« l’expression « fabrication de cadavres » suppose qu’il ne s’agit plus de mort au sens propre du terme, que la mort dans les camps n’est plus la mort, mais quelque chose d’infiniment plus scandaleux. A Auschwitz, on ne meurt pas, on produit des cadavres. Des cadavres sans mort, des nonhommes dont le décès est rabaissé au rang de production en série. Et cette dégradation de la mort constituerait justement… le scandale spécifique d’Auschwitz, le nom propre de son horreur. »
Tradução do italiano por Pierre Alferi.
In « Ce qui reste d’Auschwitz » de Giorgio Agamben (pag.77)
Rivages poche/Petite Bibliothèque
Extraído dum ensaio filosófico sobre o aviltamento que a “morte” tem sofrido nos nossos tempos, sobre isso e algo mais, aviltamento esse de que Auschwitz é uma nojenta manifestação, e uma vergonha dramática para todos nós, europeus, que, com o nosso anti-semitismo secular,“oferecemos” os judeus à fúria do racismo nazi.
Não sabia que havia um Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, mas ainda bem que há e que a sua evocação se faz ao nível da ONU, acontecendo poucos dias após da entrevista (em 22 de Janeiro) do bispo negacionista integrista Richard Williamson na televisão pública sueca SVT, curiosamente agora readmitido na Igreja Católica por Bento XVI.
Richard Williamson disse à SVT: «Não creio que tenham existido câmaras de gás. Acredito que 200 000 a 300 000 judeus morreram nos campos de concentração, mas nenhum em câmaras de gás».
O negacionismo esconde o anti-semitismo dos grupos de extrema direita europeus, mas também de alguns dos fundamentalistas islâmicos, como por exemplo as declarações do dirigente do Irão.
(Mas não confundo, de modo algum, a luta do Povo Palestiniano pelo seu território como uma luta anti-semita; não é o anti-semitismo que está na base dessa tensão com 60 anos).
Mas esta imensa tragédia da nossa história recente, que tem de ser constantemente recordada para que nunca mais se repita em qualquer parte do mundo, não é importante por terem sido os judeus os visados, mas pela destruição sistemática de um povo e da pessoa humana. Também foram visados os ciganos, no Holocausto, embora em menor número.
Impedir a xenofobia, venha ela donde venha e contra quem venha!
Además de los judíos, los nazis persiguieron también a otros grupos. Entre las primeras victimas de la discriminación nazi en Alemania estuvieron los oponentes políticos–primariamente comunistas, socialistas, demócratas sociales, y unionistas. En 1933, los nazis establecieron el primer campo de concentración, Dachau, como un centro de detención para prisioneros políticos. Los nazis también persiguieron autores y artistas cuyos trabajos consideraban subversivos o que eran judíos.
Aunque los judíos eran el objetivo principal, los nazis también dirigían el racismo a los gitanos roma. Las interpretaciones de las Leyes de Nuremberg de 1935 (que definían a los judíos por sangre) fueron luego adaptadas para incluir los roma. Los nazis calificaron los roma como no trabajadores y “asocial”–improductivos y inadecuados socialmente. Los Roma deportados al ghetto de Lodz estuvieron entre los primeros muertos en los camiones de gas en el campo de Chelmno en Polonia. Los nazis también deportaron los roma al campo de Auschwitz-Birkenau, donde casi todos de ellos murieron en las cámaras de gas.
Los nazis veían a los polacos y otros eslavos como inferiores, y los marcaron para subyugación, trabajos forzados, y eventual aniquilación. Los polacos que eran considerados ideológicamente peligrosos (incluyendo intelectuales y sacerdotes católicos) fueron el blanco de ejecución en una operación llamada AB-Aktion. La orden del Comisario Político marcó a oficiales de alto nivel en la Unión Soviética y el partido Comunista para su asesinato. Los prisioneros de guerra soviéticos recibieron tratamiento especialmente brutal; más de tres millones murieron durante las operaciones de los Einsatzgruppen (equipo móvil de matanza) y durante su encarcelación en campos de prisioneros de guerra o campos de concentración.
Los nazis encarcelaron a los lideres de la iglesia cristiana que se oponían al nazismo, así como a Testigos de Jehová que se negaban a saludar a Adolf Hitler o a servir en el ejército alemán (Wehrmacht). A través del programa de Eutanasia, los nazis asesinaron individuos considerados “incapacitados” mental o físicamente. Los nazis también persiguieron homosexuales masculinos, cuya conducta “impura” era considerada un obstáculo a la preservación del pueblo alemán. Homosexuales “crónicos” fueron encarcelados en campos de concentración, como así también individuos acusados de otras conductas “asociales” o criminales.
