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Foi liberto nesta data, depois de 27 anos de prisão.

A ler: “Nelson Mandela ha evitado la desintegración de Suráfrica”

(imagem via jpt no ma-shamba)

Subscrito por todos os partidos.

Em El País:

«La aberración histórica de que herederos ideológicos del franquismo sienten en el banquillo al juez que intentó investigar los crímenes de aquel régimen, a demanda de familiares de víctimas que todavía yacen en fosas comunes, lleva camino de consumarse. Como si entráramos en el túnel del tiempo o el pasado más oscuro retornara, el juez del Tribunal Supremo Luciano Varela, instructor de las querellas por prevaricación formuladas por el sindicato Manos Limpias y la asociación Libertad e Identidad, ha concluido que hay motivos para enjuiciar a Baltasar Garzón por abrir una causa penal contra el franquismo. Ironía máxima: está pendiente de resolver otra del mismo tenor nada menos que de Falange Española.(…)
Sólo faltaba que en este asunto Garzón quedara como un intérprete falsario de la voluntad democrática de los españoles, y quienes se han querellado contra él como los auténticos intérpretes de esa voluntad.»

A ler: um artigo de Antonio Muñoz Molina, no Babelia de hoje, a propósito da abertura ao público de dezasseis volumes de documentos sobre os anos da Revolução Cultural.

No próximo dia 19 de Fevereiro, sexta-feira, pelas 17h00, nas instalações da Fundação Inatel em Setúbal (Casa Carlos César – Praça da República), o Governador Civil do Distrito de Setúbal, Dr. Macaísta Malheiros, vai atribuir quatro Medalhas de Mérito Distrital, uma das quais a Vítor Wengorovius que nasceu naquela cidade.

Morreu ontem à noite mais um grande lutador antifascista em Portugal.

É na Juventude Operária Católica, aos 17 anos, que Manuel Serra toma consciência da pobreza, repressão e injustiças que o rodeiam – o motor de arranque para uma longa e agitadíssima caminhada.

Já como oficial da marinha marcante, integra-se na corrente mais extremista da campanha de Humberto Delgado para a presidência da República, em 1958, onde defende o recurso à luta armada para o derrube do regime.

Na noite de 11 para 12 de Março, chefia os civis no falhado Golpe da Sé, sendo detido e levado para o Aljube onde permanece seis meses, depois de cinco dias de tortura de sono. Numa primeira fuga espectacular, sai pelo seu pé do Hospital Curry Cabral onde se encontrava internado: vestido de padre, segue directamente para a embaixada de Cuba em Lisboa, onde pede asilo. Apesar de vigiado em permanência por quatro agentes da PIDE, chefiados por Rosa Casaco, estuda um novo plano de fuga, muda de visual muito rapidamente, cortando o cabelo e a barba, e aproveita uma mudança de turno para, uma vez mais, sair em pleno dia para a embaixada do Brasil, já que o seu objectivo era precisamente juntar-se a Humberto Delgado naquele país.

Parte em Janeiro de 1960 e começam então os preparativos para o que viria a culminar no golpe de Beja, em 1 de Janeiro de 1962. Depois dos factos que são do conhecimento público, Manuel Serra tenta esconder-se no sul do país, mas acaba por ser detido em Tavira. Segue-se então um mês de grande violência, com tortura de sono e espancamentos, um julgamento com condenação a dez anos de prisão e longas estadias em Peniche e em Caxias. Liberto no início de 1972, é ainda detido por um curto período em Novembro de 1973.

Tudo somado, quase doze anos passados em prisões da PIDE.

A seguir ao 25 de Abril, é um dos fundadores do MSP (Movimento Socialista Popular) que mais tarde se integra no Partido Socialista com grupo autónomo, mas divergências internas precipitam a saída, em Janeiro de 1975, para a criação da FSP (Frente Socialista Popular). No quadro deste pequeno partido, participa nas campanhas de Otelo Saraiva de Carvalho para a presidência da República. Em 1980, foi um dos fundadores da FUP (Força de Unidade Popular).

