinha 13 anos em 1975), o que é inevitável num país que perdeu 20 a 25% da população (cerca de dois milhões de pessoas, embora não haja números exactos), em apenas quatro anos – enquanto nós por cá vivíamos o PREC e os anos que se seguiram, ou seja há relativamente pouco tempo.

Uma das consequências absolutamente impressionante e visível, mesmo para o turista desprevenido, é que o Cambodja é hoje um país quase sem velhos: a grande maioria dos que teriam actualmente cerca de 60 anos, ou mais, desapareceu – pura e simplesmente.

Mas o que nunca sairá da memória de quem por lá passou é a «fotografia» de um dos mais célebres killing fields, situado nos arredores de Phnom Pehn, onde se encontra o Museu do Genocídio de Tuol Sleng. Numa antiga escola transformada em prisão e nos terrenos que a rodeiam, terão sido torturadas e assassinadas cerca de 10.000 pessoas – homens, mulheres e muitas crianças –, como testemunham largas centenas de fotografias expostas em grandes painéis. É um museu muito simples, impressionante pobre, mas terrível.

Há muita literatura sobre este período negro de uma parte importante do sudoeste asiático, há um grande filme (The Killing Fields, Terra Sangrenta, em português) e muitos pequenos vídeos como este, precisamente sobre o museu de Tuol Sleng.

 

 
(*) Escrevi, in loco, um pequeno texto sobre as terríveis condições em que vivem muitos cambojanos.

5-Pai baboso-Ridiculos-19116-Zé-1911
    «Mãe» da Constituição, Os Ridículos, 1911                    Coveiro da Monarquia, O Zé, 1911

 
7-Zé-19128-Perus-O Zé-1912
   «Peixeira» no parlamento, O Zé, 1912                   «Peru» tocado pelo povo, O Zé, 1912

[Pode clicar em cada uma das imagens para a ver em tamanho maior]

 
Um texto de Jorge Martins (*)

 
O cidadão Freire

A família Braamcamp é originária da Holanda. Anselmo Braamcamp Freire era filho do primeiro barão de Almeirim, Manuel Nunes Freire da Rocha e de Luísa Maria Joana Braamcamp, neta do primeiro barão do Sobral e irmã do conhecido Anselmo José Braamcamp (que emprestou o nome à rua Braamcamp em Lisboa), que combateu os Cabrais e chegou a ser presidente do Conselho de Ministros em 1878. Braamcamp Freire casou a sua prima, Maria Luísa da Cunha Meneses, neta do quarto conde de Lumiares. Embora beneficiasse deste envolvimento com famílias nobres, foi o seu irmão, Manuel Braamcamp Freire, quem herdou o título de segundo barão de Almeirim. No entanto, acabaria por ser nomeado Par do Reino em 1886.

Na sequência da ditadura de João Franco, instituída pelo rei D. Carlos, Braamcamp Freire anunciou, em 1907, a sua adesão ao Partido Republicano. A imprensa fez eco nacional do facto, considerado notável, atendendo à pessoa em questão. Em carta publicada em 19 de Novembro desse ano no jornal republicano O Mundo, justificou a sua atitude:

«Do partido progressista me afasto, não à procura de honras nem proveitos, que nunca tive em mira e muito menos agora poderia ter, mas simplesmente obedecendo, ou melhor, cedendo às aspirações democráticas que a educação e o exemplo recebidos dos meus lançaram no meu espírito, onde foram germinando, até que, neste período de revolução absolutista, desabrocharam de todo. Súbdito em monarquia constitucional, poderia continuar a ser, vassalo de rei absoluto, não.»

Esta decisão corajosa de quem não tinha nada a ganhar aos 58 anos de idade, nunca seria perdoada pelo seu círculo de amigos monárquicos, que o alcunhariam de «cidadão Freire», epíteto que, apesar de proferido por despeito, só prestigiaria ainda mais, na melhor tradição liberal, quem decidira colocar o seu bom nome ao serviço de uma nobre causa. Foi exactamente esse o tratamento que mereceu na acta da primeira sessão ordinária da Câmara Municipal de Lisboa a que presidiu: «Presidência do cidadão Anselmo Braamcamp Freire».

