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	<title>Comentários em: Peniche: de Prisão a Pousada? (2)</title>
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	<description>leituras contemporâneas da história e da memória</description>
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		<title>Por: Pinto de Sá</title>
		<link>http://caminhosdamemoria.wordpress.com/2008/10/01/peniche-de-prisao-a-pousada-2/#comment-676</link>
		<dc:creator>Pinto de Sá</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Oct 2008 11:39:15 +0000</pubDate>
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		<description>Descobri este blog agora e acabei por chegar aos comentários a este assunto.
E o que me ocorre, lendo o comentário de Mário Figueiredo, análogo na substância a vários outros que se podem encontrar pela net sobre o trabalho de Irene Pimentel, é que há quem nunca se liberte da pulsão para usar o Paint Shop Pro de cada vez que vê uma fotografia em História que mostre as bexigas da cara do querido líder...</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Descobri este blog agora e acabei por chegar aos comentários a este assunto.<br />
E o que me ocorre, lendo o comentário de Mário Figueiredo, análogo na substância a vários outros que se podem encontrar pela net sobre o trabalho de Irene Pimentel, é que há quem nunca se liberte da pulsão para usar o Paint Shop Pro de cada vez que vê uma fotografia em História que mostre as bexigas da cara do querido líder&#8230;</p>
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	<item>
		<title>Por: Mário Figueiredo</title>
		<link>http://caminhosdamemoria.wordpress.com/2008/10/01/peniche-de-prisao-a-pousada-2/#comment-529</link>
		<dc:creator>Mário Figueiredo</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Oct 2008 22:50:57 +0000</pubDate>
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		<description>Curiosamente, a Srª Irene Pimentel no seu livro &quot;A história da PIDE&quot;, com 575 páginas nunca utilizou a palavra fascismo para classificar a ditadura salazarista.
Preferiu sempre o eufemismo criado por salazar, Estado Novo, em detrimento de Estado Fascista.
Estranho, também, é a orientação escolhida por Irene Pimentel: Fernando Rosas e Pacheco Pereira, que tal como a PIDE, têm uma estrutura mental anticomunista.
Concluo, com este dama ofendida da Irene Pimentel ao atacar a câmara de Peniche, que afinal hà quem tenha mais  habilidade do que outros para apagar e alterar (às vezes é mais grave)a memória.
Afirmo sem qualquer preconceito porque é verdade, em Portugal, Srª Pimentel, tivemos um Estado Fascista, e não um Estado Novo.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Curiosamente, a Srª Irene Pimentel no seu livro &#8220;A história da PIDE&#8221;, com 575 páginas nunca utilizou a palavra fascismo para classificar a ditadura salazarista.<br />
Preferiu sempre o eufemismo criado por salazar, Estado Novo, em detrimento de Estado Fascista.<br />
Estranho, também, é a orientação escolhida por Irene Pimentel: Fernando Rosas e Pacheco Pereira, que tal como a PIDE, têm uma estrutura mental anticomunista.<br />
Concluo, com este dama ofendida da Irene Pimentel ao atacar a câmara de Peniche, que afinal hà quem tenha mais  habilidade do que outros para apagar e alterar (às vezes é mais grave)a memória.<br />
Afirmo sem qualquer preconceito porque é verdade, em Portugal, Srª Pimentel, tivemos um Estado Fascista, e não um Estado Novo.</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: Fernando Penim Redondo</title>
		<link>http://caminhosdamemoria.wordpress.com/2008/10/01/peniche-de-prisao-a-pousada-2/#comment-507</link>
		<dc:creator>Fernando Penim Redondo</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Oct 2008 18:09:33 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://caminhosdamemoria.wordpress.com/?p=1862#comment-507</guid>
		<description>Cara Irene Pimentel,

eu sei que nunca disse textualmente os pressupostos que eu listei mas, como muito bem sabe, qualquer discurso tem sempre implícitos vários &quot;não ditos&quot;.
Por vezes é importante desenterrar esses &quot;não ditos&quot; para desobstruir a troca de ideias. 

Não tive, nem tenho, a intenção de atingir uma pessoa que me merece a maior consideração mas, por princípio, não dou cheques em branco. Talvez uma das maiores pechas da nossa democracia seja a incapacidade, que revelamos demasiadas vezes, de lidar com opiniões adversas.

Dito isto volto à posição que mantenho desde o início: quero saber mais sobre o projecto e admito, à partida, quer a rejeição quer a aceitação. Parece que o arquitecto é o Siza o que deveria ser um bom sinal.

Eu conheço grande parte das pousadas e considero que algumas são excelentes casos de recuperação e revalorização dos monumentos. Mesmo quando eles têm história &quot;pesada&quot; e muita dignidade arquitectónica.