Ontem, tudo acabou. Ficará na história dos belos lutadores da resistência em Portugal, que aliaram a coragem à aventura e até ao prazer do risco. Na memória dos que o conheceram pessoalmente, restará um enorme sorriso e um coração do tamanho do mundo – será sempre assim que o recordarei.

   
(Fotografia e fonte para a elaboração deste texto: Rui Daniel Galiza e João Pina, Por teu livre pensamento. Histórias de 25 ex-presos políticos portugueses, Assírio & Alvim)

A ler: um interessante artigo, publicado hoje no suplemento Babelia de El País.

«La igualdad que los revolucionarios consagraron como principio universal ha inspirado las luchas de los individuos que fueron inicialmente excluidos de ella, en un largo recorrido que ha llevado desde la abolición de la esclavitud al reconocimiento de los derechos de las mujeres. Los derechos humanos fueron (…) una invención; pero una invención que sigue surtiendo efectos tres siglos después.»

Um excelente dossier:
Viaje al Holocausto

Recebemos a seguinte carta do Núcleo em Lisboa do PT [Partido da Terra]

Por favor divulguem.
Eu estava lá e acho que são uns covarde que não aceitam a democracia e nossos heróis como Carlos Marighela.

   
Companheir@s

Ontem, dia 15 de janeiro de 2010, houve uma ameaça de bomba no prédio da Caixa Cultural, no centro do Rio de Janeiro, durante um evento em homenagem à Marighella e aos combatentes mortos/desaparecidos durante a ditadura militar.

O evento foi organizado pelos respectivos grupos: Grupo Tortura Nunca Mais/RJ, Marighella Vive e Exposição Marighella. O ato teve início com a exibição do filme do Sylvio Tendeler sobre Marighella, seguido de debate. Em seguida, seria iniciada uma homenagem aos companheiros que tombaram à época da ditadura, quando chegou o aviso para todos deixarem o recinto, (eram mais de 100 pessoas), porque a administração do prédio recebeu um comunicado que haviam colocado uma bomba no local.

A maioria dos presentes permaneceu por algum tempo no auditório para assistir a entrega de diplomas as famílias de alguns militantes: Sônia (neta de Cléia Moraes) recebeu em nome da família a homenagem à Sônia Moraes Angel Jones; Zilda Xavier por seus filhos Yuri e Alex Xavier; Ana Müller em nome da família de Mário Alves; Victória Grabois por seu pai Maurício Grabois,seu irmão André Grabois e seu marido Gilberto Olímpio.

Companheir@s a ameaça que nos fizeram é muito grave, temos que divulgar o ocorrido e denunciar esta atitude fascista para todos os órgãos de governo, sindicatos, entidades da sociedade civil organizada, etc.
Aqueles que tiverem contato com jornalistas devem procurá-los para divulgar este ato indecoroso contra a democracia.
O Globo emitiu uma notinha na seção de Notas – pág 13, muito incipiente.

Saudações fraternais,
Victória Grabois

   
P.S. – A curta notícia em O Globo

Quem foi Carlos Marighella.

  
Chegado ao poder em 5 de Julho de 1932, Salazar cuidou de preparar a base constitucional e legislativa do Estado Novo. A Constituição de 1933 incluia, no artigo 39º, a proibição da greve e do lock-out – já constante do Decreto-Lei nº 13.138 de 15 de Fevereiro de 1927 e reafirmada no artigo 9º do Estatuto do Trabalho Nacional (Decreto-Lei nº 23.048 de 23 de Setembro de 1933). O Decreto-Lei nº 23.050 de 23 de Setembro de 33 vai por sua vez instituir o princípio do Sindicato único.
E é contra este edifício legislativo, contra a “fascização” dos sindicatos e a ilegalização das organizações existentes, que se prepara, para o dia 18 de Janeiro do ano seguinte (1934), uma “greve geral revolucionária”.
Na véspera, no entanto, a PVDE prende alguns dos principais dirigentes sindicalistas e outros activistas ligados ao movimento. Ainda assim, em Lisboa, na noite de 17, explode uma bomba no Poço do Bispo e e o caminho de ferro é cortado em Xabregas, enquanto que, em Coimbra, explodem duas bombas na central eléctrica. Há ainda movimentações em diversos outros pontos do país, como Leiria, Barreiro, Almada, Sines e Silves, sendo a mais forte na Marinha Grande, onde grupos de operários ocupam o posto da GNR e os edifícios da Câmara Municipal e dos CTT.
A repressão não se faz esperar. Diversos participantes do 18 de Janeiros estão entre os prisioneiros que inaugurarão, dois anos depois, a colónia penal do Tarrafal, onde vêm a morrer Pedro Matos Filipe, Augusto Costa, Arnaldo Simões Januário, Casimiro Ferreira, Ernesto José Ribeiro, Joaquim Montes, Mário Castelhano, Manuel Augusto da Costa e António Guerra.