 
(Continua)

(*) Biografia de Jorge Martins

eleiçoes1eleicoes2

  [Clique para abrir em tamanho legível]

“Documentos do Comando Distrital de Setúbal da Legião Portuguesa referentes à eleição para deputados em 1969″. In: Eleições no regime fascista. Presidência do Conselho de Ministros. Comissão do Livro Negro sobre o Fascismo. 1979.

Artigo do Público de ontem, que pode ser lido aqui.

Eleições 1975

 
Resultados (% e nº de deputados):

PS                   37,87%        116
PPD                 26,39%          81
PCP                 12,46%          30
CDS                   7,61%           16
MDP                  4,14%             5
UDP                  0,79%             1
ADIM (*)        0,03%             1

      

(*)  Associação de Defesa dos Interesses de Macau

regulamento ascensores 

(Clicar aqui para ler.) 

Muito comum nos prédios que tinham elevadores, nos anos 50 e 60. 

«Quando não haja monta-cargas adequado ao transporte simultâneo de volumes e pessoas, será facultado o uso do ascensor aos serviçais que se dirijam a qualquer pavimento acima do segundo e desde que se apresentem decentemente vestidos…» 

(Contributo de Helena Vasconcelos Cabral)

Polónia dia 1 e 2 Agosto 08 216

O historiador israelita Avraham Milgram mostra uma foto da ponte de madeira, junto ao prédio – último vestígio da época -, que separava o gueto grande do gueto pequeno de Varsóvia. À época, esta rua, ladeada pelos dois muros do gueto, só era atravessada a pé por não-judeus e, em carros eléctricos especiais com a estrela de David, por judeus.

Polónia dia 1 e 2 Agosto 08 152

       Varsóvia – Cemitério Judeu cujas lápides revelam a pujança da cultura judaica até 1939

Polónia dia 4 Agosto 09 062

Campo de concentração e de extermínio de Majdanek, também de trânsito para outros campos de extermínio e de armazenamento dos bens roubados aos judeus deportados. Estas bonecas, roubadas a crianças judias, assassinadas, aguardavam o envio para a Alemanha.

 Birkenau

Entrada de Auschwitz II-Birkenau  e linha-férrea já no interior do campo, a caminho da «rampa»  onde era feita a  «selecção»  entre  os que iam directamente para a camara de gás e aqueles cuja força de trabalho escravo ia ser aproveitada  por umas semanas.

(fotografias cedidas por ana vidigal)

Polónia dia 3 Agosto 09 018VARSÓVIA  (Memória do  Muro do Gueto)

Polónia dia 3 Agosto 09 037TREBLINKA  (Campo de Exterminío)

Polónia dia 5 Agosto 09 031SINAGOGA DE LANCUT (Uma das poucas não destruídas pelos nazis)

Polónia dia 5 Agosto 09 071SÍTIO DE MORTE DE ZBILITKOWSKA GORA  (Vala Comum de crianças assassinadas pelos nazis)  -1

Polónia dia 5 Agosto 09 078SÍTIO DE MORTE DE ZBILITKOWSKA GORA  (Vala Comum)  -2

(fotografias cedidas por ana vidigal)

Mafalda_Quino

mpla2 

O texto que se segue é a transcrição de uma carta, datada de 1968, que foi lida numa emissão de rádio do MPLA, em Brazaville. Limitámo-nos a corrigir erros ortográficos e a introduzir pontuação, optando por manter, quase sempre, as palavras e as construções sintácticas originais, mesmo quando as mesmas são pouco «ortodoxas» em português.  

