Um texto de Luísa Tiago de Oliveira (*)
Com o 25 de Abril em Portugal, inicia-se uma nova vaga de revoluções democráticas na Europa e no mundo, como têm sublinhado inúmeros historiadores e cientistas sociais.
Nos países a braços com ditaduras, o desejo de mudança e a inspiração «portuguesa» são reclamadas por movimentos de oposição, havendo manifestações onde se pedem «portugaladas» como na Grécia, envolta na ditadura dos coronéis, ou situações em que os militares democráticos são chamados os «portugueses» como na América Latina.
A esperança, avivada pela revolução portuguesa, foi também um dos sentimentos que o 25 de Abril desencadeou em sectores da sociedade espanhola.
É neste contexto que, no país vizinho, alguns militares anti-franquistas constituem a Unión Militar Democrática no Verão de 1974, procurando e conseguindo contactos com militares do MFA.
Num país em que existia a pena de morte, aliás posta em prática meses mais tarde, quando militantes nacionalistas bascos são executados pelo garrote, os militares da Unión Militar Democrática arriscaram. Presos vários dos seus principais dirigentes em Julho de 1975 e morrendo Francisco Franco em Novembro desse ano, a Unión Militar Democrática viu a seu percurso muito perturbado. Julgados em Conselho de Guerra em 1976, os militares presos foram condenados e afastados das Forças Armadas espanholas por largos anos, dissolvendo-se a organização a que pertenciam em 1977.
A própria existência da Unión Militar Democratica, que terá agrupado cerca de duas centenas de militares, independentemente da sua força, desconhecida para o regime, quebrou a imagem de apoio unânime das forças armadas ao regime franquista e, assim, contribuiu, para a disseminação e a legitimização da ideia de mudança.
Tal como aconteceu com a Guerra Civil de Espanha, que hoje representa um espaço de combates pela memória essencial na sociedade espanhola após décadas de silêncio, também sobre as lutas e os movimentos antifranquistas apenas há poucos anos se levantou o manto da denegação, do esquecimento ou da desvalorização. Entre estes movimentos, está o desta organização política de militares, largamente ignorados na transição para a Democracia, sobre cuja acção se começa agora a falar.
Foi assim que, a convite da Associação 25 de Abril, estiveram em Portugal, para participar mas comemorações, alguns dos militares da Unión Militar Democrática como o Major Luis Otero Fernandez, o Capitão José Fortes Bouzan, o Capitão Fernando Reilein, presos a 29/7/75, e o Capitão José Ignacio Dominguez Martin-Sanchez, nesssa data ausente de Espanha e que depois se exilou em Portugal por alguns meses.
No dia 24, visitaram os principais locais dos eventos revolucionários em Lisboa (como o Posto de Comando do MFA da Pontinha, o Terreiro do Paço, o Quartel do Carmo, os vestígios da sede da PIDE/DGS na Rua António Maria Cardoso), seguindo-se um jantar comemorativo na Escola Prática de Cavalaria de Santarém, agora desactivada e, no dia seguinte, a participação nas comemorações do 25 de Abril.
Durante a sua estadia em Portugal, foi também assinado um protocolo de colaboração entre o Foro Milicia y Democracia, cujo objectivo consiste em recuperar e difundir a memória histórica da Unión Militar Democrática no âmbito da luta pela democratização em Espanha, com a Associação 25 de Abril, estreitando-se, assim, laços bastante esquecidos mas que se estabeleceram há 35 anos e que testemunham as diferentes vias de transição para a democracia nos dois Estados ibéricos.
(*) Biografia de Luísa Tiago de Oliveira
Quarta-feira, 29.Abr.2009
Militares de organização clandestina na Espanha franquista estiveram em Portugal neste 25 de Abril
Posted by Caminhos da Memória under História, Vária1 Comment
Segunda-feira, 04.Mai.2009 at 10:05:23
LA ASOCIACIÓN PARA LA RECUPERACIÓN DE LA MEMORIA HISTÓRICA DE EXTREMADURA (ARMHEX), se complace en invitarle al acto de presentación del libro:
BARRANCOS EN LA ENCRUCIJADA DE LA GUERRA CIVIL ESPAÑOLA.
de Maria Dulce Antunes Simões.
Intervendrán en el acto, además de la autora:
Francisco Espinosa Maestre, Historiador, y colaborador en el libro.
Moisés Cayetano Rosado, Director de la Revista de Estudios Extremeños, que presentará el libro.
Moderará el acto José Manuel Corbacho Palacios, Presidente de la ARMH de Extremadura
Jueves, 7 de MAYO de 2008 a las 20.00 h.
Museo Extremeño e Iberoamericano de Arte Contemporáneo
Salón de Actos
Calle Virgen de Guadalupe, 7 – 06003 Badajoz
ORGANIZA:
ASOCIACIÓN PARA LA RECUPERACIÓN DE LA MEMORIA HISTÓRICA DE EXTREMADURA (ARMHEX)
Barrancos forma parte de la mitología extremeña, como un referente que habla de la solidaridad y el respeto a la dignidad humana más allá de cualquier circunstancia. Pero no se trata de un mito, sino de un hecho real, sucedido durante los primeros meses de la Guerra Civil, cuando centenares de extremeños encontraron refugio en el pueblo de Barrancos, junto a la frontera portuguesa -la Raya- del sur de Badajoz. La antropóloga Maria Dulce Antunes Simôes, con la colaboración de Francisco Espinosa y Gentil de Valadares, estudia en su contexto este suceso, sus protagonistas individuales y colectivos, insistiendo en el fenómeno de comprensión y cercanía que, ante la violencia de la guerra, une a portugueses y españoles.
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INVITACION