  
Aproveitamos para divulgar hoje algumas páginas do Diário de Lisboa, que relatam os acontecimentos e as reacções oficiais à tentativa insurreccional ocorrida há 75 anos.

DL, 18/1/1934 – (1), (2) e (3)

DL, 19/1/1934 – (1) e (2)

(Documentos da Fundação Mário Soares)

 
A Nota Oficiosa emitida pelo Ministério do Interior é bem reveladora da gravidade dos factos:
«Pelos relatos dos jornais viu o país os sucessos das últimas vinte e quatro horas. Por eles poderá facilmente supor os que haveria, se o governo, conhecendo bem os preparativos da acção, não tivesse tomado as medidas requeridas pelas circunstâncias. Cessação do trabalho nas fábricas, paralisação de serviços de interesse colectivo e vitais para a população, atentados pessoais e manifestações de terror estavam previstos por parte de elementos que supunham poder arrastar para a projectada revolução social as massas trabalhadoras.
A apreensão de armamento, a oportuna prisão dos principais dirigentes e instigadores, a apertada vigilância exercida por todos os elementos e forças de segurança pública, do Exército e da Armada, a consciência cívica do País e o magnífico espírito de ordem dos trabalhadores em geral fizeram fracassar por toda a parte os planos extremistas em condições de não ser já possível a sua repetição. Não foi perturbada a tranquilidade pública nem a vida normal da população. Seguem-se agora naturalmente as sanções.

(Continuação nesta página do Diário de Lisboa.)

«Foi inaugurado no Chile o Museu da Memória, onde são lembrados os crimes cometidos durante a ditadura de Augusto Pinochet, entre 1973 e 1990, em que morreram ou desapareceram 3200 pessoas e mais de 28 mil foram torturadas. Uma inauguração a poucos dias das eleições que, no domingo, deverão marcar o regresso da direita ao poder no Chile.»

Por ocasião da morte de Daniel Bensaïd, a revista «Mouvements» republicou uma longa entrevista que teve lugar em 2006: Quand l’histoire nous désenchante

(Via Sandra Monteiro no Facebook)

Daniel Bensaïd participou num colóquio organizado em Lisboa pelo Instituto Franco-Português, em Abril de 2008, a propósito do 40º aniversário dos acontecimentos de Maio 68.

No próximo dia 13 de Janeiro, a UMAR celebra os 35 anos da primeira manifestação feminista, em Portugal, convocada pelo MLM (Movimento de Libertação das Mulheres) com uma concentração no Parque Eduardo VII.

A UMAR apela à participação de todas as pessoas que querem lembrar um feminismo silenciado no passado e celebrar os feminismos que nos ajudarão a fazer as revoluções do presente!

Esta iniciativa recordará este momento histórico e assinalará o local como um dos futuros pontos dos Roteiros Feministas na cidade de Lisboa.

Às 12.30h juntemo-nos às feministas no canto superior direito do Parque Eduardo VII, frente ao n.º 28 da Av. Sidónio Pais.

Vamos levar uma peça de roupa roxa, colorir o Parque de feminismos, ouvir as histórias das feministas que se manifestaram naquele local, em 1975, e conviver ao som de música feminista!