O que eu vejo pelo GOOGLE Earth, em Peniche, é um edifício enorme onde não me parece impossível criar uma área hoteleira relativamente isolada.  

Penso que a &quot;Não apaguem a memória&quot; podia, e devia, exigir que o projecto hoteleiro só fosse viabilizado se apresentado em conjunto com um projecto museológico complementar.

É a única forma de perceber como os dois poderiam conviver.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Cara Irene Pimentel,</p>
<p>eu sei que nunca disse textualmente os pressupostos que eu listei mas, como muito bem sabe, qualquer discurso tem sempre implícitos vários &#8220;não ditos&#8221;.<br />
Por vezes é importante desenterrar esses &#8220;não ditos&#8221; para desobstruir a troca de ideias. </p>
<p>Não tive, nem tenho, a intenção de atingir uma pessoa que me merece a maior consideração mas, por princípio, não dou cheques em branco. Talvez uma das maiores pechas da nossa democracia seja a incapacidade, que revelamos demasiadas vezes, de lidar com opiniões adversas.</p>
<p>Dito isto volto à posição que mantenho desde o início: quero saber mais sobre o projecto e admito, à partida, quer a rejeição quer a aceitação. Parece que o arquitecto é o Siza o que deveria ser um bom sinal.</p>
<p>Eu conheço grande parte das pousadas e considero que algumas são excelentes casos de recuperação e revalorização dos monumentos. Mesmo quando eles têm história &#8220;pesada&#8221; e muita dignidade arquitectónica.</p>
<p>O que eu vejo pelo GOOGLE Earth, em Peniche, é um edifício enorme onde não me parece impossível criar uma área hoteleira relativamente isolada.  </p>
<p>Penso que a &#8220;Não apaguem a memória&#8221; podia, e devia, exigir que o projecto hoteleiro só fosse viabilizado se apresentado em conjunto com um projecto museológico complementar.</p>
<p>É a única forma de perceber como os dois poderiam conviver.</p>
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	<item>
		<title>Por: Joana Lopes</title>
		<link>http://caminhosdamemoria.wordpress.com/2008/10/01/peniche-de-prisao-a-pousada-2/#comment-506</link>
		<dc:creator>Joana Lopes</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Oct 2008 17:58:56 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://caminhosdamemoria.wordpress.com/?p=1862#comment-506</guid>
		<description>Correndo o risco de abrir aqui de novo uma caixa de Pandora quando os comentários parecem agora tão «racionais», depois de várias horas a ler tudo o que foi escrito sobre o primeiro post da Irene e a conversar com várias pessoas, cada vez me parece que a grande divergência se situa ao nível da SENSIBILIDADE. Podem mostrar-me todos os planos (e vê-los-ei com a maior atenção), dizer quem é ou não responsável de quê, provar-me que se trata de uma facto consumado, mas nada apagará, nem quero que apague, a repulsa do primeiro momento.

Vou entrar agora no domínio da heresia e do impensável: o que eu realmente queria era que lá existisse um museu pequeno ou grande – o possível. E que todos pagássemos para que o resto fosse restaurado e mantido como um enorme espaço aberto, vazio, de silêncio.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Correndo o risco de abrir aqui de novo uma caixa de Pandora quando os comentários parecem agora tão «racionais», depois de várias horas a ler tudo o que foi escrito sobre o primeiro post da Irene e a conversar com várias pessoas, cada vez me parece que a grande divergência se situa ao nível da SENSIBILIDADE. Podem mostrar-me todos os planos (e vê-los-ei com a maior atenção), dizer quem é ou não responsável de quê, provar-me que se trata de uma facto consumado, mas nada apagará, nem quero que apague, a repulsa do primeiro momento.</p>
<p>Vou entrar agora no domínio da heresia e do impensável: o que eu realmente queria era que lá existisse um museu pequeno ou grande – o possível. E que todos pagássemos para que o resto fosse restaurado e mantido como um enorme espaço aberto, vazio, de silêncio.</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: Bernardo Ribeiro Costa</title>
		<link>http://caminhosdamemoria.wordpress.com/2008/10/01/peniche-de-prisao-a-pousada-2/#comment-505</link>
		<dc:creator>Bernardo Ribeiro Costa</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Oct 2008 16:53:53 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://caminhosdamemoria.wordpress.com/?p=1862#comment-505</guid>
		<description>Caros Irene Pimentel e
Fernando Penim Redondo,

Partilhando inteiramente dos argumentos que têm sido aduzidos pelo Fernando Penim Redondo, permito-me apenas sugerir,  aproveitando eventualmente a audiência solicitada à Câmara de Peniche pela Direcção do Movimento «Não Apaguem a Memória!» com o objectivo de conhecer em concreto o projecto (e que, enquanto mero cidadão natural e residente em Peniche, estou certo, será de bom grado concedida pelos seus responsáveis) uma visita detalhada à Fortaleza de Peniche. 

