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O texto que se segue contém excertos de uma carta de Liz Sevcenko, publicada no jornal  Herald Tribune, de 23.12.2008.
 

«A memória é um terreno central sobre o qual se constroem e asseguram no futuro as democracias. A inextricável relação entre a história e os direitos humanos vem sendo cada vez mais reconhecida por instituições locais e internacionais. Comissões de Verdade e Reconciliação em muitos países vêm exigindo espaços de memória e confrontando os aspectos mais difíceis e sensíveis da história das nações, reconhecendo nesse labor um requisito fundamental duma sociedade aberta. 

Todos os governos são responsáveis por manter um acesso aberto ao passado dos povos. Não se trata apenas de decidir se os arquivos devem ser abertos ou manter-se fechados e ocultos. A democratização da história – e usar a história para sustentar uma democracia saudável – exige fóruns públicos que permitam às pessoas lidar abertamente com o passado, em todos os seus aspectos de desonra e glória. 

Apagar a memória dum passado de repressão politica e de resistência contribui fortemente para aceitar culturas de repressão no presente. Pelo contrário, criar espaços de debate e reflexão sobre esse passado, em todos os seus aspectos e consequências no presente, pode ajudar a construir uma cultura de militância democrática. O tratamento que cada nação dá ao seu passado necessita de ser tomada a sério como uma indicação segura de compromisso com os direitos humanos.»

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Morreu ontem o António Alçada. Não o via há uns anos desde que, em seguida a um encontro casual à volta duma bica, ficámos a falar do mundo, dos homens, do passado e, sobretudo, das pessoas, dos seus sonhos e frustrações. 

Não me foi possível ir despedir-me dele. Infelizmente à mesma hora tinha a despedida doutro amigo dos bancos da faculdade. Por isso me lembrei de me despedir assim – lembrando-o nos «Caminhos». 

Para alguns da minha geração e dum certo percurso no catolicismo, o António teve, no final dos anos cinquenta e na primeira metade dos sessenta, uma influência positiva e diria mesmo decisiva. 

A Morais, ainda então na baixa (Rua da Assunção? só anos depois veio para o Largo do Picadeiro) era um refúgio e um alfobre de ideias, de cultura e sobretudo de descoberta que nos ajudou, das formas mais diversas, a crescer nas convicções mas também nas dúvidas (e que tantas eram..) 

Eram os anos ainda anteriores e sobretudo os que se seguiram à «crise», outra crise bem diferente da actual, que em 62 ganharia muita juventude universitária para a oposição ao regime. Gente vinda dos mais diversos sítios mas também  da JUC e doutros centros de reflexão e activismo católicos e que encontraram naquele espaço e naquele convívio como que a continuidade do que viveram na universidade, com uma amizade e uma abertura muito pouco usuais hoje e, certamente, muito raras naquela altura. 

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