 
Um texto de Jorge Martins (*)

 
Uma das formas de dinamizar o Núcleo Museológico do Posto de Comando do MFA (NMPC) é fazer jus à simbologia daquele espaço, implementando a realização anual de um ciclo de conferências sobre a ditadura (1926-1974), a resistência antifascista e das oposições democráticas e o 25 de Abril de 1974. A censura, a guerra colonial, a PVDE/PIDE/DGS são alguns dos temas incontornáveis para que não se apague a memória do Salazar-marcelismo, pois as novas gerações correm o risco de não fazerem a mínima ideia do que era viver em ditadura e assim estarem avisadas para que não permitam que volte a acontecer.

As comemorações do Centenário da República, que no próximo ano inundarão a sociedade portuguesa com múltiplas iniciativas, seriam um óptimo pretexto realizar o 1º Ciclo de Conferências do Posto de Comando do MFA. Que melhor começo do que promover o debate sobre a República Democrática e a sua substituição por uma ditadura militar?

O NMPC tem um belíssimo auditório para lá se realizarem essas conferências. Cabe à Câmara Municipal de Odivelas a responsabilidade de as promover e organizar. Desta forma, para além de estar a contribuir para a formação cívica das novas gerações, poderia proporcionar o diálogo de historiadores e protagonistas da resistência antifascista e dos Capitães de Abril com a população do nosso concelho, designadamente com os nossos estudantes.

Para o convite aos conferencistas, não seria difícil a proposta de parcerias com os centros de estudos históricos das universidades, com o Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra, com a Associação 25 de Abril, com associações cívicas como o Movimento Cívico Não Apaguem a Memória e a União dos Resistentes Antifascistas Portugueses.

 
(*) Biografia de Jorge Martins

Um texto de José Medeiros Ferreira no seu novo blogue «Córtex Frontal»

Brasil - Exposição «Direito à Memória»

CES-Lisboa/CIUL
Picoas Plaza, Rua do Viriato, nº 13 (estação de metro Picoas)
3 de Dezembro de 2009 a 31 de Janeiro de 2010, das 10:00 às 20:00.

 
Apresentação

O CES acolhe, nas suas instalações em Lisboa, a exposição fotográfica “Direito à Memória e à Verdade”, organizada pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República do Brasil.

A exposição, concebida originalmente para comemorar os 27 anos da promulgação da Lei da Amnistia do Brasil, foi aberta ao público, pela primeira vez, em Agosto de 2006, na Câmara dos Deputados em Brasília.

Segundo o Ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República do Brasil, Paulo de Tarso Vannuchi, “a exposição traz uma ambientação sonora e visual que conduz o público numa ‘Viagem no Tempo’ […] até aos anos da ditadura no Brasil. A exposição é mais uma forma de conhecer o que aconteceu nesse lamentável período da vida republicana brasileira. Só de posse desse conhecimento o Brasil saberá construir instrumentos eficazes para garantir que as violações dos direitos humanos, ocorridas durante a ditadura, não se repitam nunca mais”.

 
Um texto de Jorge Martins (*)

 
A placa voltou à fachada da ex-sede da PIDE/DGS e não voltou! Na verdade, se olharmos com alguma atenção (ver fotos), reparamos que há detalhes que estarão na origem deste gesto da imobiliária. Quer dizer, decidiu devolver a placa ao edifício, mas não foi ingénua a sua localização. Assim, tentou evitar um mal maior para o condomínio (que não está descartado) e colocou a placa de forma invisível e inócua.

Esclarecendo: a placa foi estrategicamente colocada num local onde não se vê, longe da porta principal. Vêem-se na foto os botões de chamada dos residentes, mesmo ao lado da coluna onde estava originalmente a placa. Sendo colocada na coluna ao lado, distante da porta principal (nº 20), procurou evitar-se o incómodo dos residentes e seus visitantes de depararem com a placa frente aos seus olhos. Já imaginaram o “incómodo” dos residentes que entrassem por aquela porta e tivessem que recordar que vão entrar naquele tenebroso local de outrora, sem duques nem princesas? Pois é isso mesmo que queremos: que quem lá venha a viver não esqueça o sítio onde vai dormir todas as noites!