 
Soldado português! Aqui onde estou, tenho ouvido com certa regularidade programas da bendita chamada Emissora Oficial de Angola. O pretexto é distrair, mas o fim camuflado é automatizar instintos criminosos, não passa de ser capaz de matar friamente, insensível à crueldade que a tropa a que pertenço comete sobre o meu povo. Conseguiram esse objectivo? Em grande parte, sim. O exército português transformou-se num bando de carrascos que mata, tortura, a extorquir, com crueldade, mulheres, homens e velhos, crianças inofensivas, bombardeia aldeias, destrói as as lavras num puro genocídio, digno dos monstros nazis. Mas tudo se paga

 Ao fazer de ti uma máquina de destruição, o teu chefe destruiu em ti próprio tudo quanto possuías de ser humano. É o ensejo de uma máquina de destruição que nem em tempo se fez pensar. A tua desmoralização não se mete a ninguém, nem mesmo os teus próprios chefes, eles sabem, como tu, que estás destinado à morte, para que a tua morte e a dos teus camaradas sirvam para aguentar mais algum tempo. O tempo da alta finança portuguesa, e sobretudo não portuguesa, é realizar mais lucros à custa do suor e da riqueza do nosso povo-Eles preparam agora a sua ofensiva de cacimbo, eles sabem que há mais de uma larga centena de soldados, que vai perder a vida por essa Angola fora nas matas do Maiomo, como nas savanas do Moxico, na Lunda como em Malange, em Luanda e no Quanza Norte, eles sabem que o cerco inevitável se aperta tenazmente e a guerra está  perdida. Mas é preciso aguentar, aguentar cegamente contra toda a lógica, vendendo a arma ao diabo se ele corre em seu auxílio. E para isso é preciso que tu morras, que mais centenas de soldados dessem a vida em Angola e outras tantas centenas se vissem estropiados para toda a vida.É para lhes levantar um pouco o seu moral, para olhar em si as engrenagens da máquina que mata e morre sem pensar que começaram as contra-ofensivas do Cacimbo pela preparação psicológica do soldado. A nós, essa campanha psicológica com força dá-nos a medida exacta de desespero dos seus chefes, foi um tiro saído pela culatra, que vai ter tanto efeito como a famosa contra-ofensiva do Cacimbo dos vossos generais de parada. Este ano, como em 1968, não está o de esperança, ele vai ter os mesmos resultados desastrosos dos anos anteriores, por grande escala.
 
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On the idea of Communism

Organizado pelo Birkbeck Institute for the Humanities, da Universidade de Londres, decorreu em Março passado o colóquio On the idea of Communism. A identidade dos participantes anunciados – Alain Badiou, Slavoj Žižek, Michael Hardt, Toni Negri, Jacques Rancière, Gianno Vattimo, Terry Eagleton, entre outros – apontava para um encontro inédito entre superstars do pensamento contemporâneo interessadas no comunismo não tanto como núcleo programático mas como território da utopia e da experiência da mudança. E fazia também prever debates ardentes. A verdade, porém, é que os ecos foram chegando muito ténues e pouco existe na Internet sobre o acontecimento. Acaba no entanto de sair, no número de Julho-Agosto da revista Philosophie Magazine, uma reportagem crítica do evento, «Communista Social Club», da autoria de Jan Sowa, um jovem intelectual militante da esquerda radical polaca.

Sowa apoia-se particularmente nas intervenções de Badiou, Žižek, Rancière e Negri para afirmar que o conjunto não trouxe nada de novo em relação ao que se sabia já do pensamento de cada um dos autores presentes – o que não seria nada de inesperado, pois as fracturas não se produzem em intervenções de trinta minutos voltadas para um público militante de investigadores e estudantes –, estranhando igualmente o facto delas se apresentarem como monólogos, algo cerradas em raciocínios e apriorismos balizados, dos quais ninguém se parece ter esforçado muito por sair. O essencial da sua crítica centra-se porém em algo de muito concreto. Condicionado pela sua própria experiência de filho do «socialismo real», Sowa anota que «a maior insuficiência deste colóquio foi a ausência de uma análise aprofundada do comunismo enquanto regime que existiu realmente». Como se nada de verdadeiramente importante se tivesse passado, diz, entre a revolução de Outubro de 1917 e o triunfo do capitalismo neoliberal nos anos oitenta. Tem sido este, realmente, um dos limites da intervenção da esquerda anticapitalista não subsidiária do esclerosado modelo leninista-estalinista: um excessivo pragmatismo e uma dificuldade em repensar-se a partir de uma abordagem crítica do seu próprio lastro histórico, projectando novas possibilidades através de um processo psicanalítico de diálogo com as origens, as experiências e principalmente os erros.