E já agora, uma vez vez que é de património e da preservação de bens culturais que afinal falamos, permito-me ainda sugerir a visita ao Forte de S. João Baptista, nas Berlengas, e ao Forte de Nossa Senhora da Consolação.

Estou em crer que uma visita assim contextualizada permitirá perceber melhor a importância da recuperação da Fortaleza de Peniche, fulcral para o desenvolvimento desta cidade, sem que isso constitua necessariamente qualquer tentativa por parte dos seus habitantes ou responsáveis autárquicos de apagar as suas memórias.

Um abraço.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caros Irene Pimentel e<br />
Fernando Penim Redondo,</p>
<p>Partilhando inteiramente dos argumentos que têm sido aduzidos pelo Fernando Penim Redondo, permito-me apenas sugerir,  aproveitando eventualmente a audiência solicitada à Câmara de Peniche pela Direcção do Movimento «Não Apaguem a Memória!» com o objectivo de conhecer em concreto o projecto (e que, enquanto mero cidadão natural e residente em Peniche, estou certo, será de bom grado concedida pelos seus responsáveis) uma visita detalhada à Fortaleza de Peniche. </p>
<p>E já agora, uma vez vez que é de património e da preservação de bens culturais que afinal falamos, permito-me ainda sugerir a visita ao Forte de S. João Baptista, nas Berlengas, e ao Forte de Nossa Senhora da Consolação.</p>
<p>Estou em crer que uma visita assim contextualizada permitirá perceber melhor a importância da recuperação da Fortaleza de Peniche, fulcral para o desenvolvimento desta cidade, sem que isso constitua necessariamente qualquer tentativa por parte dos seus habitantes ou responsáveis autárquicos de apagar as suas memórias.</p>
<p>Um abraço.</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: Irene Pimentel</title>
		<link>http://caminhosdamemoria.wordpress.com/2008/10/01/peniche-de-prisao-a-pousada-2/#comment-504</link>
		<dc:creator>Irene Pimentel</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Oct 2008 16:53:47 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://caminhosdamemoria.wordpress.com/?p=1862#comment-504</guid>
		<description>Desculpe, mas detesto - como toda a gente, presumo eu - que ponham palavras, que nunca proferi, na minha boca. E a sua argumentação é tão tão geral, que se esquece de mencionar o caso em concreto - o forte de Peniche.
Quanto aos argumentos que colocou na minha boca:
- «a memória só será respeitada se o lugar não tiver qualquer uso que não seja do tipo museológico»
- não. Há muitos outros meios de a preservar, mas, segundo penso, no caso concreto, dado que se trata de um local de memória, passa por aí.

- «as actividades hoteleiras conduzidas por entidades privadas têm, por definição, um carácter incompatível com a história do local»
 não. Já agora, digo-lhe que gosto de hotéis e sou defensora da propriedade privada, e da propriedade pública. É o que é o forte de Peniche e, por isso, se pode e deve discutir publicamente o seu uso.
- «quem frequenta “Pousadas de Portugal” tem hábitos de consumo que tornam pouco provável que se interesse pelos conteúdos museológicos projectados»
não. Sou frequentadora das &quot;Pousadas de Portugal&quot;, mas jamais escolherei a do forte de Peniche se alguma ali for construída.
- «o facto de a autarquia de Peniche ser gerida por elementos ligados ao PCP não dá, à partida, qualquer garantia de respeito pelas memórias do Forte de Peniche»
E era isso que gostaria verdadeiramente que eu  dissesse, nao era? E porque haveriam de dar, «à partida», garantia nesse sentido? Neste caso, não faço qualquer discriminação consoante os partidos. Não encaro os autarcas como uma «entidade colectiva», em que os de um partido sejam superiormente moldados para a preservação da memória, e outros não.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Desculpe, mas detesto &#8211; como toda a gente, presumo eu &#8211; que ponham palavras, que nunca proferi, na minha boca. E a sua argumentação é tão tão geral, que se esquece de mencionar o caso em concreto &#8211; o forte de Peniche.<br />
Quanto aos argumentos que colocou na minha boca:<br />
- «a memória só será respeitada se o lugar não tiver qualquer uso que não seja do tipo museológico»<br />
- não. Há muitos outros meios de a preservar, mas, segundo penso, no caso concreto, dado que se trata de um local de memória, passa por aí.</p>
<p>- «as actividades hoteleiras conduzidas por entidades privadas têm, por definição, um carácter incompatível com a história do local»<br />
 não. Já agora, digo-lhe que gosto de hotéis e sou defensora da propriedade privada, e da propriedade pública. É o que é o forte de Peniche e, por isso, se pode e deve discutir publicamente o seu uso.<br />
- «quem frequenta “Pousadas de Portugal” tem hábitos de consumo que tornam pouco provável que se interesse pelos conteúdos museológicos projectados»<br />
não. Sou frequentadora das &#8220;Pousadas de Portugal&#8221;, mas jamais escolherei a do forte de Peniche se alguma ali for construída.<br />
- «o facto de a autarquia de Peniche ser gerida por elementos ligados ao PCP não dá, à partida, qualquer garantia de respeito pelas memórias do Forte de Peniche»<br />
E era isso que gostaria verdadeiramente que eu  dissesse, nao era? E porque haveriam de dar, «à partida», garantia nesse sentido? Neste caso, não faço qualquer discriminação consoante os partidos. Não encaro os autarcas como uma «entidade colectiva», em que os de um partido sejam superiormente moldados para a preservação da memória, e outros não.</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: Fernando Penim Redondo</title>
		<link>http://caminhosdamemoria.wordpress.com/2008/10/01/peniche-de-prisao-a-pousada-2/#comment-501</link>
		<dc:creator>Fernando Penim Redondo</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Oct 2008 15:47:47 +0000</pubDate>
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		<description>Cara Irene Pimentel,