Já aqui foi sublinhado que a placa está abaixo do nível dos olhos. Ninguém, que não lá vá com esse propósito expresso, descobrirá a placa. Ora, justamente, a placa está lá para quem não sabe que ali funcionou a sede da polícia política e não para agrado dos que já sabem. A placa precisa ser descoberta pelo vulgar turista, pelo descuidado transeunte, pelo cidadão interessado pela história do seu país. Onde está neste momento só a vê quem a quer ver!

Finalmente, um detalhe de importância maior. A placa foi restaurada, mas “esqueceram-se” de um pormenor decisivo: as letras não foram pintadas, pelo que se tornaram invisíveis. Só mesmo em cima da placa (com ela pela cintura, por isso de difícil leitura) é que se consegue ler a inscrição.

Tudo muito bem “resolvido” pela imobiliária, que, depois de se ter “esquecido” de a recolocar, a colocou de forma invisível. Em consequência, a placa, de facto, não está lá!

As fotos antigas mostram inequivocamente o local onde estava a placa quando a imobiliária a retirou. Há duas exigências a fazer à imobiliária: a sua restauração completa, pintando as letras para que sejam legíveis e a sua recolocação no seu devido lugar. Em último caso, se a imobiliária achar que não tem a obrigação de a repintar, não faltará certamente quem o queira fazer.

Infelizmente, a Câmara Municipal de Lisboa parece não se querer envolver no assunto. Faz mal! É em momentos como este que os poderes públicos devem dar a cara. É isso que esperamos dos políticos que elegemos. Já passou tempo suficiente para que a CML se pronunciasse sobre a questão. Depois de resolvida a questão, não nos serve para nada.

 

(*) Biografia de Jorge Martins

Expressámos, hoje, por telefone, ao Dr. Fernando Gomes da GEF – Gestão de Investimentos Imobiliários, a nossa indignação pelo não cumprimento da promessa que nos havia sido feita de que a placa evocativa das últimas vítimas da ex-PIDE/DGS seria colocada no mesmo lugar de onde havia sido retirada antes das obras.

Foi-nos dito que iriam averiguar o que se tinha passado e que, por razões da quadra festiva, voltássemos a contactar a empresa no próximo dia 4 de Janeiro.

Deixámos claro que não nos resignaríamos com a alteração do local de afixação da placa, que têm sido inúmeros os protestos contra as tentativas de apagamento da memória daquele sinistro local, sendo certo que iríamos lutar, por todos os meios ao nosso alcance, para manter viva a memória de tantas portuguesas e portugueses que lutaram e morreram pela liberdade.

 
Na fotografia, a placa tal como está agora colocada.

Faria 100 anos em Junho 2010. Foi criado um blogue, com o seu nome, que se destina a preparar as comemorações e que está já a difundir informação muito interessante.

 
Um texto de Jorge Martins (*)

Um dos problemas com que sempre se debateu o projecto do Núcleo Museológico do Posto de Comando do MFA foi o da inexistência de uma pequena equipa da Divisão de Cultura da Câmara Municipal de Odivelas que se dedicasse exclusivamente à programação e coordenação das actividades daquele espaço privilegiado do património histórico do concelho (e do país). Bastava destacar dois dos técnicos da Divisão de Cultura da CMO, que têm estado há muito ligados ao projecto, para que tudo fosse diferente. Destinar-lhes o trabalho de acompanhamento das visitas ao Posto de Comando, designadamente das escolas, não chega.

Obviamente, a tutela militar do espaço não facilita a movimentação desses técnicos, mas toda a gente sabe que o Regimento de Engenharia 1 tem tido comandantes muito dialogantes com a autarquia e que, sempre que a CMO precisa, as portas estão abertas. Falta à câmara apostar no Posto de Comando como elemento de superior importância estratégica cultural do concelho.

Nada impede a CMO de dar esse passo. A forma organizativa da intervenção autárquica no Posto de Comando só depende da própria câmara. Para o RE-1, tanto faz que haja dois técnicos que lá vão quando há visitas de estudo, como que haja dois técnicos que têm responsabilidades maiores na programação de actividades regulares, na articulação com as escolas, na produção de materiais didácticos, enfim, na dinamização do Núcleo Museológico do Posto de Comando do MFA.