Mas isto não significa que o colóquio de Londres se tenha transformado num pântano de vaidades académicas e de vontades dispersas a laborarem, cada uma delas, nas suas utopias pessoais. No final foram avançadas duas conclusões positivas que permaneceram transversais às intervenções de todos os participantes: «primo, o capitalismo não se encontra desprovido de uma alternativa, e secondo, o projecto comunista não é utópico no sentido negativo do termo, isto é, impossível». Porém, e contrariamente à leitura corrente de Marx, a sua afirmação não resulta de uma inevitabilidade histórica, mas sim de uma escolha que as sociedades podem e devem fazer em toda a liberdade. Será este o princípio, fundamental para uma conciliação da vida democrática com a afirmação cíclica de políticas de ruptura, sobre o qual a esquerda deverá continuar o seu trabalho. Combinando uma arqueologia descomplexada com a intervenção diária no processo de edificação de um mundo possivelmente melhor e mais solidário.

Brigadas InternacionalesEm Espanha, todos os estrangeiros que combateram nas Brigadas Internacionais durante a Guerra Civil têm direito à nacionalidade espanhola, sem terem agora de renunciar à sua. Chegou a vez de sete sobreviventes receberem os novos passaportes na embaixada de Espanha em Londres.

(Fonte El País)

Com pedido de publicação, recebemos de Fernando Rosas o seguinte texto, que divulgamos de imediato. É também para este tipo de serviço público que este blogue existe.
 
 
Em um dos anexos do livro Tribunais Políticos – Tribunais Militares Especiais e Tribunais Plenários durante a Ditadura e o Estado Novo cuja equipa autoral (Irene Pimentel, Inácia Rezola, João Madeira e Luís Farinha) coordenei, surge, por erro lamentável, o nome do Conselheiro Adriano Vera Jardim como tendo sido juiz do extinto Tribunal Plenário de Lisboa.
O erro, que agora explicitamente se repara no blogue «Caminhos da Memória», consiste no facto do Conselheiro Adriano Vera Jardim nunca ter sido membro desse Tribunal. E o lapso é tanto mais lamentável, quanto o Conselheiro Vera Jardim, como por ocasião do seu falecimento salientou o voto de pesar unanimemente aprovado pela Assembleia da República, para além de jurista eminente e magistrado impoluto, a  quem a justiça, em Portugal, muito ficou a dever, foi também um ilustre democrata, defensor acérrimo do Estado de direito e dos Direitos Fundamentais. Já depois da sua longa e brilhante carreira de magistrado, o Conselheiro Vera Jardim desempenhou as funções de Presidente da Comissão de Eleições, sendo mesmo o primeiro Presidente daquele órgão, numa altura em que, ao darem-se os primeiros passos na organização de eleições democráticas em Portugal, a intervenção da Comissão Nacional de Eleições se revelou da maior importância, designadamente na pedagogia cívica que conduziu à correcção e serenidade com que decorreram, de uma forma geral, os actos eleitorais no País.
Por tudo isto, desejo publicamente apresentar, em meu nome e no da equipa autoral, o nosso pedido de desculpas à família do Conselheiro Vera Jardim. Acrescento que, na próxima edição da obra, este erro, bem como outras imprecisões entretanto detectadas na lista dos réus serão rectificados com as devidas explicações, uma vez que alguns deles se prendem à informação (não) constante das fontes que nem sempre é possível detectar ou mesmo rectificar.

Fernando Rosas

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