Obrigado, Diana Andringa, pelo texto que transcreve. Acontece que, quando falamos em Holocausto, deixamos, num meio esquecimento, todos os que, para além dos judeus, foram mortos. E, neste caso, assim parece ter sido, apesar do conteúdo da mensagem do Secretário-Geral da ONU.
Não será por acaso que, no holocausto, existe esta maior inscrição do genocídio dos judeus. Que seja a maior será justo, mas uma evocação exclusiva, ou quase, desse genocídio já não o será. Pensarmos nas razões pelas quais pende para tal a evocação do holocausto, é não esquecer todos aqueles que, com os judeus, sofreram a experiência dos campos de concentração e que aí foram mortos. Não quero usar aqui adjectivos. E é, parece-me ainda, trazer um elemento para uma melhor compreensão, se possível, das relações entre árabes e Israel.
Creio que, num livro do João Bernardo, “Os Labirintos do Fascismo”, este autor, citando um outro, refere um momento, próximo do fim da guerra, em que Hitler, lastimando que o povo superior não estivesse a fazer todos os sacrifícios que o sagrassem como tal, se questionava se, ao fim e ao cabo, não seria o eslavo o verdadeiro povo superior. Tenho pena de não poder ser exacto quanto à fonte, mas, a ter-se verificado,seria algo de muito revelador.
Poder-se-á ter a ideia de que o Shoah e a expansão para Leste, com o domínio dos povos eslavos e suas terras, para que um povo superior as colonizasse “devidamente”, fossem dois lados necessários e obrigatórios duma mesma política. Política que não qualifico. Há realidades que quaisquer palavras, por mais violentas que sejam, apenas tapam, apenas encobrem.
Terça-feira, 27.Jan.2009 at 10:01:18
« l’expression « fabrication de cadavres » suppose qu’il ne s’agit plus de mort au sens propre du terme, que la mort dans les camps n’est plus la mort, mais quelque chose d’infiniment plus scandaleux. A Auschwitz, on ne meurt pas, on produit des cadavres. Des cadavres sans mort, des nonhommes dont le décès est rabaissé au rang de production en série. Et cette dégradation de la mort constituerait justement… le scandale spécifique d’Auschwitz, le nom propre de son horreur. »
Tradução do italiano por Pierre Alferi.
In « Ce qui reste d’Auschwitz » de Giorgio Agamben (pag.77)
Rivages poche/Petite Bibliothèque
Extraído dum ensaio filosófico sobre o aviltamento que a “morte” tem sofrido nos nossos tempos, sobre isso e algo mais, aviltamento esse de que Auschwitz é uma nojenta manifestação, e uma vergonha dramática para todos nós, europeus, que, com o nosso anti-semitismo secular,“oferecemos” os judeus à fúria do racismo nazi.
Quarta-feira, 28.Jan.2009 at 01:01:08
Não sabia que havia um Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, mas ainda bem que há e que a sua evocação se faz ao nível da ONU, acontecendo poucos dias após da entrevista (em 22 de Janeiro) do bispo negacionista integrista Richard Williamson na televisão pública sueca SVT, curiosamente agora readmitido na Igreja Católica por Bento XVI.
Richard Williamson disse à SVT: «Não creio que tenham existido câmaras de gás. Acredito que 200 000 a 300 000 judeus morreram nos campos de concentração, mas nenhum em câmaras de gás».
O negacionismo esconde o anti-semitismo dos grupos de extrema direita europeus, mas também de alguns dos fundamentalistas islâmicos, como por exemplo as declarações do dirigente do Irão.
(Mas não confundo, de modo algum, a luta do Povo Palestiniano pelo seu território como uma luta anti-semita; não é o anti-semitismo que está na base dessa tensão com 60 anos).
Mas esta imensa tragédia da nossa história recente, que tem de ser constantemente recordada para que nunca mais se repita em qualquer parte do mundo, não é importante por terem sido os judeus os visados, mas pela destruição sistemática de um povo e da pessoa humana. Também foram visados os ciganos, no Holocausto, embora em menor número.