Será que a nova vereação vai olhar com outros olhos para o Posto de Comando e tem a coragem de assumir uma responsabilidade maior, ou vai deixar tudo como nos últimos oito anos? Espero, sinceramente, que pense no Posto de Comando como uma prioridade cultural do concelho de Odivelas.

(*) Biografia de Jorge Martins

Paço do Duque coloca Placa sobre a PIDE em local quase invisível

No seguimento do comunicado do NAM, aqui noticiado, passei hoje propositadamente pela Rua António Maria Cardoso, com o objectivo de verificar se a GEF-Gestão de Fundos Imobiliários, SA tinha cumprido o prazo para recolocação da placa. Já me vinha embora sem nada ver quando, quase por mero acaso, a descobri.

Bem à vista no passado, está agora, como a fotografia mostra (canto inferior direito), perto no chão e encoberta pelos carros estacionados.

Independentemente do que o NAM vier a decidir fazer, acabo de enviar o meu protesto, a título pessoal, para a imobiliária gef@gef.pt. Juntar-me-ei a todos os que quiserem levar esta batalha até ao fim: no mínimo, a placa tem de ser recolocada com a mesma visibilidade que tinha anteriormente. Para além de tudo o mais, não gosto de ser tomada por parva.

P.S. – Foi criada uma Causa no Facebook: «Exigir que a placa na sede da PIDE regresse ao seu lugar!». Quem estiver registado, pode aderir aqui.

Um texto de Jorge Martins (*)

Um povo sem memória é um povo sem identidade. Uma comunidade que não cuida do seu património histórico é uma comunidade que não o merece. O Posto de Comando do MFA é, sem qualquer sombra de dúvida, o local mais emblemático do 25 de Abril. Foi daquele barracão (há 8 anos transformado em núcleo museológico), que os Capitães de Abril comandaram as operações vitoriosas de 1974. Que mais fazer para dignificar aquele espaço, preservar a memória do 25 de Abril e projectar a imagem do Concelho de Odivelas?

 
Agora, que temos nova vereação na Câmara Municipal de Odivelas e novo Vereador da Cultura, abrindo um novo ciclo autárquico, não se pode perder a oportunidade para dar um novo impulso ao Núcleo Museológico do Posto de Comando do MFA (NMPC).

Temos que reconhecer que, desde a sua inauguração em 24 de Abril de 2001 pouco se acrescentou ao legado de há oito anos e meio. Do balanço positivo, pode destacar-se o projecto “O Dia 25 no Posto de Comando”, que permitiu levar lá figuras públicas e protagonistas do 25 de Abril ou da resistência à Ditadura, em diálogo com os alunos das escolas do concelho. Pena é, que tenha tido uma vida intermitente. A reutilização de uma das salas (prevista inicialmente para ser uma sala de estudo do 25 de Abril), que tem alojado exposições temporárias, também constituiu um acréscimo às potencialidades do NMPC. O esforço junto das escolas para levar os alunos do concelho a visitar o Posto de Comando também tem sido uma preocupação dos responsáveis, mas não chega. Finalmente, e em abono da verdade, deve reconhecer-se a competência e a acção, desde 2001, dos técnicos da Divisão de Cultura, com destaque para o Dr. Miguel Ferreira.

Mas, se olharmos objectivamente para estes últimos oito anos, o essencial pouco mudou. O NMPC não deu nenhum passo significativo no sentido da criação de um serviço próprio que dinamizasse aquele espaço, que o dotasse de recursos diversificados (o filme que lá se vê é o mesmo de há oito anos), que produzisse os seus próprios materiais, que adoptasse um plano de actividades que passasse pelas escolas do concelho e de fora dele (a projecção exterior do NMPC não se consolidou). Em suma, tal como se adivinhava há oito anos, é indispensável disponibilizar dois ou três técnicos para organizar, programar, produzir e divulgar as actividades regulares do NMPC.

Tal como fiz há cinco anos junto do Vereador da Cultura de então, deixo aqui algumas sugestões sobre o que se podia fazer em prol da dignificação de um dos mais nobres recursos patrimoniais do Concelho de Odivelas:

1)      A Divisão de Cultura deveria destacar dois técnicos seus para se dedicarem ao Posto de Comando. Como o espaço é da tutela do Regimento de Engenharia nº 1, não se pode dar autonomia ao NMPC, o que seria o ideal.