sou um dos que se recusou a aderir a uma causa mal explicada e aparentemente precipitada. No entanto tenho todas as razões para ser defensor do respeito pelas memórias da luta pela liberdade em Portugal.

Perdoar-me-á mas não gosto que se tomem como óbvios certos pressupostos, normalmente preconceitos, e que se estimatize quem apenas pretende tornar a argumentação mais sólida para ser mais eficaz. 

Aquilo que me parece é que está a argumentar como se fosse evidente que:

- a memória só será respeitada se o lugar não tiver qualquer uso que não seja do tipo museológico

- as actividades hoeteleiras conduzidas por entidades privadas têm, por definição, um carácter incompatível com a história do local

- quem frequenta &quot;Pousadas de Portugal&quot; tem hábitos de consumo que tornam pouco provável que se interesse pelos conteúdos museológicos projectados

- o facto de a autarquia de Peniche ser gerida por elementos ligados ao PCP não dá, à partida, qualquer garantia de respeito pelas memórias do Forte de Peniche

Eu não partilho este tipo de pressupostos, quanto mais &quot;puro&quot; for o projecto mais depressa estiolará. 
A memória que, não tenhamos ilusões, dentro de algum tempo se desvanecerá, façamos nós o que fizermos, não passa no essencial pelo fetichismo dos locais.

Um grande filme ou alguns bons romances guardariam bem melhor as nossas histórias, que nós naturalmente sobrestimamos, para os vindouros.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Cara Irene Pimentel,</p>
<p>sou um dos que se recusou a aderir a uma causa mal explicada e aparentemente precipitada. No entanto tenho todas as razões para ser defensor do respeito pelas memórias da luta pela liberdade em Portugal.</p>
<p>Perdoar-me-á mas não gosto que se tomem como óbvios certos pressupostos, normalmente preconceitos, e que se estimatize quem apenas pretende tornar a argumentação mais sólida para ser mais eficaz. </p>
<p>Aquilo que me parece é que está a argumentar como se fosse evidente que:</p>
<p>- a memória só será respeitada se o lugar não tiver qualquer uso que não seja do tipo museológico</p>
<p>- as actividades hoeteleiras conduzidas por entidades privadas têm, por definição, um carácter incompatível com a história do local</p>
<p>- quem frequenta &#8220;Pousadas de Portugal&#8221; tem hábitos de consumo que tornam pouco provável que se interesse pelos conteúdos museológicos projectados</p>
<p>- o facto de a autarquia de Peniche ser gerida por elementos ligados ao PCP não dá, à partida, qualquer garantia de respeito pelas memórias do Forte de Peniche</p>
<p>Eu não partilho este tipo de pressupostos, quanto mais &#8220;puro&#8221; for o projecto mais depressa estiolará.<br />
A memória que, não tenhamos ilusões, dentro de algum tempo se desvanecerá, façamos nós o que fizermos, não passa no essencial pelo fetichismo dos locais.</p>
<p>Um grande filme ou alguns bons romances guardariam bem melhor as nossas histórias, que nós naturalmente sobrestimamos, para os vindouros.</p>
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