Impedir a xenofobia, venha ela donde venha e contra quem venha!
Quarta-feira, 28.Jan.2009 at 11:01:35
Para que não se esqueçam as outras vítimas, transcrevo de
http://www.ushmm.org/wlc/article.php?lang=es&ModuleId=10005769 :
Además de los judíos, los nazis persiguieron también a otros grupos. Entre las primeras victimas de la discriminación nazi en Alemania estuvieron los oponentes políticos–primariamente comunistas, socialistas, demócratas sociales, y unionistas. En 1933, los nazis establecieron el primer campo de concentración, Dachau, como un centro de detención para prisioneros políticos. Los nazis también persiguieron autores y artistas cuyos trabajos consideraban subversivos o que eran judíos.
Aunque los judíos eran el objetivo principal, los nazis también dirigían el racismo a los gitanos roma. Las interpretaciones de las Leyes de Nuremberg de 1935 (que definían a los judíos por sangre) fueron luego adaptadas para incluir los roma. Los nazis calificaron los roma como no trabajadores y “asocial”–improductivos y inadecuados socialmente. Los Roma deportados al ghetto de Lodz estuvieron entre los primeros muertos en los camiones de gas en el campo de Chelmno en Polonia. Los nazis también deportaron los roma al campo de Auschwitz-Birkenau, donde casi todos de ellos murieron en las cámaras de gas.
Los nazis veían a los polacos y otros eslavos como inferiores, y los marcaron para subyugación, trabajos forzados, y eventual aniquilación. Los polacos que eran considerados ideológicamente peligrosos (incluyendo intelectuales y sacerdotes católicos) fueron el blanco de ejecución en una operación llamada AB-Aktion. La orden del Comisario Político marcó a oficiales de alto nivel en la Unión Soviética y el partido Comunista para su asesinato. Los prisioneros de guerra soviéticos recibieron tratamiento especialmente brutal; más de tres millones murieron durante las operaciones de los Einsatzgruppen (equipo móvil de matanza) y durante su encarcelación en campos de prisioneros de guerra o campos de concentración.
Los nazis encarcelaron a los lideres de la iglesia cristiana que se oponían al nazismo, así como a Testigos de Jehová que se negaban a saludar a Adolf Hitler o a servir en el ejército alemán (Wehrmacht). A través del programa de Eutanasia, los nazis asesinaron individuos considerados “incapacitados” mental o físicamente. Los nazis también persiguieron homosexuales masculinos, cuya conducta “impura” era considerada un obstáculo a la preservación del pueblo alemán. Homosexuales “crónicos” fueron encarcelados en campos de concentración, como así también individuos acusados de otras conductas “asociales” o criminales.
Quarta-feira, 28.Jan.2009 at 06:01:25
Obrigado, Diana Andringa, pelo texto que transcreve. Acontece que, quando falamos em Holocausto, deixamos, num meio esquecimento, todos os que, para além dos judeus, foram mortos. E, neste caso, assim parece ter sido, apesar do conteúdo da mensagem do Secretário-Geral da ONU.
Não será por acaso que, no holocausto, existe esta maior inscrição do genocídio dos judeus. Que seja a maior será justo, mas uma evocação exclusiva, ou quase, desse genocídio já não o será. Pensarmos nas razões pelas quais pende para tal a evocação do holocausto, é não esquecer todos aqueles que, com os judeus, sofreram a experiência dos campos de concentração e que aí foram mortos. Não quero usar aqui adjectivos. E é, parece-me ainda, trazer um elemento para uma melhor compreensão, se possível, das relações entre árabes e Israel.
Creio que, num livro do João Bernardo, “Os Labirintos do Fascismo”, este autor, citando um outro, refere um momento, próximo do fim da guerra, em que Hitler, lastimando que o povo superior não estivesse a fazer todos os sacrifícios que o sagrassem como tal, se questionava se, ao fim e ao cabo, não seria o eslavo o verdadeiro povo superior. Tenho pena de não poder ser exacto quanto à fonte, mas, a ter-se verificado,seria algo de muito revelador.
Poder-se-á ter a ideia de que o Shoah e a expansão para Leste, com o domínio dos povos eslavos e suas terras, para que um povo superior as colonizasse “devidamente”, fossem dois lados necessários e obrigatórios duma mesma política. Política que não qualifico. Há realidades que quaisquer palavras, por mais violentas que sejam, apenas tapam, apenas encobrem.