2)      Elaboração de um Plano Anual de Actividades, por esses técnicos, que passe pelos seguintes aspectos:

a)      Instituição de um serviço educativo, que estabeleça contactos permanentes com as escolas, com ofertas e projectos renovados;

b)      Gravação, no Posto de Comando, de entrevistas em vídeo sobre os acontecimentos ali ocorridos, aos operacionais que lá estiveram em 25 de Abril, aos Capitães de Abril que por ali passaram e a protagonistas da Resistência e do 25 de Abril. O registo das sessões já realizadas constituiria um recurso importante;

c)      Produção de novos recursos, designadamente para os alunos que lá vão mais de uma vez em anos diferentes. Os alunos podem visitar o NMPC no 1º Ciclo, no 6º ano, no 9º ano e no 12º ano, pois os programas de História tratam o tema. As entrevistas acima referidas dariam óptimos filmes para ali passar.

d)     Diversificação dos recursos, de acordo com os níveis etários e curriculares dos alunos que visitam aquele espaço. Não se pode insistir em dar aos alunos do 1º Ciclo o mesmo que se dá aos do ensino superior;

e)      Criação de uma linha editorial para publicação de pequenos episódios e biografias de protagonistas da Resistência e do 25 de Abril, assim como outros materiais didácticos, para distribuição pelas escolas do concelho e destinados a trabalhar com os seus professores, designadamente os de História, nos anos em que os temas são abordados pelos programas escolares;

f)       Organização, no auditório do NMPC, de um ciclo anual de conferências em torno da Ditadura (polícia política, repressão, guerra colonial, resistência, censura, subdesenvolvimento) e do 25 de Abril (revolução, liberdade, descolonização, PALOPSs, União Europeia).

3)      Outro aspecto importante quanto ao NMPC é o seu reconhecimento e classificação enquanto património nacional. Um primeiro passo significativo, seria a classificação, pela Câmara Municipal de Odivelas, do Posto de Comando como Imóvel de Interesse Municipal, tal como fez para o Velho Mirante, também da Pontinha.

Aqui fica o desafio à Presidente da Câmara Municipal de Odivelas e ao Vereador da Cultura.

(*) Biografia de Jorge Martins

A propósito do 130º aniversário do seu nascimento, defensores dos direitos humanos na Rússia exijam que os crimes de Estaline sejam valorizados. A ler, um artigo em Público.es.

Dado que a carta enviada pela direcção do movimento «Não apaguem à Memória»  à empresa GEF-Gestão de Fundos Imobiliários, SA, responsável pelas obras do condomínio de luxo no edifício ex-sede da PIDE/DGS, recebida a 4 de Dezembro p.p., para pedir explicações sobre a retirada da placa evocativa das últimas vítimas da PIDE não obteve resposta, contactámos por telefone, no passado dia 16, a administração da empresa.

Na conversa havida com o Dr. Fernando Gomes, membro do Conselho de Administração da GEF, deixámos claro que se não houvesse uma resposta favorável à nossa exigência de recolocação da placa, desencadiaríamos uma série de acções de protesto que seriam definidas na reunião de Direcção do NAM agendada para ontem, 17 de Dezembro.

Fomos informados pela administração da empresa, pouco antes do início da nossa reunião, que a placa seria recolocada no mesmo local de onde fora retirada, alegamente apenas por motivos de obras, dentro de 4 ou 5 dias.

A direcção do NAM decidiu aguardar até ao fim deste mês o cumprimento desta promessa.

(Será enviado ligação para este texto à empresa GEF)

 
(Contributo de Lúcia Ezaguy)

Mail recebido do Brasil

 
CLIQUE, ASSINE E DIVULGUE

Hoje é dia da Justiça e do lançamento da Campanha Contra a Anistia aos Torturadores.
Os crimes praticados durante a ditadura são crimes contra a humanidade e nesta medida não podem ser anistiados.
Em breve o Procurador Geral da República apresentará parecer sobre a matéria na ação (ADPF nº 153) que tramita no Supremo Tribunal Federal, que em sua decisão estabelecerá um novo marco de democracia para o país.

Pela importância desta decisão, o Comitê Contra a Anistia aos Torturadores, estabeleceu, num primeiro momento, que faremos uma “petição on line”.
Precisamos a maior adesão possível de pessoas ou entidades.
Precisamos que todos enviem mensagem para todos os contatos possíveis e imagináveis, do Brasil e de fora, para :
a) informar da campanha ( o texto esta em português, inglês e espanhol)
b) pedir subscrição de pessoas e entidades
c) pedir para colocar o banner da campanha ( abaixo) em sites para a maior divulgação possível.

Saudações

Comitê contra a anistia dos torturados,
uma iniciativa da associaçao de juizes pela democracia,
em 08 de dezembro de 2009

 
P.S. – Mais informações aqui e aqui.

Um artigo em El País de hoje: Ucrania desvela los secretos de la URSS – Kiev abre os arquivos da época soviética aos investigadores e ao público.

No El País de hoje, 1977 – sobre as mortes recentes de Jordi Solé Tura e de Pedro Altares e não só: «tan necesario como el recuerdo es el deber civil de contar lo que uno vio con sus propios ojos a quienes han venido después».


   (Clicar na imagem para ler)
 
Um texto de Jorge Martins (*)

 
Tal como eu previa em 4 de Março deste ano, num alerta publicado nos «Caminhos da Memória», a placa de homenagem às últimas vítimas da PIDE foi discretamente retirada no decurso das obras do condomínio de luxo do Paço do Duque. A ideia era fazer que caísse no esquecimento. E caiu. Já lá vão alguns meses e o “esquecimento” pegou.

Corrijo, cairia no esquecimento se alguém com memória, que por lá passasse, não se indignasse com a surpresa do desaparecimento do derradeiro sinal da existência daquela tenebrosa polícia política. Com efeito, em visita ao local para recordar a sua intervenção de ocupação da sede da PIDE/DGS no dia 25 de Abril de 1974, os comandantes Carlos de Almada Contreiras e Luís da Costa Correia, acompanhados pela professora Luísa Tiago de Oliveira, historiadora do ISCTE, nem queriam acreditar no que (não) viam: a placa desaparecera sem deixar rasto. A professora, fundadora do NAM, contactou com a direcção desta Associação, que reuniu e desencadeou algumas acções no sentido de saber o que se está a passar.

Não podemos ficar calados e quietos! Há que exigir, a quem de direito, que a placa regresse ao seu lugar. E, quanto a este, há que verificar se foi sempre o mesmo que se vê na foto acima. Em todo o caso, não há dúvidas quanto ao local onde estava quando as obras do Paço do Duque se iniciaram. E, como se pode constatar, não foi recolocada.

Para além das diligências junto de entidades inquestionavelmente interessadas na preservação da memória da PIDE, a acção cívica é indispensável para as pressionar. Que a “vida nova” prometida pela publicidade do Paço do Duque não faça esquecer a “vida velha” daquele edifício. Não há que temer a assunção das nossas memórias colectivas. Mesmo (ou sobretudo) as nossas piores memórias. Quem estiver disposto a habitar um daqueles apartamentos onde ecoam os gritos dos antifascistas torturados durante décadas, não se importará com uma mera placa evocativa das últimas vítimas dos seus carrascos, colocada à entrada do condomínio.

Não vamos baixar os braços e deixar passar mais este atropelo à dignidade de quem nos proporcionou a capacidade de nos indignarmos em liberdade. Vamos ganhar esta batalha contra o esquecimento. Em nome do futuro, não apaguem a memória!

 
(*) Biografia de Jorge Martins

Tem agora um site, criado pelo Centro Nacional de Cultura.

Novas Perspectivas e Contradições (1900-1992)

Conferência Internacional
10 e 11 de Dezembro de 2009

(Clicar na foto para ler o Pragrama)

«La democracia trajo a España, en 1931, el sufragio universal, un espejismo de igualdad al que Franco puso fin con un golpe de Estado cinco años más tarde.»

No Público.es de hoje.

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